7_Visual_Kei CDJapan

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Eiji Tsuburaya - O mestre do tokusatsu

Eiji Tsuburaya, o grande pioneiro
dos efeitos especiais no Japão
Com seu nome associado a ícones mundiais como Godzilla e Ultraman, Eiji Tsuburaya é um dos nomes mais importantes da cultura pop japonesa

Nascido em 7 de julho de 1901, na região de Fukushima, Japão, o pioneiro dos efeitos especiais japoneses tem seu nome ligado a Godzilla e Ultraman, dois símbolos do tokusatsu, termo que define os efeitos especiais no Japão. 

Chamado pelos aficionados de Tokusatsu no Kami-samá (ou “Deus dos Efeitos Especiais”), ele é um dos grandes responsáveis pelo aparecimento de uma indústria de filmes e seriados de ficção e fantasia no Japão e da associação do tokusatsu a monstros e heróis super-poderosos. Sem ele, a TV e o cinema no Japão não teriam sido os mesmos.

Da infância cheia de sonhos ao sucesso profissional

Órfão desde pequeno, Tsuburaya foi uma criança que cresceu fascinada por aviação e modelismo. Ainda no colegial, desenvolveu interesse por fotografia e, aos 18 anos, começou a trabalhar como assistente de filmagem na 
Nippon Katsudou Shashin Kabushiki-kaisha, de Kyoto, depois conhecida como Nikkatsu

Na primeira metade da década de 1920, trabalhou nos estúdios Shochiku, Ogasawara Productions e Kinegasa Film Union. E de auxiliar de filmagens, uma espécie de "faz-tudo", passou a ser cameraman em tempo integral. Inovador, criativo e curioso, Tsuburaya começou a sugerir melhorias nos processos de filmagem e edição de imagens nos filmes onde trabalhava, tentando repetir ou aperfeiçoar inovações que ele acompanhava no cinema norte-americano. Era particularmente fascinado por King Kong, o clássico de 1933. 



segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Desenhando Quadrinhos - Um livro essencial

Desenhando Quadrinhos:
Obra essencial para entender
o que faz uma boa HQ.
Uma dica de leitura obrigatória para estudantes, professores e profissionais dos quadrinhos

Depois de sacudir a comunidade quadrinística mundial com o criativo e esclarecedor Desvendando os Quadrinhos (de 1993), o autor Scott McCloud se especializou em fazer quadrinhos sobre os quadrinhos. Ainda é a melhor obra para se entender processo narrativo e semiótica nas HQs.

Seu livro seguinte, Reinventando os Quadrinhos (2000), complementava o anterior e abria espaço para uma série de especulações e palpites pessoais sobre os rumos da nona arte num mundo cada vez mais digital. Entre erros e acertos sobre os rumos dos webcomics, McCloud mostrou que, acima de tudo, entende a linguagem da arte sequencial como poucos. E eis que, depois de tanta teoria, ele resolveu que era a hora de ensinar como é que se faz uma boa HQ. 


Parece pretensioso, mas ele cumpre a tarefa com uma clareza desconcertante em Desenhando Quadrinhos, lançado pela M.Books em 2007 e reeditado em 2012. A empresa já havia editado as obras anteriores de McCloud no Brasil em 1995 e 2005, respectivamente.

Sem querer impor fórmulas ou modelos prontos para serem apenas copiados, McCloud estimula o leitor-aluno a pensar nas possibilidades inerentes ao uso combinado das palavras e das imagens. Dando espaço para o desenvolvimento do aluno na arte realista, estilizada ou mesmo no estilo mangá, o livro aborda a criação de personagens, cenários, roteiros e narrativa, culminando na arte-final e até letreiramento. Inconformado com as limitações do papel, McCloud criou complementos no “Capítulo 5 ½” em seu site oficial, ainda sem versão em português. 

Aos fãs de mangá, McCloud dedica especial atenção, demonstrando ser um grande entusiasta dos quadrinhos japoneses. Ele exemplifica como a narrativa de mangás de ação (especialmente os shonen - para meninos) jogam o leitor dentro da ação. Em contrapartida, o mangá shojo (para meninas), ao usar narrativa e recursos gráficos para enfatizar aspectos emocionais, jogaria a leitora dentro da cabeça dos personagens. 
Trecho do capítulo sobre mangá,
onde o autor demonstra muita
familiaridade com o assunto.

