RECADO AOS VISITANTES:

Olá! O blog está de férias, mas já estou trabalhando em novas postagens. O Sushi POP voltará a ser atualizado no dia 1 de agosto (terça), no período da tarde.

O que vem por aí:
- Ultraman Geed, Novo Lobo Solitário, resultado da convocação para trabalhos acadêmicos e mais!

Esteja aqui para conferir. Até breve!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Boletim 25 - Livro brasileiro sobre mangá é traduzido para o inglês

Capa do livro, com ilustração
do próprio autor
Em fevereiro de 2011, foi lançado o livro independente Elementos do Estilo Mangá, de João Henrique Lopes. A obra versa sobre definições e técnicas visuais utilizadas na maioria dos mangás, codificando a linguagem gráfica e apresentando a visão do autor sobre o tema. 


De modo ousado e consistente, o trabalho questiona a definição dos pesquisadores que consideram o mangá como uma escola de narrativa visual. Assim, o livro é focado na visão do mangá como um conjunto de técnicas de ilustração. Na época do lançamento, escrevi uma resenha sobre a obra aqui no Sushi POP


Agora, um ano depois, o livro ganha versão em inglês, revisada e ampliada sob orientação do renomado pesquisador Frederick Schodt, autor de dois volumes fundamentais sobre mangá editados no ocidente: Manga! Manga! The world of japanese comics (Kodansha International, 1983) e Dreamland Japan (Stone Bridge Press, 1996). Seu aval e sugestões enriqueceram a obra, cujo título internacional ficou sendo Elements of Manga StyleA edição em inglês tem mais conteúdo e imagens que a versão original, com destaque para uma análise sobre o estilo e evolução de consagrados autores de mangá. 


O livro será vendido no site da Amazon.com em formato impresso e digital. Quando as vendas forem iniciadas, o link será postado aqui. 


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Boletim 24: Nova abertura de Bleach, com a SCANDAL




Foi lançado recentemente no Japão o novo single da banda feminina SCANDAL. "Harukaze" (ou "Vento da primavera") é a mais nova abertura do animê Bleach, baseado em mangá homônimo de Tite Kubo. O animê irá terminar no Japão em março e há uma versão live-action em desenvolvimento nos EUA, pela Warner Bros


Sobre a SCANDAL, é uma raridade entre os grupos femininos de J-pop (na verdade, estão mais na classificação J-Rock). Elas formam uma autêntica banda de rock, criada não em escritórios de gravadora, mas de forma independente, entre quatro amigas. Nascida no meio estudantil e se destacando em festivais amadores, a SCANDAL acabou sendo descoberta pelas grandes gravadoras, estando atualmente na Sony Music
Apesar de seu apelo visual estar sendo bastante explorado, há um abismo de distância entre elas e as inúmeras pop idols que pipocam na mídia japonesa, tendo uma sonoridade própria, autoral. Em 2009, elas já  haviam gravado uma abertura de Bleach - a décima - intitulada "Shojo S" ("Garota S"). 


Saiba mais sobre a SCANDAL aqui.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Boletim 23 - Yamato 2199 terá Isao Sasaki, Akira Miyagawa e Aira Yuuki



Isao Sasaki em uma emocionante apresentação em 1999.


Aproxima-se a estreia da nova versão da Patrulha Estelar, que acontecerá no Japão em 7 de abril. Na recente coletiva de imprensa realizada em 18 de fevereiro, foi anunciado que o grande Isao Sasaki (que completa 70 anos em 16 de maio) gravou uma nova versão do icônico tema do Yamato, para servir de abertura para o remake.


Uma voz poderosa
eternamente
ligada à Patrulha Estelar.
38 anos atrás, Sasaki marcou época, com um dos mais famosos temas de abertura japoneses. A canção valorizou ainda mais o animê que detonou o primeiro "animeboom", a explosão da indústria da animação no Japão na década de 1970. Tendo cantado também temas de Goranger, The Ultraman, Galaxy Express 999, Dekaranger, Metalder e Ultraseven 99 (entre outros), Isao Sasaki também é ator, tendo interpretado o Prof. Nanbara, personagem fixo da série Jaspion, em 1985~86. Depois de ter sido esquecido na produção do live-action do Yamato, que acabou tendo uma música de Steven Tyler (Aerosmith) que caiu no esquecimento, Sasaki volta em grande estilo. A presença do quase septuagenário músico é bastante significativa, ainda mais em termos de mercado.


