quarta-feira, 29 de junho de 2011

AÇÃO MAGAZINE: EXPECTATIVAS PARA O LANÇAMENTO

Ação Magazine: Novo mangá nacional
irá invadir as bancas
Em entrevistas e artigos, tenho criticado muito os rumos que o mercado de quadrinhos no Brasil tomou. De um lado, poucas oportunidades para ganhos dignos e regulares que permitam ao artista viver profissionalmente de sua arte. Do outro, muito espaço para publicações alternativas, virtuais, independentes ou álbuns bancados por projetos de governo ou com tiragens modestas que vão render prêmios e badalação, mas pouca grana para quem tanto se dedicou a um trabalho de luxo para livrarias. Não faço parte dos que só reclamam, visto que eu vivo de produzir quadrinhos. Institucionais, para comunicação empresarial, mas ainda assim, quadrinhos. E já tive uma boa cota de trabalhos publicados em bancas e também um álbum. 


Sempre aponto que o grande diferencial para termos ou não um mercado de trabalho remunerado (não mercado de publicações, não custa repetir sempre) consistente é a escassez de títulos nacionais nas bancas, fora do universo da Turma da Mônica. Que, não custa lembrar também, é a linha de gibis que mais vende no Brasil e é totalmente nacional. O diferencial, pra mim, está na venda em bancas. 


Por isso fiquei particularmente feliz ao saber da empreitada liderada pelo jornalista e quadrinhista Alex Lancaster, do blog Maximum Cosmo. Ele reuniu um grupo bastante talentoso, montou editora, buscou apoios e parcerias e tem feito bastante burburinho na internet pra divulgar seu projeto, a antologia de mangá nacional Ação Magazine. Agora, no Festival do Japão, que acontece em São Paulo (capital) de 15 a 17 de julho próximos, a revista terá um stand e um pré-lançamento. Depois, em data a ser anunciada, a revista vai começar a ser vendida em bancas. A aposta é grande, e a missão, maior ainda: conquistar espaço em bancas, divertir os leitores e tentar fazer da revista uma fonte de renda para seus autores. 


Vendo de fora, não como um articulista que lida com HQ e cultura pop japonesa, mas como um colega de ofício, desejo toda a boa sorte do mundo ao projeto Ação Magazine. Poderão aparecer problemas de aceitação, enfrentarão a competição em banca com mangás japoneses, surgirão críticos ferrenhos, os que nada fazem e só gostam de falar mal e torcer contra, mais os problemas concretos de distribuição e toda sorte de desafios para os quais, tenho certeza, eles estão preparados para encarar. Que o projeto seja comercialmente bem sucedido, pois artisticamente eu vejo a qualidade do que estão mostrando. E que apareçam mais projetos assim. 


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Confira no link abaixo uma entrevista exclusiva do site JWave com o Fabio Satoshi Sakuda, assessor editorial e um dos quadrinhistas da equipe e saiba mais sobre a Ação Magazine. 


JWave entrevista Fabio Sakuda, da Ação Magazine (com várias imagens de preview)

Site oficial - Ação Magazine

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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Ultraman x Kamen Rider: O encontro das lendas

As duas maiores franquias de super-heróis de tokusasu do Japão, Ultraman e Kamen Rider, pertencem a companhias rivais. Os Ultras são da Tsuburaya Pro, enquanto os Riders são da poderosa Toei Company (que também detém a terceira grande franquia, a Super Sentai). Com 45 e 40 anos de criação, respectivamente, eles competem na mesma faixa: produções infanto-juvenis de tokusatsu com forte público adulto e saudosista. A Tsuburaya se preocupa mais em preservar as origens e a Toei praticamente usa a marca Kamen Rider somente como gancho de marketing para vários super-heróis diferentes, visto que depois da morte de Shotaro Ishinomori (o criador dos originais, falecido em 1998), lançaram produções com visuais ou conceitos bastante diferentes. Cada qual, a seu modo, busca se destacar num mercado cada vez mais especializado, com a Tsuburaya tendo superioridade técnica e a Toei sendo mais bem-sucedida comercialmente, na maioria das vezes.
Ultraman e Kamen Rider: O encontro dos
maiores super-heróis do Japão.

