segunda-feira, 30 de abril de 2018

Clássicos do pop japonês: "Momen no Handkerchief", de Hiromi Ota

É hora de conhecer mais sobre a música pop japonesa, com uma das obras mais regravadas de todos os tempos. De ASKA ao AKB48, todos amam essa canção.
Capa do single de 1975, o maior sucesso de uma cantora
de carreira longeva e repleta de hits. 
A década de 1970 produziu grandes clássicos da música popular japonesa, alguns lembrados até hoje. Era uma época de efervescência do mercado, com muitos novos grupos e cantores. Antes de surgir o termo J-Pop (que só apareceu nos anos 1990), a música pop japonesa era denominada então de kayoukyoku. Dentre muitos nomes que surgiram naquele período, um dos principais foi o da cantora Hiromi Ota. 

Nascida em 20 de janeiro de 1955, ela estreou em 1974 e, no ano seguinte, lançou a canção "Momen no Handkerchief" (木綿のハンカチーフ [leia "Momen no Hankatiifu"] , que significa "Lenço de algodão"). Foi seu quarto single, uma composição de Takashi Matsumoto (letra) e Kyohei Tsutsumi (melodia), que chegou às lojas no dia 21 de dezembro de 1975. 



Takashi Matsumoto, nascido em 16 de julho de 1949, fora baterista de uma banda chamada Happy End e mostrava grande talento como compositor, além de ser também produtor. O autor da melodia, Kyohei Tsutsumi, nasceu em 28 de maio de 1940 e é pianista, tendo criado uma lista enorme de sucessos para diversos nomes da música japonesa. 

A reunião de dois grandes talentos criativos, mais a inspirada e envolvente interpretação de Hiromi Ota produziram um hit instantâneo e ao mesmo tempo duradouro. A repercussão foi estrondosa, dominando as paradas de sucesso no ano seguinte. 

Já sexagenária e ainda em atividade, Hiromi Ota
preserva seu charme e discreta beleza. 
Pela medição da hoje dominante Oricon, a canção foi  lugar em vendas em contagem semanal, sendo a  canção mais vendida do ano de 1976. Pela medição da Music Lab, foi primeiro lugar. No total, mais 1,5 milhão de cópias foram vendidas somente do single, sem contar o fato de que a música foi incluída no álbum "Kokoro ga kaze wo hiita hi" (心が風邪をひいた日 ou "O dia em que meu coração se resfriou") e passaria a figurar em muitas coletâneas tanto da cantora quanto de sucessos da época. 

A música foi originalmente composta para mostrar um diálogo entre dois namorados que se separaram quando o rapaz foi morar em uma cidade grande. As partes masculinas falam da saudade e da vontade de mandar um presente para a amada. Os versos femininos falam da recusa dela em receber um presente, sendo que ela apenas quer ver seu amor de volta. No final, ele diz que não pode voltar mais e ela então diz que aceitaria um último presente, um lenço para enxugar suas lágrimas. É aquela melancolia tão forte na música japonesa, embalada por uma melodia de grande beleza. 

Triste e sentimental, mas cantada com um sorriso discreto e um ar de resiliência, bem dentro do espírito das canções pop da época, assim como aconteceu anos antes com a clássica "Ue wo muite arukou - Sukiyaki", de Kyu Sakamoto. A letra é bastante ingênua, ainda mais se analisada atualmente. Mas é exatamente pela honestidade e simplicidade de sua letra e pela beleza de sua melodia que sempre tem algum artista japonês regravando, de nomes consagrados a artistas iniciantes. 
A jovem estrela Atsuko Maeda (ex-AKB48), teve a honra
de gravar um dueto ao vivo com a própria Hiromi Ota.
A carreira dela prosseguiu com muitos sucessos, como "Minami Kaze ~ South Wind", "Sarabá Siberia Tetsudou" e vários outros. Hiromi Ohta também se tornaria uma compositora e instrumentista de respeito, tocando piano e violão. 


