segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

STREET FIGHTER - O Demônio Caolho [HQ]

Recordando uma HQ nacional com os maiores lutadores dos games


Na década de 1990, escrevi roteiros para uma série de HQs oficiais sobre os personagens da franquia Street Fighter para a Editora Escala, que licenciava a marca no Brasil. A realidade de mercado era outra, e quando o contrato de publicação da revista não foi renovado por baixa vendagem, o título vendia mais de 10 mil exemplares por mês, tendo tido picos de 30 mil. Foi um grande aprendizado para mim, pois tinha que escrever regularmente, trabalhando sem referências. 


A qualidade dos roteiros foi muito irregular, sendo que já conheci gente que gostava e outros que se referem à mim como um retardado depois do que leram, pra dizer o mínimo. A verdade é que foi uma experiência ótima, visto que na época em que trabalhei nas HQs sobre heróis de tokusatsu na Ed. Abril e EBAL, não havia continuidade, somente histórias soltas.

Com SF, foram minisséries, arcos de duas, três histórias, aventuras fechadas, HQs curtas... 
Faria quase tudo muito diferente hoje em dia, mas não me arrependo do que saiu, pois aprendi muito (incluindo o que não fazer) e ganhei um valor que, se não era ótimo, reforçava meu orçamento mensal. 


Dessa época tem uma HQ específica que me deixou bem contente quando a escrevi. Tendo pouco mais que breves descrições de personagem, criei um enredo dramático cujo início era uma citação e homenagem a um animê clássico chamado O Judoka (Tatsunoko Pro, 1969). Nele, um jovem lutador percorria o mundo atrás de um misterioso caolho que havia assassinado seu pai. Mesmo ligeiro, o desenvolvimento da trama revela uma tentativa de dar alguma profundidade aos personagens e questionar um elemento comum à tantas séries japonesas, o de duelos mortais motivados pela necessidade de se aperfeiçoar ou provar superioridade técnica. 


Por conta de prazos apertados e excesso de trabalho, o desenhista regular Arthur Garcia precisou passar a maior parte da edição para outra veterana, a Neide Harue, de estilo bem diferente. Ainda assim, há certa unidade narrativa, pois eu passava todos os roteiros esboçados, com diagramação e planejamento de cena. Gostei da abordagem ingênua e é por isso que resolvi resgatar esse antigo trabalho e disponibilizar aqui. 


7 comentários:

Diego Hatake disse...

Ler essas comics de Street Fighter é algo muito legal... Na época que foram lançados, apesar de ser fã, era difícil de achá-las nas bancas de Manaus. Creio que a distribuição na época era um tanto irregular. Mas enfim, hoje posso matar a curiosidade graças a posts desse tipo e downloads. Enfim, parabéns por esse resgate. =)

Bia Chun-li disse...

Eu e um amigo meu uma vez comentamos sobre essa história.

Pelo tom mais sério dado ao personagem Dan, seria um paralelo com primeira aparição do personagem na série, onde ele aparentava ser mais sério e não o pateta que conhecemos hoje. Essa nossa opinião é verdadeira ou é apenas uma "viagem" que tivemos?? xD

Mesmo eu não curtindo muito alguns dos seus roteiros, como fã da série e de quadrinhos, vejo a importância dessas hq's, que fizeram a alegria de muitos, assim como eu. É uma pena que a história do Akuma não foi finalizada... =/

Alexandre Nagado disse...

Diego, valeu pelo apoio. Olha, o SF é da época anterior à distribuição setorizada, onde tiragens pequenas são distribuídas primeiro em grandes centros (SP e RJ) e o que sobra vai pra outras praças. A distribuição era da DINAP, mas soube de reclamações de que era muito irregular mesmo, infelizmente.

Bia, sabe que eu nunca tinha sequer visto o Dan Hibiki no jogo quando fiz o roteiro? A Romstar (representante da Capcom no Brasil, na época) havia mandado cards que seriam lançados aqui. Foi lá que eu tive breve contato com a historia do personagem. Eu praticamente só sabia que o pai dele tinha sido morto pelo Sagat num duelo.

Felizmente, a Romstar nos dava liberdade criativa. Na fase final da revista os roteiros passaram a ser revisados, mas nunca tivemos que mexer uma única vírgula. A relação era bem profissional. E a Escala pagava um pouco abaixo do que pagava a Abril, mas era um preço de mercado competitivo. Outros tempos.

Abraços!!

Guilherme disse...

Gostava da revista também, Nagado, tive até o meu nome publicado numa delas :) seus roteiros não eram ruins não, vc apenas tinha uma "pegada" mais ingênua, comparado aOs outros escritores (Cassaro e Rodrigo Goês). Essa história do Dan e do Sagat eu gostei tb, e lembro que gostei bastante das historias que vc fez com a Chun Li e a Cammy.

Aproveito o ensejo para perguntar: e a parte final daquela História do Akuma? Chegou a ser produzida? E a história solo que vc teria produzido sobre a Sakura, vc ainda a tem? Abraços e sucessos.

Alexandre Nagado disse...

Guilherme, essa edição final deu o que falar. Já sabíamos que a série iria terminar e quisemos fechar com chave de ouro. Mas a editora perdeu os originais, que tiveram que ser redesenhados (lembre, isso foi a 15 anos atrás), sendo pagos em dobro por isso. Quando ficou pronto, o contrato já havia vencido. Para a editora, não interessava renovar por mais um ano e ficou por isso mesmo. Hoje em dia, talvez fosse possível negociar um contrato para uma única edição, para não frustrar os leitores.

Eu não tenho nem lembrança da história que fiz, somente que era uma aventura de humor com Cammy, Chun Li e Sakura. O final apoteótico da luta de Akuma também se perdeu, mas ficaram cópias do trabalho a lápis.

Uma pena, mas essa edição ficou destinada a ser uma lacuna em nossas carreiras. Mas gostaria de um dia resgatar esse material e mostrar aqui.

Abraço!

Carlos Dalben disse...

Uma pena mesmo não ter sido dado um final a historia do Akuma... Foi uma das historias que eu estava mais curtindo. Passei uns quatro anos depois, tentando descobrir se tinha saído ou não a ultima parte (na epoca não tinha internet do jeito que é hoje..uhauha)...

Quem sabe acontece de reviverem isso, um dia.

Anônimo disse...

FERNANDO

deu saudades agora ao rever esse gibi e eu tenho essa história aí e verdade... todo mundo me zuava pq eu comprava esse gibi enquanto todo mundo comprava (como eu tbm comprava o gibi dos fatalitys e finiships) o gibi do mortal kombat que era feito nos eua se ñ me engano mas eu ñ estav nem aí e comprava mesmo os gibis de s.f. e tenho eles guardados a 7 chaves até os dias de hj 9e o dos mortal kombat tbm)
e caramba... vendeu 10 mil e foi considerado um vendagem baixa????
afffffffffffffffffff
ñ sei qual era a perspectiva da empresa, mas acho bastante 10 mil gibis vendidos e gibis feitos em nosso pais (o unico que vendeu muito mais do que isso ao longo dos anos foi o mestre mauricio de souza e mais ngm até aonde eu sei é claro)
e nesse momento deu vontade de gitar "volta street fighters!!!!
"volta!!!!!!!!"
rsrsrsrsr
saudades da decada de 1990