Em 1993, nenhuma das franquias estava em uma grande fase. A última realização da Tsuburaya com um herói havia sido Ultraman Great (1990), co-produção com a Austrália feita direto para vídeo, fora mini-novelas contando os bastidores de Ultraman e Ultraseven e um longa com Ultra Q anos antes. E estava em fase de produção Ultraman Powered, co-produção com um estúdio americano que, como Great, também não emplacou. Já a Toei havia deixado os Kamen Riders fora da TV desde 1989, quando terminou Kamen Rider Black RX. Em 1992, havia tido pouco sucesso com o projeto para adultos Shin Kamen Rider, um longa para vídeo, fora uma animação de média-metragem com uma versão SD (Super Deformed) com toda a linhagem até RX. Em 93, a Toei lançou Kamen Rider ZO, um especial de 48 minutos para cinema. Apesar da superprodução em efeitos especiais e brilhante direção de Keita Amemiya, parece ter sido algo feito somente para manter a franquia em evidência e promover o Hero Festival, com aventuras para cinema das séries em exibição na época, Janperson e Dairanger

Apesar das jogadas de marketing, ambas as franquias atravessavam momentos de baixa naquela época, o que deve ter contribuído para facilitar a união de forças.

Em 1993, foi lançado o primeiro e até hoje único projeto conjunto reunindo os mais famosos e icônicos super-heróis do país. Ultraman vs Kamen Rider foi uma série de três vídeos (era a época do VHS), sendo que os dois primeiros apresentavam cada um dos heróis. O terceiro e principal reunia momentos marcantes, curiosidades, clipes de todas os heróis existentes, e entrevistas com Koji Moritsugu (Dan Moroboshi/ Ultraseven), Hiroshi Miyauchi (Shiro Kazami/ Kamen Rider V3) e um papo histórico entre o mangaká Shotaro Ishinomori e o produtor Noboru Tsuburaya, filho de Eiji Tsuburaya, o idealizador das primeiras séries Ultra. 

No final, um curta mostrava o primeiro Kamen Rider e o primeiro Ultraman juntos combatendo uma ameaça em comum. A direção e os efeitos são muito bons, fazendo lamentar que aquilo fosse só uma sequência de 10 minutos para encerrar o documentário. 



- As lendas se encontram. Pena que foi muito rápido.

O especial, que repercutiu bastante entre os fãs, permanecia sem lançamento em DVD, pois as empresas aparentemente não se interessavam ou não chegavam a um acordo sobre como seria a versão digital.

Susumu Kurobe e Hiroshi Fujioka: Os atores
veteranos em um encontro histórico.
Em 1996, a estreia de Ultraman Tiga fez a Tsuburaya renascer e voltar ao topo de popularidade. Em 2000 foi a vez da Toei ressuscitar a franquia dos motoqueiros ciborgues com Kamen Rider Kuuga, que estabeleceu os Kamen Riders na TV ininterruptamente até hoje.

Nos cinemas, os Riders têm liderado as bilheterias, deixando os Ultras para trás, apesar da superioridade técnica da Tsuburaya. Entretanto, o grande sucesso na China do longa de 2009, Ultra Galaxy (visto por mais de 14 milhões de pessoas em maio deste ano), voltou a encher os cofres da companhia e novidades devem ser anunciadas em breve. 


A série Ultraman Retsuden (“Biografias”), que estreia em 6 de julho – com várias cenas de arquivo e outras inéditas – é apenas o aperitivo. Em novembro e dezembro, dois novos especiais para DVD/Blu-Ray irão mostrar Ultraman Zero enfrentando Killer The Beatstar, vilão da antiga série Jumborg Ace. Lembrando que esse Jumborg foi a base para o robô Janbot, visto em Ultraman Zero - The Movie, no final de 2010. Os especiais deverão anteceder um novo filme para cinema, ainda a ser anunciado.

A Toei está com a série Kamen Rider OOO quase entrando na fase final e já foi anunciado seu sucessor, o Kamen Rider Fourze, que irá estrear na TV em 4 de setembro. Antes, eles devem se encontrar no especial de cinema de OOO, a ser exibido em 6 de agosto junto com o especial de Gokaiger, a série Super Sentai de 2011.

Com as duas franquias vivendo um bom momento, as empresas chegaram a um acordo para o lançamento em mídia digital. E um extra aguardado pelos fãs foi anunciado: um bate-papo atual entre os atores Susumu Kurobe (Hayata/ Ultraman) e Hiroshi Fujioka (Takeshi Hongo/ Kamen Rider). Espera-se que mais extras (ou um novo especial) sejam anunciados, afinal as duas marcas cresceram consideravelmente e as novas gerações certamente vão querer ver algo mostrando Ultras como Gaia, Cosmos, Möebius e Zero ou Riders como Ryuki, Den-O, Decade e Kabuto.

Ultraman vs Kamen Rider - a edição definitiva, sai no Japão em DVD e Blu-Ray no dia 26 de outubro de 2011.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Sinfonia estelar - A trilha sonora do Yamato

Yamato - Clássico também
das trilha sonoras
A saga espacial Uchuu Senkan Yamato (ou "Encouraçado Espacial Yamato"), conhecida no Brasil como Patrulha Estelar, é a obra mais famosa do autor de mangás e diretor Leiji Matsumoto e do falecido produtor Yoshinobu Nishizaki. Drama, romance, cenários deslumbrantes, design criativo, ação e personagens carismáticos em uma longa saga interplanetária. E grande foi a contribuição do compositor de trilhas sonoras Hiroshi Miyagawa, que também produziu canções famosas da dupla pop The Peanuts. Tendo trabalhado em todas as séries e longa-metragens do Yamato, Miyagawa criou grandes obras musicais que valorizaram ainda mais esse marco da animação japonesa. 