Cada vez mais aberturas de animês tem sido entregues a nomes do cenário J-pop, entre veteranos e iniciantes, não raro com canções que nada têm a ver com a produção. Isso aproxima áreas distintas da cultura pop japonesa e pode ser até benéfico para a indústria, mas particularmente gosto mais das músicas com pegada mais heróica, vibrante. Gosto de anisongs "de raiz", se é que podemos usar esse termo. Mesmo curtindo muito certas músicas de animê/tokusatsu da vertente mais pop, ainda prefiro as que levam um espírito mais tradicional e se integram à série de modo coerente. 


E vendo o mais recente trailer (vídeo logo abaixo), chega a ser um alívio constatar que, aparentemente, a produtora não se rendeu aos modismos da indústria pop, como as menininhas estilo "moe", os personagens adolescentes histéricos ou mesmo uma trilha sonora com conjuntos de idols descartáveis e formatadas. Tudo parece reverenciar a obra original, apenas atualizando a produção.

Mantendo o espírito da série clássica, a equipe de Yamato 2199 tem pela frente uma missão difícil, que é honrar o legado de um trabalho revolucionário em sua época e que ajudou a indústria do animê a amadurecer, expandindo seu público. Se vão conseguir, logo saberemos.





O novo trailer de Yamato 2199.

Aira Yuuki: Grande
responsabilidade na
trilha sonora do Yamato
Ainda sobre a trilha sonora: As músicas de fundo originais ganharão novos arranjos, missão entregue a Akira Miyagawa, filho do falecido compositor Hiroshi Miyagawa. Akira é o segundo filho de um membro da equipe criativa original a assumir o posto do pai, lembrando que o produtor da obra é Shoji Nishizaki, filho do também falecido Yoshinobu Nishizaki. Pianista renomado, trabalhou na trilha de Shin Mazinger Shôgeki - Z Hen, Emily of New Moon, Kirby e outros.


Acompanhando a regravação da trilha original, haverá um novo tema de encerramento, cantado por Aira Yuhki. Apesar do jeito de menina, já tem 30 anos de idade e, além de ter gravado várias canções de J-pop, também cantou anisongs para Densetsu no Yuusha no Densetsu (ou "Legend of Legendary Heroes") e Armored Trooper Votoms ("Hoshi wo motomete" - abertura), entre outros.  

Mais Yamato 2199 nos cinemas: Já havia sido divulgado que os primeiros dois episódios teriam exibição em 10 cinemas de Tóquio no dia 7 de abril. Os episódios de 3 a 8 serão compilados em outro especial para cinema, a ser exibido, também em circuito limitado, em 30 de junho. Já o primeiro DVD/Blu-ray desse remake sai no Japão em 25 de maio. 



Leia também:
- Mais informações sobre Yamato 2199 aqui
- Sinfonia Estelar - A trilha sonora do Yamato

- Bastidores da criação do Yamato



terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Boletim 22: Yoshitaka Amano, de Final Fantasy, vem ao Brasil

Arte conceitual de Yoshitaka Amano para Final Fantasy V
O Sandman de Yoshitaka Amano
em um livro belamente ilustrado
Trabalhando com todos os aspectos da cultura nipônica, a Fundação Japão dá grande importância à chamada cultura pop japonesa em suas mais diversas tendências. Já trouxe os diretores de animê Megumu Ishiguro (Pokémon) e Yasuhiro Imagawa (Robô Gigante), a cantora de anisongs Mitsuko Horie (Candy Candy, Yamato), a Embaixadora do Kawaii Misako Aoki e várias outras personalidades.

Já tive a honra de palestrar a convite da Fundação Japão em 2010, no evento Desconstruindo o Mangá e o Animê, junto com a Professora Doutora Sonia Luyten. Enfim, é uma entidade que trata com absoluta seriedade a cultura pop japonesa, colocando-a no mesmo nível de manifestações artísticas e culturais tradicionais. 