Mesmo sem ser um grande ilustrador, ele demonstra na prática lições valiosas sobre profundidade visual, diversidade de tipos e expressividade nos desenhos. Tudo com muita abrangência, ponderação e bom humor, características que tornam a obra uma leitura divertida e informativa ao mesmo tempo. 
A importância de um
bom cenário. Mais
didático, impossível.

Já no final do livro, as diversas possibilidades de se trabalhar com quadrinhos são analisadas com uma visão clara, realista e honesta. Mas convém destacar que McCloud se refere ao mercado estadunidense, e que a realidade do mercado de trabalho para HQ no Brasil está anos-luz atrás. Em outra parte, o autor explica detalhadamente as características, prós e contras de vários materiais de desenho. Nem todos os materiais são acessíveis da mesma forma aqui e existem outras opções e nomenclaturas em nosso mercado. Mas não é nada que uma visita a algumas boas lojas não resolva.

Em Desenhando Quadrinhos, as notas explicativas que já estavam grandes em Reinventando os Quadrinhos aumentaram tanto de tamanho que se transformaram em capítulos de texto, com diversas informações complementares. O recurso talvez trunque um pouco a fluência da leitura mas, sem dúvida, isso acrescentou mais nuances e enriqueceu o conteúdo da obra. 

Mais do que nunca, McCloud não quer apenas divertir o leitor, e sim dar a melhor aula que poderia e há longas divagações teóricas, onde nunca se diz nada à toa. Como ele mesmo cita no livro, é preciso deixar que as palavras também cumpram sua função. Com numerosos exemplos e exercícios práticos, nunca um livro foi tão abrangente em sua proposta de ensinar como fazer histórias em quadrinhos. 

Desenhando Quadrinhos tem 264 páginas, formato 17 x 25 cm e já está à venda em livrarias e lojas especializadas.

-- Compre aqui.

(Texto adaptado e ampliado a partir uma resenha escrita por mim para o site Bigorna.net, atualmente inativo.)

domingo, 18 de agosto de 2013

A Bossa Nova e o Japão

Música brasileira com sotaque japonês em uma seleção musical imperdível

Lisa Ono, brasileira que
construiu sólida carreira no
Japão divulgando

a Bossa Nova
Bossa Nova é o movimento musical surgido no Rio de Janeiro no final da década de 1950, tendo à frente nomes como João Gilberto, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Meio samba, meio jazz, ganhou prestígio com suas melodias, arranjos e harmonias que unem simplicidade e sofisticação. 

Desde o início, foi ganhando fama no mundo inteiro. O apelo popular universal é tão grande que a segunda canção mais regravada de todos os tempos é um clássico do movimento:  "Garota de Ipanema" (Tom e Vinícius, 1963), sendo que a primeira (por enquanto) é "Yesterday" (1965), dos Beatles.

No Japão, muitos artistas se identificaram de imediato com o estilo e passaram a fazer versões de músicas brasileiras, além de  criar repertório próprio seguindo os padrões estéticos da Bossa Nova. Indo além, grandes nomes da música japonesa já gravaram covers de sucessos da Bossa Nova ou incorporaram os refinados arranjos de violão e piano em suas gravações. 


segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Financiamento coletivo de quadrinhos - Uma alternativa de mercado

A volta dos Combo Rangers, via
crowdfunding: personagens conhecidos,
autor consagrado e
editora veterana (a JBC).
Com tudo isso, chamaram os fãs
para financiar o projeto e

conseguiram sucesso.
O mercado de quadrinhos no Brasil, como já disse muitas vezes, é bastante restrito do ponto de vista profissional. Existe sim um campo interessante para publicações alternativas, independentes, auto-publicação e séries on-line. Mas como atividade em que o artista vive das HQs que produz, é um mercado extremamente reduzido. O que não impede que os criativos busquem sempre alternativas para viabilizar seus projetos. Um movimento que tem crescido em tempos recentes é o do crowdfunding, ou financiamento coletivo. 

Através de cotas de valores diferenciados, qualquer um pode doar dinheiro para algum projeto (geralmente da área cultural), sendo recompensado proporcionalmente com brindes e presente variados. Com o apoio de sites como o Catarse.me ou o Kickstarter.com, vários escritores, jornalistas, músicos, atores e quadrinhistas já viabilizaram seus projetos autorais sem ter que recorrer a empresas.