O Yamato promoveu, na década de 1970, o "anime boom", o primeiro grande fenômeno de popularidade em torno de um animê e atraiu a atenção de universitários e do público feminino. Depois de recepção morna na TV, foi no cinema que o Yamato encontrou seu caminho. É justo dizer que Miyagawa teve peso nesse sucesso, pois no cinema, grandes tomadas de paisagens espaciais com suas músicas ao fundo capturaram a alma do público e tornaram as aventuras da Patrulha Estelar mais dramáticas, humanas e envolventes.

Hiroshi Miyagawa: Impossível pensar
no Yamato sem o seu trabalho.
Vista como uma bela obra de música erudita, a trilha do Yamato é referência na carreira de Hiroshi Miyagawa, um veterano maestro que não apenas compôs as faixas de BGM (background music ou “música de fundo”), mas também a maior parte das canções da série, dando unidade à obra. Seguindo a mesma essência do BGM, as melodias compostas ou arranjadas por ele captaram todo o espírito sentimental da obra de Matsumoto.

Além do tema de abertura cantado por Isao Sasaki ter se tornado uma das favoritas dos fãs de animês até hoje, a trilha instrumental também teve reconhecimento e logo foram sendo lançadas versões variadas, incluindo sinfonias e concertos para piano, além de versões eletrônicas e roqueiras.

Miyagawa faleceu em 2006, aos 75 anos, por problemas cardíacos, deixando uma obra realmente eterna, que sobrevive independente do animê para a qual foi criada.

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VÍDEOS ESPECIAIS
Aqui, dois momentos antológicos do trabalho de Miyagawa com o Yamato:

Primeiro, um medley da saga Yamato, com a Tokyo City Philharmonic, regida pelo próprio Miyagawa para um especial de TV. Depois da rápida performance, ele é homenageado pelos apresentadores e entra em cena seu filho Akira Miyagawa, que é um renomado pianista.



Agora, a fantástica cantora Kazuko Kawashima (da trilha original de Saint Seiya) e um dos mais belos e poéticos temas incidentais já compostos para uma trilha sonora. Sem exagero. 



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Os Beatles e a J-Music

É difícil contar a história da música pop e do rock em qualquer país sem mencionar a importância dos Beatles. A banda de maior sucesso em todos os tempos foi também a mais criativa, inovadora e influente. Além de ajudarem a definir a moda dos anos 1960 e a psicodelia na música, foram eles que criaram os conceitos de álbum original (até eles chegarem, os discos eram mais coletâneas de singles), vídeo clip (indo além de simples gravações promocionais com os músicos tocando) e toda uma indústria musical. No Japão, não foi diferente. Suas músicas faziam sucesso a ponto de uma obscura banda chamada Liverpool Five ter feito uma excursão pelo Japão em 1964, impressionando e inspirando muitos artistas com seu estilo beat, que era seguido pelos Beatles no início da carreira.
O single japonês de
"Paperback writer/ Rain",
lançado com título
em alfabeto local



A passagem dos Fab Four pela Terra do Sol Nascente foi em 1966, época em que eles ainda estavam no topo da popularidade mundial. Ficou decidido então que fariam um grande show na arena Nippon Budokan. Construído como arena para as competições de judô das Olimpíadas de Verão de 1964, o Budokan era famoso como o templo das artes marciais, sendo palco de grandes competições.

Houve grande polêmica na época, pois setores da mídia apontavam protestos de pessoas influentes contra o que foi chamado de um desrespeito a um local solene. Mas a época era propícia para inovações. Aquela década viu os mais jovens formarem um público consumidor crescente e que dominava cada vez mais as atenções da mídia. Os mangás ganhavam muita força com suas vendas de milhões de exemplares e, na TV, as séries de Astro Boy, Speed Racer, Ultraman, Ultraseven e outros personagens ajudavam a formar a cara da década de 1960. Na moda, minissaias e cores psicodélicas ganhavam as ruas. O Japão estava mudando. 

Foi num cenário assim, ávido por experimentações e também em rápido processo de ocidentalização, que os Beatles viram suas canções se tornarem populares como eram no resto do mundo. Isso num país onde a maioria esmagadora não entendia o que falavam as músicas, mas adorava de paixão o que ouvia. Os concertos no Budokan não só foram realizados com sucesso como hoje é sinônimo de prestígio e popularidade para qualquer artista se apresentar lá. Tocar e cantar no Budokan não é pra qualquer um.