Dentro dessa filosofia, a Fundação agora traz ao Brasil o renomado Yoshitaka Amano, famoso pelo visual dos games de Final Fantasy. Dele, tenho Sandman - Dream Hunters, primorosa obra que ilustrou sobre texto de Neil Gaiman. Mas muito antes disso, tive contato com a obra de Amano (mesmo sem saber) vendo clássicos dos animês como Speed Racer. Em Pinóquio, exibido na extinta TV Tupi nos anos 1970, ele criou monstros e pesadelos surreais e assustadores. Pinóquio era um desenho pesado, dramático e impactante, onde Amano já deixava sua marca. Expandiu horizontes e tornou-se um ilustrador renomado, uma marca de qualidade e ousadia gráfica. Sua vinda ao Brasil é extremamente relevante, ainda mais que acontecerá em um grande evento de games, o Gameworld.  


Confira abaixo o texto de divulgação que chegou a mim e curta o fantástico teaser trailer do novo projeto de animação de Amano.

YOSHITAKA AMANO NO BRASIL
Press release - Fundação Japão


A Fundação Japão e a Tambor Digital trazem pela primeira vez ao Brasil o artista Yoshitaka Amano, que realiza a “Mostra Yoshitaka Amano” e uma palestra durante o Gameworld 2012, evento que acontece entre os dias 30 de março e 01 de abril de 2012 no Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca, em São Paulo. A palestra acontece no dia 30 de março de 2012, na própria feira.

As 31 obras – todas inéditas no país, ficam em cartaz durante a feira, que já reuniu mais 20 mil visitantes só no ano passado. As ilustrações são apenas uma das atividades do artista, que se dedica também à pintura, além de desenhar quimonos e figurinos para teatro kabuki e criar jóias.

Trabalhou para o estúdio de animação, a Tatsunoko Productions, onde fez parte da equipe de criação do animê Speed Racer, sucesso mundial nos anos 1960 e popular até hoje. Desde então, participou em destacadas obras como a série Time Bokan, Gatchaman (G-Force no Ocidente), Tekkaman, Pinóquio e Abelhinha Hutch. Faz parte de uma geração de animadores, juntamente com Mamoru Oshii e Akemi Takada, que construiu a base de toda cultura pop contemporânea japonesa.

Vampire Hunter D - Outro
representante do vasto
universo visual do autor
Bastante conhecido pelo trabalho colaborativo com Neil Gaiman, na série Sandman, em Caçadores de Sonhos, Yoshitaka Amano ganha repercussão internacional com a criação dos personagens da série de videogames Final Fantasy.

Trabalhou também na série Vampire Hunter D de Hideyuki Kikuchi; Guin Saga, de Kaoru Kurimoto; Chimera, de Baku Yumemakura e em Moju, de Edogawa Rampo. Colaborou com autores ocidentais como Michael Moorcock (Elric the Necromancer) e em livretos de ópera de Richard Wagner (Tristão e Isolda e The Flying Dutchman).

Por quatro anos consecutivos, 1983-1987, recebeu o Prêmio Nebula, considerado o Oscar da Literatura fantástica de trabalhos de ficção e fantasia publicados nos EUA. Além disso, recebeu indicação ao Prêmio Hugo, em 2000, e conquistou o Prêmio Eisner, Prêmio Dragon Con, e o Prêmio Julie por suas pinturas.

Incansável, busca sempre novas mídias e suportes para expressar seus sonhos e visão de mundo, que vem praticando em mais de 40 anos de carreira, mesmo recusando o título de sensei (professor, em japonês) ou mestre. “A maioria das pessoas gosta de atingir uma posição respeitável ou ganhar uma promoção. Eu me sinto preso. Quero fazer coisas que nunca fiz.”, diz ele, em entrevista para o jornal Japan Times, em 2011.

Sua mais recente empreitada é a criação do seu próprio estúdio de animação, em 2010, intitulado Deva Loka. A primeira produção, agora como diretor, é a animação Deva Zan, obra que usa a técnica cel-shading como base de sua produção, onde a principal ideia é renderizar uma imagem em 3D de forma que se pareça com um desenho feito à mão, 2D. Deverá ser lançada oficialmente este ano.

