quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Mob Psycho 100 - O mangá

Conheça a história de um garoto paranormal que tenta levar uma vida pacata. 
Mob, o jovem, introvertido
e poderoso paranormal.
No campo das histórias em quadrinhos, se há um país que valoriza a narrativa e o desenvolvimento de personagens acima de tudo, esse lugar é o Japão. Lá, um desenho canhestro ou tecnicamente limitado pode fazer sucesso, desde que a narrativa prenda o leitor à história e os personagens despertem interesse. Com isso, qualquer mangá pode se tornar economicamente viável. E com tal característica em mente, é possível justificar uma leitura atenta do curioso mangá Mob Psycho 100

Mob é o apelido de Shigeo Kageyama, um estudante ginasial (equivalente ao Ensino Fundamental 2), que possui incríveis poderes paranormais. O principal deles é a telecinese, que permite a ele mover objetos com a força da mente. Desde criança, ele aprendeu a controlar esses poderes e tenta levar uma vida normal. 

Com uma existência apática, Mob não tem amigos e trabalha como ajudante de Arataka Reigen, um exorcista e caçador de fantasmas picareta e oportunista. Mob usa seus poderes para proteger o chefe e enfrentar espíritos malignos, em geral com facilidade. Mas no fundo, ele apenas gostaria de ser um cara popular e conquistar Tsubomi, sua paixão de infância.


O desenho de ONE é quase amador, mas sua narrativa é boa
e ele sabe conduzir bem as situações, criando interesse. 
No primeiro volume de suas aventuras, Mob irá se envolver com tipos estranhos e bizarros, como o pessoal do clube de telepatia da escola, além dos clientes de Arataka e seres de outros planos de existência. E praticamente todo mundo que se aproxima dele quer tirar vantagem e se aproveitar de alguma forma do rapaz. O garoto controla bastante suas emoções, que ao atingirem o pico de uma escala de zero a 100, podem liberar todo o seu poder ou até faze-lo explodir.

A série surgiu em 2012 como webcomic no site Ura Sunday e suas compilações impressas são lançadas pela editora Shogakukan. Seu autor, cujo nome real é desconhecido do grande público, é o criativo ONE, que também é o criador e roteirista do sucesso One-Punch Man. Seu senso de humor bastante peculiar cria situações hilárias e ele produz, quase sempre, uma narrativa precisa. Ou seja, ele sabe como envolver o leitor em suas tramas, mesmo que um monte de situações sirvam apenas para emoldurar uma única piada. 

Com o crescente sucesso da série tanto na versão digital como impressa, era questão de tempo até surgirem adaptações em outras mídias. 


A versão em animê, disponível no Crunchyroll.
Mob Psycho 100 ganhou sua versão em animê pelo estúdio Bones em 2016 e seus 12 episódios estão disponíveis oficialmente no Crunchyroll

Em 19 de janeiro próximo, estreia no Japão sua versão live-action, com o jovem astro Tatsuomi Hamada no papel de Mob. Com apenas 17 anos, ele já é um ator experiente e consagrou-se em 2017 como Riku Asakura, o alter ego de Ultraman Geed. Além de sua temporada como Mob, ele ainda será visto novamente como Geed no filme para cinema do herói, que vai estrear em março. Em Mob, Hamada será novamente dirigido pelo incansável Koichi Sakamoto. A produção é uma parceria da TV Tokyo com a Netflix. Além disso, está sendo encenada no Japão uma peça de teatro baseada no mangá. 


Tatsuomi Hamada como Mob.
Com Mob Psycho 100 tendo conquistado um público fiel, ONE vai se consolidando como um autor respeitado, mesmo com um desenho sofrível, quase amador. Certamente, sua arte ainda irá evoluir muito, mas ele jamais pode perder a fagulha criativa ou sacrificar a narrativa pelo desenho, pois ele é, acima de tudo, um bom contador de histórias. 