Em termos musicais, eles encontraram um cenário propício para divulgar novos sons, com os jovens buscando variedade além das canções tradicionais japonesas, como o enka. A banda de rock instrumental The Ventures já era sucesso no país e fora uma grande influência para músicos e bandas locais. Com os Beatles, canções em inglês invadiram o mercado fonográfico com grande força.

The Spiders: Seguindo os passos
dos Beatles e Beach Boys
Já existia no Japão um cenário expressivo de rock e também de música pop, chamada de kayoukyoku (ou “canção popular”). O rock´n roll aparecia nas paradas de sucesso locais, com astros como Yuzo Kayama, que seguiam os passos de Elvis Presley, Cliff Richard, Carl Perkins e tantos outros nomes das décadas de 1950 e 60. A partir de 66, tudo passou a acontecer mais rápido.

Depois das históricas apresentações no Budokan, os Beatles influenciaram muitos jovens músicos da época a montarem suas próprias bandas. Nomes como The Spiders, The Jaguars, The Mops e outros faziam um genuíno rock japonês. Os Monkees, Rolling Stones e principalmente os Beach Boys também fizeram escola no Japão, mas a turnê dos Beatles foi um grande marco para a crescente indústria da música jovem da Terra do Sol Nascente, hoje chamada genericamente de J-Music. 

Na verdade, até meados da década de 1990, os Beatles e o Britpop (a música pop britânica) eram as maiores influências no J-Pop, com ênfase nas melodias e arranjos. A invasão de Tetsuya Komuro e suas pop idols fincou a música eletrônica e o pop estadunidense como novos pilares do J-pop, termo surgido na década de 90. Daquele tempo pra cá, o J-Pop incorporou muito do rap americano e também da sua estrutura de divas pop e prossegue misturando ao seu modo sons e estilos ocidentais.

O showbiz nipônico se especializou como uma fábrica de astros efêmeros cuja imagem é explorada ao máximo com forte amparo publicitário, uma prática que na verdade vem desde a década de 1980. Mas, para muitos artistas novos e veteranos que buscam boa música acima de tudo, os Beatles e vários de seus contemporâneos ainda são uma grande inspiração. 

MÚSICAS SELECIONADAS


"No No Boy" - The Spiders

- Conheça "No no boy" (The Spiders), uma canção original japonesa com influências da música pop ocidental, em plena década de 1960. 

"Twist and Shout" - Multimax


- Fã confesso dos Beatles, CHAGE (da dupla Chage and Aska) manteve durante anos um projeto paralelo mais alternativo chamado Multimax, com a cantora Hiromi Asai e o guitarrista Keisuke Murakami. Aqui, o trio faz uma versão de "Twist and Shout" inspirados na versão dos Beatles (visto que a original é da esquecida banda The Topnotes). Note a camiseta dos Rolling Stones que Chage usa, além dos óculos estilo John Lennon. O show é de 1994.

E mais:

- Confira agora uma postagem antiga, com uma versão de "In My Life" pelo grupo Rin´. Imperdível!

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quarta-feira, 15 de junho de 2011

Sucessores ilegítimos do mundo dos super-heróis japoneses

No Brasil, Spielvan foi lançado
como "Jaspion 2 - Spielvan".
Logo no início da década de 1990, na esteira do estrondoso sucesso de Jaspion e Changeman na TV Manchete, houve uma invasão de seriados tokusatsu nos canais de TV e nas locadoras de vídeo. A febre comercial originou alguns exageros e decisões controversas, como os casos que relato a seguir:

JASPION 2 – A MISSÃO (DE FATURAR MAIS

No Brasil, a série do Guerreiro Dimensional Spielvan (Jikuu Senshi Supiruban, 1986) recebeu o título de Jaspion 2 - Spielvan. Fora o visual semelhante, não havia relação alguma entre as séries e o recurso foi puramente uma estratégia de marketing, já que Jaspion havia sido o herói mais popular jamais visto até então na TV brasileira. 

O título somente era usado nos materiais de merchandising, já que na série era usado o nome verdadeiro do herói. Mas nem de longe o sucesso se repetiu, pois o público logo percebeu que era outro herói, sem relação alguma com o Jaspion. Spielvan teve o nome inspirado no diretor Steven Spielberg. É que a grafia mais correta do nome seria Spielban, e não Spielvan. Já sua companheira de luta era uma homenagem mais óbvia: Lady Diana, a famosa princesa britânica que, na época da série, estava bem viva e casada com o Príncipe Charles.