Deva Loka para os hindus representa o mundo da luz eterna; a esfera dos deuses. Este é também o universo de Yoshitaka Amano, o artista que em sua essência, vive em busca constante pelo inusitado, pela descoberta e pela redescoberta. É possível ver em suas obras a sutileza da mulher com olhar distante na leveza das formas orgânicas do Art Nouveau e na profusão de cores que dançam em suas composições. Faz-se impressionar pela capacidade de captar o momento preciso da representação de força da natureza, tal qual o impacto causado pela contemplação de um quadro do Mundo Flutuante. O artista converge todos os mundos; passados, presentes e futuros em imagens únicas. Para Amano, não há ruptura entre a tradição e a contemporaneidade. Sua criatividade expõe a singularidade de sua compreensão de universo. É deste modo que sua arte flui e fluirá para além da última fantasia, afirma a Profa. Adriana Kei, coordenadora de Design de Animação da Universidade Anhembi Morumbi.


- Veja aqui o trailer de Deva Zan:



Yoshitaka Amano
Perfil
YOSHITAKA AMANO
Nasceu na cidade de Shizuoka, no Japão, em 1952. Em 1967, ingressa na Tatsunoko Production e começa a criar personagens de animação de sucesso e então torna-se independente, recebendo destaque no mercado editorial.

Em 1997, realiza uma grande exposição individual em Nova Iorque, nos EUA, e um evento multimídia, em 1999, chamado “Hero” – série de projetos sobre a aventura épica de um principe reencarnado num futuro distante, realizado no centro de artes Angel Oresanz Foundation, também em NY. No Japão, realiza exposição no Ueno Royal Museum, além de inúmeras  mostras organizadas.

Em 1997, colabora com a Filarmônica de Los Angeles para a criação de 1.001 Nights, projeto que reuniu filme, música e animação.

Em 2004, expande sua atuação nas artes plásticas, exibindo suas obras em exposições individuais na Europa (Mônaco, Cannes, Berlim, Dinamarca), entre outros lugares. Organiza a exposição “Eve 9002″ na Ópera de Paris, em 2009, onde uma espécie de balé de imóveis e cristalizadas heroínas são apresentadas, por apenas 3 horas, criando um ambiente urbano e mitológico. Conquistou o respeito pelo mundo da moda, depois deste evento. Em 2010, ganhou uma retrospectiva de seus trabalhos, “From Gatchaman to Deva Loka — The Legend Continues”, no Museu Arte Contemporânea de Taipei (MOCA- Tapiei), em Taiwan.

Serviço
Mostra Yoshitaka Amano
30, 31 de março e 01 de abril de 2012

Palestra de Yoshitaka Amano
30 de março de 2012

Local:
GameWorld 2012 
Centro de Convenções do Shopping Frei Caneca
Rua Frei Caneca, 569 – Consolação
São Paulo/ SP
Tel: (11) 3472-2000
OBS.: A palestra e a mostra são gratuitas, mas a entrada do GameWorld é cobrada.
Mais informações no site do Gameworld

Realização
Fundação Japão em São Paulo
Tambor Digital

Apoio
Consulado Geral do Japão em São Paulo
JETRO – Japan External Trade Organization

Sites

Fundação Japão em São Paulo

Informações, fotos e contatos para imprensa:

Erico Marmiroli   (11) 9372-7774 / (11) 3205-0656 - erico.marmiroli@gmail.com
Fundação Japão   (11) 3141-0110 - info@fjsp.org.br 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Zillion - 25 anos

Champ, JJ e Apple, os White Nuts
Numa época de grande entressafra de animações japonesas nas emissoras brasileiras, a TV Globo exibiu brevemente um animê de grande sucesso, que marcou muitas crianças e adolescentes no final da década de 1980. Para recordar, estou reeditando uma matéria que fiz para a antiga revista Herói, em 1995, mas com alguns extras. Divirta-se!

A abertura original, "Pure stone", de Risa Yuuki. Versão sem os créditos.

INTRODUÇÃO

O planeta Mariz é considerado uma segunda Terra, onde vive uma grande colônia de humanos. A paz dura até o ano 2.387, quando os invasores do Império Noza iniciam seu violento ataque e os humanos não têm como enfrentá-los. A situação muda quando três pistolas de origem desconhecida são encontradas. Com um poderoso raio vermelho de desintegração, as pistolas recebem o nome de Zillion e são confiadas a três agentes de elite que deverão destruir a ameaça Noza.

