terça-feira, 28 de março de 2017

Quem é Sakamoto? Eu sou Sakamoto, você sabe.

Sakamoto é um cara legal, mas não
apenas isso. É o mais legal do Universo.
Em uma escola comum de Tokyo, numa típica classe de primeiro ano do ensino médio, estuda um aluno muito peculiar. Conhecido apenas como Sakamoto, o aluno mal chega na escola e começa a ficar famoso por conta de suas características únicas.
Desejado pelas garotas, temido, invejado ou odiado pelos rapazes, ele é uma incógnita. De expressão sempre tranquila, ele parece capaz de lidar com qualquer situação, sempre alerta e com uma força e agilidade impressionantes. 

Sakamoto vive ajudando as pessoas, não importando o que possa acontecer a ele próprio. Para cada situação difícil ou perigosa, ele tem uma técnica especial de nome ridículo e eficácia assombrosa. 

Quando valentões o atraem para uma armadilha e acabam todos presos em uma sala onde começa um incêndio acidental, Sakamoto mantém a calma e resolve. Quando a classe entra em alvoroço por causa de uma abelha gigante, Sakamoto mantém a calma e resolve. Quando uma estudante usa de todos os artifícios que conhece para tentar conquistá-lo e até envolve duas amigas em um jogo de invocação de espíritos, Sakamoto resolve. Assim é seu dia-a-dia: resolver problemas em que os outros se metem ou que tentam envolvê-lo. 

Capa do vol. 2 da
edição japonesa. 
Seu amigo mais próximo é o desajeitado Kubota, a quem ele ajuda quando vê que estava sofrendo ijime, o temido bullying japonês. O próprio Sakamoto se torna alvo de ijime, ao ser feito de serviçal por um aluno veterano do segundo ano. E ele lida com a situação de uma forma que ninguém mais poderia. Aliás, o título original, Sakamoto desu ga? (坂本ですが? ou "É o Sakamoto?") é uma frase dita quando alguém vê o personagem fazendo algo impossível. Ou pode ser apenas a contração de uma forma polida dele se apresentar "Eu sou Sakamoto... (Pois não)?" Pena que o título nacional é desnecessariamente longo e mal distribuído na capa. 

Mas sendo o protagonista um cara perfeito, o que poderia tornar interessante um mangá sobre os feitos desse estudante? A dúvida se desfaz ao longo dos capítulos do primeiro volume da série. Há um senso de absurdo, de bizarro, que permeia a obra e a torna interessante. Seu humor vem do exagero e do inusitado. 

O desenho da autora Nami Sano explora ângulos de cena arrojados, mas a falta de um conhecimento mais profundo de anatomia em perspectiva prejudica um pouco a intenção. A arte é um pouco irregular, mas não compromete a narrativa e melhora ao longo das histórias. Por ser apenas a primeira série de Nami Sano, o potencial da autora só está começando a ser desvendado. Pode apostar que ainda ouviremos falar muito desse nome. 

Publicado na revista harta, da Enterbrain Entertainment, Sakamoto foi publicado no Japão entre 2012 e 2016, sendo compilado em 4 volumes. 

Em 2016, teve uma série em animê com 12 episódios, mais um especial lançado direto em DVD, todos produzidos pelo Studio Deen. A série e o especial (listado como episódio 13) estão disponíveis oficialmente e com legendas no portal Crunchyroll

Sakamoto pode ser um cara estranho, ter um senso de humor doentio, ser irritante em sua perfeição, mas é o tipo de pessoa que qualquer um gostaria de ter por perto. 

Quem é Sakamoto? Eu sou Sakamoto, você sabe
Roteiro e arte: Nami Sano
Editora: Panini Comics/ Planet Manga
Formato: 13,7 x 20 cm, com 176 páginas
Total: 4 volumes
Lançamento no Brasil: Fevereiro de 2017
Preço: R$ 15,90
Classificação indicativa: 14 anos 


::: E X T R A :::

(1) [COOLEST], da banda Customi-Z (カスタマイズ), o tema de abertura de Sakamoto Desu ga?. No divertido clipe, os músicos estão fazendo cosplay do personagem. (Versão curta)



(2) Entrevista com a autora Nami Sano no site Anime News Network.

6 comentários:

Adelmo Veloso disse...

Mestre Nagado!

Esse Sakamoto é o cara! Tive o prazer de acompanhar o anime ano passado, que é muito bacana. Como diz em sua matéria, o que torna a história interessante são justamente as decisões absurdas tomadas por ele para resolver as situações. Por causa dele, tornei-me um degustador de café de supermercado! Não cheguei a acompanhar o mangá, mas se a pegada for a mesma do anime, vale muito a pena ter essa obra na coleção! Abraço.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Adelmo!

Eu confesso, no meu primeiro contato com a série em mangá, demorei um pouco a achar legal. Mas quando fazem ijime com ele, aí a série me conquistou.

Só depois de ler o volume 1 é que fui conferir o primeiro episódio do animê, no Crunchyroll. É bem divertido mesmo.

Valeu, apareça mais vezes.
Abraço!

Usys 222 disse...

Acompanhei o desenho animado, que se tornou minha referência ao ler o mangá. E devo dizer que a equipe da animação fez um excelente trabalho. Muitas das piadas funcionam melhor em movimento.

Quando vi pela primeira vez, achei que ia ser algo como o Papa-léguas, com os delinquentes tentando fazer de tudo para que o Sakamoto se dê mal, mas se estrepando no fim. Mas foi bem diferente do que eu imaginava.

A tradução não ficou muito boa mesmo. O título nacional ficou desnecessariamente longo. Só uma das frases já dava. Os diálogos também não me pareceram naturais, deixando evidente que são algo traduzido. Esse é um aspecto em que a equipe daqui tem que melhorar.

Só que eu sinto que o desenho animado já basta. Ele é auto-contido e tem até um episódio final fechado. Vou ficar só nesse mesmo.

Alexandre Nagado disse...

Fala, Usys!

Comecei a ver o animê e gostei, deram uma arrumada no traço, deixaram melhor. E o timing funciona bem melhor mesmo. Ainda assim, achei bem interessante a forma melodramática com que o mangá é narrado. É o que deixa divertido. Essa autora é um talento recente que vale à pena ficar de olho.

Abraço!

NaraCz disse...

Obrigada pela resenha, muito bom seus textos... Eu só vi o Sakamoto pelo crunchyroll mesmo, o traço do anime é muito bonito, a história é bem engraçada, e os dubladores são ótimos, gostei bastante. Mas achei que a animação terminou tão bem resolvida que não tenho vontade de ler o mangá. Tomara que a Nami Sano lance logo outros títulos.

Alexandre Nagado disse...

Olá, Nara, obrigado pela visita e pelo comentário.

Mais gente dizendo que o animê é bom e bem resolvido. Parece que foi uma adaptação certeira mesmo. Ontem vi o segundo episódio e estou gostando. Mas eu gosto de ver como era a ideia bruta, sem a lapidação que uma arte tão coletiva como a animação permite. Então, achei o mangá interessante e quero ver, em termos de conjunto e final, qual ficou melhor resolvido.

Espero que encontre outros posts do seu interesse por aqui.
Até mais.

Abraço!