Bioman: Referência de Super Sentai
na França, ganhou "herdeiros" por lá. 
CONTINUAÇÕES QUE NÃO ERAM 

O recurso de vender uma produção como continuação de outra faz muito fã torcer o nariz, mas isso já foi feito muitas vezes. O seriado Policial do Espaço Gavan, de 1982, foi sucesso na França com o nome de X-Or (leia “Ekzor”). Seu sucessor, Sharivan, acabou sendo lançado na terra de Napoleão com o título de X-Or II. Pelo menos neste caso, os heróis eram realmente relacionados, havendo inclusive crossover entre as séries. 

Ainda na França, o sucesso da equipe Bioman (de 1984) acabou influenciando o lançamento de Bioman II, na verdade um nome usado apenas lá para a série Maskman (1987) e Bioman III, a denominação na França para outro Super Sentai, o Liveman (1988).

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Estes dois tópicos foram extraídos do livro digital “Cultura Pop Japonesa – Histórias e Curiosidades”, de Alexandre Nagado, Michel Matsuda e Rodrigo de Goes. 



terça-feira, 14 de junho de 2011

PIADA DE MÉDICO

A tira acima foi uma das primeiras que eu fiz, há uns cinco anos atrás. Apesar de lidar com HQ há tempos, eu não fazia tiras. Um dia, resolvi me arriscar pelo terreno do humor e comecei brincando com um texto do sempre excelente Max Gehringer. O tema era o uso desnecessário de jargões e serviu para praticar a arte de contar algo ou dar um recado em poucos quadrinhos.

Mandei a tira para o Max (que também é cartunista), e ele gentilmente respondeu e apoiou o trabalho. A tira eu postei faz tempo no meu site pessoal, mas como o blog atual tem muito mais visibilidade, estou repetindo aqui, pois muita gente não viu quando criei. Depois, acabei fazendo tiras para projetos institucionais e de vez em quando faço algo mais pessoal. Tenho enorme respeito pelo pessoal com pique para tiras diárias ou mesmo semanais. Um dia, quem sabe, eu chego lá. 


segunda-feira, 13 de junho de 2011

MANGÁS INVADEM GIBITECA DE FORTALEZA (CE)

Os leitores do Sushi POP sabem que este não é bem um blog de notícias e não costumo fazer divulgação de eventos. Mas há alguns que merecem entrar com louvor aqui. É o caso da atividade Invasão Mangá, que vai acontecer na Gibiteca Municipal de Fortaleza (CE).

Conheci a bela cidade em 2009, ocasião em que fui um dos convidados do evento SANA 2009. Me surpreendeu a enorme quantidade de fãs de produções japonesas e fiquei muito feliz com a boa recepção que tive lá. O colega de traço JJ Marreiro será o mediador de uma mesa redonda que terá, entre outros convidados, a Clarice Barroso, que participou junto comigo do intercâmbio que fiz no Japão em 2008. Abaixo, veja as informações com mais detalhes. E se você mora em Fortaleza ou região, gosta de HQ e mangá e quer ver gente que entende do assunto, participe!

Quadrinho Japonês na Gibiteca de Fortaleza (Press release)

Os Mangás são hoje um importante elemento na formação de jovens leitores, assumindo múltiplos formatos editoriais e atingindo públicos de diversas idades, o quadrinhos japoneses tornaram-se febre no mundo todo e passaram a influenciar o cinema, a TV, os games e o design. Mas o que há de tão diferente no quadrinho japonês? O que faz dele um dos mais importantes produtos editoriais do mundo hoje? As respostas não são fáceis, mas certamente sua investigação é no mínimo envolvente. E foi pensando nisso que o Fórum de Quadrinhos do Ceará e a Gibiteca de Fortaleza abriram espaço para a Invasão Mangá que ocorrerá no sábado 15h na Biblioteca Dolor Barreira, sede da Gibiteca Municipal.

A mesa redonda será composta por Clarice Li Chan (TV SANA), Marcela Bezerra (Alô SANA) e Blenda Furtado (Professora de Desenho e Mangá do Estúdio Daniel Brandão). A mediação do bate-papo será feita pelo cartunista JJ Marreiro (pioneiro no ensino da técnica do desenho de mangá no estado do Ceará). Haverá participação do público com espaço para perguntas e questionamentos além do sorteio de diversas revistas.

O encontro é uma realização do Fórum de Quadrinhos do Ceará, que recentemente assumiu em regime de Gestão Compartilhada, a administração da Gibiteca de Fortaleza com a Direção da Biblioteca Dolor Barreira e a Coordenação de Literatura do Município.