A história contada até aqui parece a de uma rotineira série de super-heróis. Pra piorar, Zillion foi planejada apenas para promover brinquedos e games da Sega. No caso, eram as próprias pistolas, que podiam ser usadas para jogar um tipo de paintball eletrônico. Cada jogador de Zillion usava um sensor no peito (similar ao que aparecia na série) e este indicava quando ele era atingido pela arma de um adversário. Além disso, havia o console Master System, com um cartucho Zillion e a pistola Light Phaser, igual à Zillion dos primeiros episódios.

FAZENDO A DIFERENÇA

Para que a série não fosse apenas mais uma entre tantas outras, a Tatsunoko Production trabalhou com um time de primeira e criou uma série diferenciada. Nasceu assim a série Zillion, com as aventuras do esquadrão White Nuts (chamada aqui de White Knights).


Especial da revista Animedia,
destacando um dos grandes
sucessos de 1987.
Liderados pelo chefe Gordon (Gord, no original), os White Nuts são: o vaidoso Champ (que é o melhor atirador do planeta), a sensual Apple e JJ, um combatente incansável, que acabou ficando mais famoso por suas manias do que por sua destreza. Sendo um mulherengo contumaz, JJ adora passar a mão em garotas, espiá-las no banho e por aí vai. Completando o time, tem o engenheiro e piloto de jatos Deibo (Dave), a secretária atrapalhada Amy e o robô ovóide Bongo (Opa-Opa, no original). Entre uma batalha e outra, sempre rolava muita confusão com o grupo, especialmente entre Champ e JJ, sempre brigando pela atenção de Apple que, no fundo, tinha uma queda por JJ.

Zillion estreou na TV japonesa em 12 de abril de 1987, na TV Nihon. Na entrega anual do Prêmio Atom (uma homenagem ao Tetsuwan Atom – ou Astro Boy – de Osamu Tezuka), a série abocanhou alguns prêmios, incluindo melhor obra, melhor personagem masculino (para JJ) e melhor personagem feminina (Apple). A série terminou precocemente em 13 de dezembro de 1987, com a derrota dos Nozas. Apesar do sucesso, Zillion durou pouco devido a problemas contratuais entre a Tatsunoko e a Sega.


"Utahime sayokyoku", com Yuko Mizutani, a abertura de Burning Night.

DEPOIS DA SÉRIE


Em 1988, os fãs japoneses ganharam um presente: uma aventura inédita lançada diretamente para vídeo. Era Zillion – Burning Night, com 45 minutos de duração. Tratava-se de uma história ambientada numa realidade alternativa e época imprecisa, onde o chefe Gordon é dono de uma boate animada por uma banda de rock formada por Apple (vocal), JJ (guitarra), Champ (baixo), Amy (teclados) e Deibo (bateria). Os Nozas aparecem como uma quadrilha de humanos normais que raptam Apple e são perseguidos por JJ e Champ. Sem ligação com a cronologia da série, Burning Night foi lançado em junho de 1988 e logo se tornou o oitavo título mais vendido daquele ano.

Criado sem a obrigação de ser uma obra-prima e com recursos de animação bem limitados, Zillion surpreendeu com suas histórias cheias de humor e um ritmo alucinante. JJ e seus amigos mostraram que salvar a humanidade pode ser algo bem divertido.

FICHA TÉCNICA

Título original: Akai Koudan Jirion (Raio de Luz Vermelha Zillion)
Estréia no Japão: 12/ 04/ 1987 (TV Nihon)

Número de episódios: 31 p/ TV e um para vídeo
Criação: Tsunehisa Itoh
Roteiro: Tsunehisa Itoh e Seiya Yamazaki
Trilha sonora: Jun Irie
Direção: Takayuki Gotoh, H. Hamazaki e Akira Watanabe
Direção geral: Mizuho Nishikubo
Chefe de produção: Ippei Kuri
Realização: Tatsunoko Production
Emissoras no Brasil: TV Globo e TV Gazeta

Texto publicado originalmente na revista Herói n. 19 (Ed. ACME/ Nova Sampa, 1995)

CURIOSIDADES: 
Por Michel Matsuda (*)


Borgman: Heróis metálicos
armados com... Zillion?