Já em 1976 a canção foi regravada pela dupla folk Cherish e, de lá para cá, mais de 50 versões em estúdio foram registradas, sem contar muitas outras versões ao vivo em shows e programas de TV. Clássico eterno, já foi regravado por artistas como Ikimono Gakari, misono, Yukari MiyakeASKA, May J., Yanawaraba,  Yoshimi Tendou, Misaki Iwasa (ex-AKB48) e muitos outros. 

Até hoje, é a canção mais famosa que Hiromi Ota gravou e um dos mais perenes sucessos da música pop japonesa. 


::: VÍDEOS SELECIONADOS :::

Aqui, uma irresistível seleção de versões da canção. Como a maioria dos vídeos foi postada por fãs no YouTube, é normal que a gravadora rastreie e logo tire do ar. Por isso, assista sem demora. 

1) Um dueto ao vivo gravado em 2015, com Hiromi Ota incrivelmente bonita e graciosa cantando junto com Atsuko Maeda, na época integrando o grupo AKB48.





2) A versão de ASKA, lançada em 2013 no álbum de covers Boku wa dekiru koto ("O que eu posso fazer"). O cantor, que teve sérios problemas com a justiça e chegou a ser preso por porte e uso de drogas, segue sua jornada de recuperação (veja aqui), lançando um trabalho após o outro. 




3) A versão de Saya Asakura, de 2014. (Versão reduzida para divulgação.)



4) Para quem gosta de vocaloids, aqui uma versão bem simpática com a cantora virtual Kaori


4 comentários:

Usys 222 disse...

Ah, essa é clássica! Tão gostosa de ouvir. Tão simples. Transmite aquela ingenuidade típica da época. Mas também tem força, exigindo bastante de quem canta. Especialmente nos agudos. Mesmo a Atsuko Maeda teve dificuldade.

Kyohei Tsutsumi é um grande Gênio da música. Uma de minhas canções favoritas compostas por ele é Miserarete, da Grande Diva da Ásia (eu a chamo assim) Judy Ongg. E também tem várias outras com Hiromi Iwasaki, minha cantora favorita. Isso sem falar na abertura e no encerramento da versão em japonês de Transformers (série clássica). E pensar que ele continua na ativa!

Essa é uma daquelas músicas que recomendaria para todo mundo ouvir. Essa graciosidade é cativante.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Mr. Usys!

Essa música eu estava querendo postar fazia tempo. É uma delícia de ouvir. Pena que, no Spotify, só tenha a versão da cantora misono. Que é bem legal, mas eu queria a original e a do ASKA.

Eu gosto muito da fase "kayoukyoku anos 70" do pop japonês, tem muitos clássicos famosos até hoje. A elaboração da melodia é muito boa e ela não é fácil de ser cantada. Precisa de técnica para os agudos, que tem que vir suaves, sem forçar. E vendo a Hiromi Ota cantando, seja no passado ou no presente, é incrível como essa canção é sua marca registrada, como se ela mesmo tivesse escrito, de tão envolvente que é a interpretação.

Valeu e até breve! Abraços!

Bruno Seidel disse...

Que legal descobrir que existem tantas versões desse grande clássico da música pop japonesa! Confesso que nunca tinha ouvido essa do ASKA! Ficou muito boa!!

Acho muito interessante esse tipo de post aqui no blog, que vai muito além de uma menção ou ficha técnica da música (algo que poderia ser encontrado numa rápida busca pela internet). O que temos aqui é um trabalho de garimpo, munido de muitas referências, análise refinada e uma pesquisa admirável!

Como sugestão, diria apenas que uma versão da letra original e outra traduzida poderiam rechear os posts dessa categoria (impedindo o leitor de abrir aquela aba paralela no navegador para fazer uma consulta, que pode resultar em distração).

E vida longa a Hiromi Ota!!! Um dos nomes mais íconicos do J-Pop em todos os tempos!

Alexandre Nagado disse...

E aí, Bruno!

Esses posts sobre música eu acho que trazem um diferencial em relação ao resto da blogosfera de cultura pop. Da minha parte, gosto muito de fazer, pois assim eu posso apresentar coisas desconhecidas a quem busca conteúdo diferenciado.

Sugestão anotada. Clipes traduzidos são sempre uma boa opção.

Valeu! Grande abraço!