INVASÃO MANGÁ
Quando: 18 de junho (sábado), à
s 15h00
Onde: Gibiteca de Fortaleza. Anexo da Biblioteca Dolor Barreira
Endereço: Av. da Universidade, 2572 - Fortaleza/ CE

quinta-feira, 9 de junho de 2011

HOMENAGEM AOS SUPER-HERÓIS DE SHOTARO ISHINOMORI



Um dos mais reverenciados mestres da história do mangá, Shotaro Ishinomori
enveredou-se por diversos gêneros, criando personagens para crianças, jovens e adultos. Produziu dramas densos, histórias de época, comédias escrachadas e super-heróis angustiados. E misturava tudo isso em trabalhos que marcaram muitas gerações de fãs. Falecido em 1998 aos 60 anos, deixou uma grande lacuna na indústria do mangá. 


Criativo e incansável, ainda conseguiu ter seu nome gravado na história do tokusatsu. É dele a criação de Kamen Rider, que comemora 40 anos neste ano e também da franquia Super Sentai, que se iniciou com sua criação Goranger e já comemora 35 séries produzidas. Sobre isso, vale lembrar que somente as duas primeiras (Goranger e JAKQ) foram criadas por ele e a Toei Company levou décadas para reconhecer Goranger como o início da franquia Super Sentai. Vários de seus mangás viraram séries tokusatsu e muitas foram criadas diretamente para esse formato, sendo adaptadas para mangá por outros autores. 


O vídeo que ilustra esta postagem mostra trechos da época de ouro das criações de Ishinomori, especialmente da década de 1970, incluindo Goranger, Kamen Rider, Kikaider, Inazuman e vários outros. Todos foram produzidos pela Toei Company. 


Apesar de aparecerem poucos personagens conhecidos no Brasil (como o Machine Man e o Black Kamen Rider), é interessante ver a atmosfera das produções, a escassez de recursos técnicos sendo compensada com cortes rápidos e movimentos de câmera repetidos até hoje. Os visuais eram extravagantes e havia muita experimentação, com humor, drama e violência ainda em busca do tom certo para a audiência. Os resultados eram quase sempre muito divertidos e empolgavam as pessoas. Foi uma época de exagero e criatividade, em que séries tokusatsu eram produzidas em grande quantidade e Ishinomori era o grande nome da área, como se não bastasse ser, também naquela época, um nome lendário dos quadrinhos japoneses. 


A música tema é Super Hero Sakusen (ou "Operação Super-Heróis") cantada com muita garra por Ichirou Mizuki e Mitsuko Horie, dois dos maiores cantores de animesongs em atividade. 

(Agradecimentos ao colega Léo Mattos (@LeCus), que indicou este vídeo pelo Twitter.)


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terça-feira, 7 de junho de 2011

NOVO LIVRO TEÓRICO: MANGÁ TROPICAL - UM ESTUDO DE CASO

Em 2003, a Editora Via Lettera lançou o álbum Mangá Tropical, um projeto pessoal onde reuni diversos autores de HQ com influências de mangá para uma coletânea de pequenas histórias. Participaram o Arthur Garcia, Silvio Spotti, Erica Awano, Marcelo Cassaro, Daniel HDR, Denise Akemi, Rodrigo de Goes, Elza Keiko, EdH Müller, Fabio Yabu, Alexandre Silva e Salvatore Aiala. Muitos perguntaram se foi difícil reunir esse grupo, repleto de gente renomada. Na verdade, essa foi a parte mais fácil do trabalho.

Além da coordenação, também criei uma HQ autoral,
 Dani – Pequenos Gestos, um de meus trabalhos favoritos (veja na postagem anterior). A repercussão foi boa na época, dentro do que se espera de um trabalho desse tipo. Agora, o Mangá Tropical volta a ser assunto, pois foi o tema de um trabalho acadêmico do brasiliense Patrick Raimundo de Moraes transformado em livro pela Editora Otimismo.

Mangá Tropical – Um Estudo de Caso faz um retrospecto sobre a história do mangá e sua presença no Brasil. Identifica características na estrutura das histórias e analisa vários aspectos do trabalho.


Fiquei bastante surpreso pelo interesse do Patrick em dissecar essa obra e mais ainda quando ele me convidou para desenhar a capa. Imaginei um personagem desenhado com traços de mangá e usando uma camiseta alusiva ao Japão e ao Brasil, usando as mãos como se estivesse analisando algo com um enquadramento, um foco específico ou perspectiva. Ao fundo, imagens de alguns mangás brasileiros. Acho que funcionou. (Desafio: Você consegue identificar todos os trabalhos que serviram como imagem de fundo? Poste nos comentários o que você souber.)


Toda a renda da primeira tiragem do livro será revertida para a Cruz Vermelha Brasileira, mediante contrato firmado entre o autor e a entidade.


O trabalho já está disponível no site da editora.