Mob Psycho 100 ~ モブサイコ100

Roteiro e desenhos: ONE
Formato: 13,7 x 20cm, com 198 páginas
Total: 15 volumes
Periodicidade: Bimestral
Lançamento no Brasil: Novembro de 2017
Editora: Planet Manga / Panini Comics 
Preço: R$ 13,90
Classificação indicativa (sugerida): 14 anos

6 comentários:

Usys 222 disse...

Eis um ponto bem interessante. Sacrificar a narrativa pelo desenho. De fato, conheço muitos ilustradores que fazem desenhos incríveis, mas são péssimos para criar histórias. E com ONE nós temos o contrário. E talvez esse estilo "largado" seja o que atrai o olhar.

A premissa é bem simples, ao menos para os padrões de um mangá, mas vejo que é bem conduzido e é isso o que importa. Muitos sucessos vêm de propostas assim, sem grandes pretensões ou conceitos complexos.

... Desviando um pouco o assunto, vejo muita gente falando mal da versão em live-action, mesmo antes de ser lançada. Aliás, isso já se tornou rotina no meio, até com histeria. Eu mesmo já tenho confiança, pois conheço, aliás, nós conhecemos bem o trabalho do diretor e do protagonista. Acho até curioso que nem esses nomes foram capazes de mudar a opinião desses "fãs".

Alexandre Nagado disse...

Fala, Mr. Usys!

Esse mangá é esquisito num primeiro contato, mas conforme a leitura avança, dá pra entender o sucesso.

Sobre o live-action, que pode até pintar por aqui via Netflix, acho que será um desafio interessante para o Tatsuomi Hamada. O mangá tem um flash back da infância do Mob. Vai ser engraçado se usarem o mesmo garotinho que fez a versão infantil do Riku em Geed. É a cara dele.

Vou dar uma conferida no animê, já que são apenas 12 episódios.

Valeu! Grande abraço!

Bruno Seidel disse...

Ainda não li e nem assisti nada de Mob Psycho 100, mas só o fato de ser do mesmo autor de One Punch Man, um dos meu mangá/anime preferidos dos útimos anos me deixa curioso.

Vale lembrar que, em One Punch Man, o traço do inquestionável Yusuke Murata foi um dos grandes fatores que contribuíram com o sucesso da obra. Mas isso tbm fez o traço genuíno e "tragicômico" de ONE cair no gosto dos fãs.

Em Mob Psycho 100, a qualidade da narrativa é o que fala mais alto. Não que eu tenha a expectativa de ver algo tão bom quanto One Punch Man mas, se cair no meu gosto, o The ONE certamente vai entrar pro meu rol de autores preferidos.

Aliás, esse live action aí deve ser pelo menos interessante ein? Estou curioso pra ver o Tatsuomi Hamada no papel principal. Ele tem uma carreira invejável para um cara tão jovem e seu papel como Riku em Ultraman Geed já está deixando saudade.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Bruno!

Parte da graça de One-Punch Man está no contraste entre a arte detalhista do Yusuke Murata com o roteiro cômico. Já em Mob, o traço tosco do ONE encaixa direitinho com seus personagens bizarros e situações ridículas. Foi uma grata surpresa esse volume um.

Sobre o live-action, vou ficar de olho pra ver se vem pra Netflix. E Tatsuomi Hamada já foi a versão infantil do Marvelous de Gokaiger, piloto de robô gigante, herói da ciência (Gatchaman), guerreiro Ultra e agora um paranormal. E o cara só tem 17 anos!

Falou! Grande abraço!

Stefano Barbosa disse...

Nagado, você sabe se alguma loja da Liberdade vende o mangá?

PS: Curioso que o uniforme escolar do protagonista lembra 1 batina.

Alexandre Nagado disse...

Oi, Stefano. Infelizmente não sei sobre isso. Como é título bimestral, pode ser que ainda encontre o número um em banca de jornal.

O uniforme do Mob é um típico uniforme escolar masculino japonês.

Falou! Abraço!