ZILLION: A PISTOLA RECICLÁVEL
Quatro meses após o término de Zillion, a pistola que dava o título a série viria a ser reaproveitada num outro animê, o Chôon Senshi Borgman (Guerreiro Supersônico Borgman), em abril de 1988, também pela Nippon TV, mas com produção do estúdio Youmex. Chamada apenas de pistola Borgman, era apenas uma das armas do herói, e não tinha a mesma importância do que na série original. Isso foi possível por se tratar do mesmo patrocinador, a SEGA. E alguém se lembra da antiga Zillion, aquela com a caixa preta? Na série, foi usada do capítulo 1 ao 11, quando deu lugar a outros modelos.

Apesar dela jamais ter sido comercializada em brinquedo, serviu de modelo para a criação da pistola do Master System, a Light Phaser. Entretanto, esta Light Phaser não foi lançada no mercado japonês, já que nenhum dos jogos compatíveis com a pistola saiu por lá. Nos jogos Phantasy Star Online Episode 1 e 2, para o Game Cube, era possível escolher uma arma muito parecida com a Zillion, chamada de Ruby Bullet.



A cobiçada Zillion, ou melhor, Light Phaser
ZILLION: IDEIAS E MAIS IDEIAS... – Como toda e qualquer obra, Zillion passou por diversas etapas até chegar a sua versão definitiva. No início, só existia a pistola da SEGA, e a Tatsunoko teria que criar uma história que realçasse ao máximo as características da arma. Pra isso, três vertentes da história foram elaboradas. A primeira seria uma história de guerra real, protagonizada por soldados, e a Zillion, uma arma militar. 

A segunda seria uma história de fantasia estilo Rei Arthur, sobre um viajante que receberia uma pistola dos deuses. A terceira ideia seria de uma equipe estilo Super Sentai, em que adolescentes se transformariam ao colocar o Zillion Badge no peito (um alvo que vinha no brinquedo). Pode-se dizer que o resultado final foi um misto de todas as ideias. 

A princípio, os heróis utilizariam armaduras, mas desistiram da idéia, tanto pela mobilidade, como pela proteção ineficaz. Essa ideia acabou sendo utilizada em Borgman. Com capacete, a distinção dos personagens seria mais difícil. Então mudaram para óculos, mas aí continuaria ocultando a expressão facial. A solução então foi o Red Guard, um visor colocado no olho direito. 

Na primeira sinopse do último episódio, Apple formaria um casal com o JJ, assim como o Champ se daria bem com a Emi. E na última cena, Apple daria um beijinho no JJ, o que acabou sendo substituído por uma cena cômica com os rapazes caindo de suas motos.

Ilustração do diretor Takayuki Goto
para a capa do segundo DVD Box
da série, lançado no Japão.
ZILLION: 31 OU 35 EPISÓDIOS? -
Originalmente, a série Zillion havia sido planejada apenas até o episódio duplo ― "Vivo ou Morto? Confronto do Destino" (episódios 15 e 16), exibido nos dias 19 e 26 de julho de 1987, e para preencher o horário enquanto um novo lote de episódios não ficava pronto, a Nippon TV colocou no ar uma seleção de episódios intitulada Zillion Kessaku Sen (Zillion Seleção Obra-Prima), respectivamente os episódios 1, 6, 7 e 16. Após o intervalo de um mês, a série voltaria com episódios inéditos no dia 6 de setembro, e com o subtítulo Gekitô Hen (Fase Dramática) adicionado na abertura. 

A partir dessa fase, houve a mudança de horário e a série passou a ser exibida às 10h30 de domingo, e não mais às 10h00. Comenta-se que foi uma estratégia da Nippon TV para não bater de frente com a série Kamen Rider Black, que estrearia às 10h00 pela TBS.

Curiosamente, por causa dessa breve reprise, a renomada revista especializada Animage catalogou a série contando 35 episódios, confundindo fãs e colecionadores que conheceram Zillion em reprises ou exibições fora do Japão.


(*) Material extraído do e-book Cultura Pop Japonesa - Histórias e Curiosidades, disponível gratuitamente para download aqui

E você? Curtia Zillion? Descobriu a série depois? Conte sua opinião sobre a série na parte de comentários, depois do box de anúncios.