Para quem se interessar pelo Mangá Tropical, ainda restam exemplares à venda no site da Via Lettera aqui


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HQ ON-LINE: DANI - PEQUENOS GESTOS

Eis aqui um trabalho antigo que saiu no álbum Mangá Tropical, de 2003. Dani - Pequenos Gestos é um de meus trabalhos favoritos e já havia colocado disponível gratuitamente no meu site. Agora dá pra ler on-line aqui no blog, graças à plataforma Bookess.



Clicando no logo do canto inferior direito, dá pra ampliar para tela cheia.

Há também outro motivo para eu resgatar esse antigo trabalho. A coletânea da qual essa história fez parte foi tema de um livro recém-lançado. Maiores detalhes sobre isso na próxima postagem. 



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sexta-feira, 3 de junho de 2011

O QUE É O MERCADO DE QUADRINHOS NACIONAIS

O contundente desabafo do cartunista Marcio Baraldi
por ocasião do encerramento de atividades do site Bigorna repercutiu bastante entre leitores, profissionais e pessoas ligadas aos quadrinhos no Brasil. O portal de cultura pop Ambrosia tomou o texto como ponto de partida e convidou diversos profissionais a darem seu depoimento sobre a questão, com suas percepções sobre esse mercado de HQs nacionais.


Eu também fui convidado a escrever sobre o tema e acabei fazendo um artigo bastante didático para diferenciar as percepções de mercado. Lá eu explico o motivo pelo qual alguns dizem enfaticamente que o mercado está ruim e outros defendem com unhas e dentes que está ótimo. Leia e participe do debate:


O Que é o Mercado de Quadrinhos Nacionais 


O Ambrosia permite comentários de leitores, o que vai enriquecer o debate. Se quiser, você pode copiar seus comentários aqui, mas eu irei checar a postagem lá, ao menos nos primeiros dias, para eventualmente trocar ideias com leitores. O tema tem rendido discussões acaloradas. 

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Super Sentai - A batalha dos 199 heróis: Um filme-evento


Este é um ano de comemorações para o mundo do tokusatsu, os filmes e seriados de monstros e super-heróis repletos de efeitos especiais. Além dos 45 anos de Ultraman (da Tsuburaya Pro) e dos 40 anos de Kamen Rider (Toei Company e Ishimori Pro), foi anunciado pela Toei  que este ano também é festivo para sua outra grande franquia de super-heróis: a linha Super Sentai. É um pouco forçado, visto que estão comemorando a marca de 35 seriados, e não 35 anos de criação ou estreia como muita gente ligada à área ainda pensa e divulga. Não importa a exatidão, pois como neste ano a Toei Company comemora 60 anos de atividades, deram um jeito de embalar também seus heróis de colante colorido.

Sendo assim, lançaram a série Kaizoku Sentai (Esquadrão Pirata) Gokaiger, com um grupo de piratas espaciais que consegue emular visual e poderes de qualquer integrante das equipes anteriores. Um parênteses: chega a ser irônico que eles “pirateiem” outros super-heróis, visto que a pirataria industrial ameaça os investimentos em novos produtos.

Mas o grande destaque tem sido a aventura cinematográfica dos heróis, que já é enorme no título: Gokaiger – Goseiger – Super Sentai: 199 Hero Dai Kessen (A Batalha dos 199 Heróis). A película promete um grande quebra reunindo os tais 199 heróis contra um número ainda maior de inimigos. Trechos rápidos de um confronto envolvendo todos os esquadrões contra os invasores do Império Zangyak foi mostrado no primeiro episódio de Gokaiger. Na ocasião, os heróis desaparecem após reunirem suas energias para repelir uma grande frota de naves e agora será revelado o que aconteceu antes e depois daquele momento. Aliado a Zangyak, ressurge o Black Cross Gundan – Exército da Cruz Negra, que enfrentou Goranger em 1975.
A tela de cinema vai ficar
pequena para tantos heróis
Para esse filme a Toei seguiu um caminho parecido com a Tsuburaya e seus Ultras, ao escalar atores antigos – alguns já na terceira idade – para reprisarem suas atuações, não apenas dublando heróis transformados. Isso acaba sendo interessante, pois a franquia Super Sentai experimentou muitas quedas de audiência ao longo das décadas e é do tipo de programa que mais sente os efeitos da diminuição da população infantil do Japão, já que a nação está envelhecendo e os casais que optam por ter filhos costumam ter apenas um. 

Os Ultras possuem uma sólida base de fãs mais velhos e nostálgicos. Isso também ocorre com os Kamen Riders, que têm a vantagem de serem muito mais populares entre jovens e adolescentes que seus concorrentes. Já as produções Super Sentai sempre focaram em público estritamente infantil e que se renova muito rápido. Esse novo filme, bem como a série semanal de Gokaiger, apresenta um resgate do passado – personagens e atores – para atrair o público mais velho e com isso melhorar a audiência e venda de produtos relacionados. A lista de convidados especiais é extensa e visa agradar diferentes gerações de fãs.

Akaranger, Big One, Denzi Blue,
Goggle Black, Dynapink, Red One,
Red Turbo, Ryuranger e Dekapink
irão voltar à ação.
VETERANOS EM AÇÃO
O veterano ator Naoya Makoto, que viveu Akaranger, o líder do primeiro Esquadrão, o Goranger (1975), volta a interpretar o icônico personagem, que é desconhecido no Brasil fora do meio dos fãs. Rosto mais conhecido no Brasil é o de Kenji Ohba, famoso por interpretar o primeiro herói da linhagem Metal Hero, o Policial do Espaço Gyaban (de 1982). Ele irá aparecer retomando um de seus primeiros papéis de destaque na TV, o de Denzi Blue, de Denziman (1980). Lembrando que ele também foi o herói laranja Battle Kenya, de Battle Fever J (1979). Com fãs no mundo todo, participou ainda de Kill Bill Vol. 1, dirigido por Quentin Tarantino

Hiroshi Miyauchi irá reprisar seu papel como Big One, o líder branco da segunda equipe do gênero, JAKQ (de 1977). E é possível que também faça o papel de Aoranger, de Goranger. Miyauchi, que recentemente foi ouvido dublando outro de seus personagens famosos, o Kamen Rider V3 no filme Let´s Go Kamen Riders agora vai aparecer mesmo, se transformando em herói. Ator representativo do tokusatsu, Miyauchi só foi visto oficialmente no Brasil por seu trabalho como o Chefe Masaki em Winspector (1990) e Solbrain (91). No Japão, a lista de suas atuações é enorme e respeitável, incluindo outro papel fixo em Super Sentai, o do Comandante Miura, em Ohranger (1995). Miyauchi já havia voltado a interpretar Soukichi Banba, o Big One, no especial Gaoranger versus Super Sentai, de 2001.

Caso de ator e personagem conhecidos no Brasil é o de Junichi Haruta, famoso aqui por ter interpretado MacGaren, o rival de Jaspion em 1985 e que voltará a se transformar em um herói de Super Sentai, pelo qual é mais famoso em seu país. Haruta foi o Goggle Black de Goggle V (1982), seriado aqui visto na TV Bandeirantes (e depois na Record) durante a invasão de seriados tokusatsu do começo dos anos 90. Como Haruta também foi Dyna Black em Dynaman (1982), não será surpresa se ele não fizer também uma ponta dublando seu outro personagem de Super Sentai. Mas representando Dynaman estará a atriz Sayoko Hagiwara como Dyna Pink, seu papel mais famoso. No Brasil, os fãs se lembram dela como a diabólica Nefer, vilã de Flashman (1986). No Japão, também é famosa por ter vivido a identidade humana de Yullian, heroina da série Ultraman 80 (1980). Ela anda revivendo seu passado no tokusatsu, pois no final do ano passado, fez uma ponta dublando Yullian no longa Ultraman Zero The Movie. Ryosuke Sakamoto (Red One em Bioman, 1984), Kenta Sato (Red Turbo em Turboranger, 1989), Keiichi Wada (Ryuranger em Dairanger, 1993) e Mika Kikuchi (Deka Pink em Dekaranger, 2004) - entre outros que ainda podem ser anunciados - também irão retornar para esse verdadeiro filme-evento.
Parece um catálogo de brinquedos, mas é a
reunião de robôs gigantes no filme dos 199 heróis.
CONCLUSÕES

Certamente há um excesso de personagens, ainda mais se lembrarmos que os astros principais do filme são os membros de Gokaiger e os da equipe antecessora, Goseiger. As participações de veteranos devem ser rápidas (talvez nem apareçam se transformando), com exceção talvez do líder de Goranger. E não somente os integrantes dos grupos irão aparecer, mas um exército de robôs gigantes (ao menos um por grupo) irá se reunir contra a ameaça combinada do Império Zangyak e a Black Cross, mais vários inimigos ressuscitados. O clímax já anunciado irá mostrar o castelo da Black Cross revelando ser o grande Black Cross King.

No fim, é tudo um grande “fan service”, que considera todas as equipes como parte de um mesmo universo e desconsidera fatos como a morte de alguns heróis que aconteceram em suas séries, especificamente Black Condor (de Jetman, 1991) e Dragon Ranger (de Zyuranger, 1992), que aparecem vivos e bem. Enfim, cronologia nunca foi o forte de seriados japoneses. O que vale, aqui, é a diversão. E é por causa dela que esse filme está sendo muito aguardado.

Gokaiger – Goseiger – Super Sentai: A Batalha dos 199 Heróis tem roteiro de Naruhisa Arakawa, direção de Noboru Takemoto e irá estrear no Japão no próximo dia 11 de junho.