segunda-feira, 29 de novembro de 2010

SEJA VOCÊ TAMBÉM UM HERÓI ULTRA

Nova campanha dá a chance de crianças e seus
pais serem os astros de um filme personalizado
Recentemente, foi lançado no Japão um projeto que pode revolucionar o mercado de merchandising, se for bem sucedido. Já pensou em ter um DVD personalizado com um filme profissional e oficial onde você se transforma em um poderoso super-herói?

É o que promete a Bandai Studio, com a campanha Ultraman Zero – The New Hero Legend. A ideia é que a criança apareça em um filme original, criado especialmente para o projeto, se transformando em Ultraman Zero e seu pai, em Ultraseven. Lembrando que Seven é o pai de Ultraman Zero, conforme mostrado nas mais recentes produções da Tsuburaya Pro.

As filmagens são feitas em tela verde e depois é feita a fusão de imagens, como num filme profissional. Dois atores da série Dai Kaiju Battle ("Batalha dos Monstros Gigantes", pertencente à franquia Ultra) aparecem “contracenando” com os clientes, em cenas editadas em estúdio. 


A aventura tem 13 minutos de duração e foi planejada para receber a edição de imagens. Com uniformes emprestados pelo estúdio, os felizes astros são filmados com fundo de tela verde para que as imagens sejam mixadas, da mesma forma que os filmes são produzidos. 


A opção mais em conta é usar apenas a criança no filme, por 16.800 ienes (cerca de 345 reais). Outra opção mais cara inclui cena com o pai se transformando em Ultraseven e até a mãe fazendo uma participação, por 24.150 ienes (cerca de 497 reais). Também é possível personalizar as capas, pagando um pouco a mais. Apesar da ideia ser mostrar a família, outros coadjuvantes podem aparecer (entre adultos e crianças), dentro de diferentes opções que o estúdio oferece.

As possibilidades para um produto assim são ilimitadas e, se a customização de filmes pegar, podemos esperar por muitos outros projetos similares. Inclusive, pode-se esperar que alguns vídeos personalizados possam aparecer eventualmente no YouTube ou algum outro. 

Clique aqui para ver o site da campanha 
O site está todo em japonês, mas quem não entende nada pode conferir o vídeo promocional e ver várias fotos mostrando um pouco do processo de customização da aventura. Sem dúvida, deve ter muito marmanjo sem filhos querendo pagar o dobro pra participar de uma brincadeira dessas. Deve ser muito legal. :-)  

domingo, 28 de novembro de 2010

DOUTORES DA FLORESTA - UM PROJETO AMBIENTAL EM QUADRINHOS

Publicação educativa distribuída aos
participantes de um projeto de
reflorestamento em Ilha Solteira (SP
)

Eis aqui minha primeira publicação de HQ institucional feita para um cliente da cidade onde vivo atualmente, Ilha Solteira (SP). Tenho feito trabalhos e mantido contato com clientes via internet, mas apareceu um trabalho para uma empresa da região. É a ServTec, respeitada empresa especializada em manutenção de usinas, que me chamou para um projeto feito em parceria com a CESP. Trata-se de uma iniciativa muito bacana de distribuir sementes de árvores para um grupo de crianças (filhos de funcionários das duas instituições) para que elas plantem em uma área próxima à represa da cidade. Mais do que isso, o projeto “Doutores da Floresta” vai incentivar as crianças a acompanharem o desenvolvimento das árvores e tudo isso é explicado em uma revistinha distribuída aos participantes. Nela, fiz a capa, duas páginas de HQ e uma outra com palavras cruzadas e curiosidades.

Usei um traço infantil e o desafio maior esteve mesmo no roteiro. Recebi apenas algumas indicações de diálogos que deveriam constar no começo, quando as crianças falam onde seus pais trabalham. A partir daí, precisei amarrar a conversa para que falassem do projeto de reflorestamento e como isso ia acontecer. O primeiro rascunho do projeto tinha como nome sugerido para o gibi a frase “Meu tesouro, minha árvore”. Apontei o problema de comunicação que isso gerava, pois o gibi tinha um nome e o projeto, outro, sem falar na similaridade com “Minha casa, minha vida”, o projeto habitacional do governo federal. Em um projeto assim, a força do nome é importante e sugeri deixar o “Doutores da Floresta” no título para facilitar a fixação da mensagem.
Segmento de quadrinhos da revistinha educativa
Doutores da Floresta, da ServTec/ CESP
Como em muitas HQs institucionais curtas, não havia espaço para desenvolver uma ação decorrente de um problema a ser resolvido, uma regra comum ensinada a estudantes de roteiro. Ao invés disso, inseri as informações de modo bem natural em uma conversa de duas crianças durante uma brincadeira. Senti a necessidade de justificar de modo mais forte o nome do projeto, relacionando a atividade que seria feita com os "doutores" do título. Como haveria esse monitoramento do crescimento das árvores e crianças normalmente são medidas em peso e altura quando vão ao médico, foi só fazer a ligação durante a conversa.

Para driblar a falta de ação, o diálogo tem que carregar a história nas costas. A diagramação e ângulos de cena precisam deixar tudo agradável e dinâmico, tornando a leitura natural e proveitosa. Acho que consegui passar o recado.

DICA PROFISSIONAL

Nem sempre o cliente tem razão. Sem dúvida, ele é quem melhor conhece seu público e que sabe o que deve ou precisa ser transmitido em uma campanha educativa. Porém, quando o excesso de informação ou exigências de formatos e outras especificações podem comprometer a fluidez e qualidade do resultado final, cabe ao profissional da área explicar os motivos pelos quais o cliente deveria mudar de ideia. 

O cliente inteligente vai ouvir e ponderar as colocações de um especialista, mas uma série de fatores pode conspirar para que não haja muito o que fazer. Nesses casos, mais do que nunca, o profissional deve fazer valer sua técnica para deixar o resultado final o melhor possível, dentro das limitações apresentadas. E é por isso que ele contratou um profissional especialista.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

DANI - ESTUDOS DE PERSONAGENS

Dani: Um projeto autoral para HQs de cotidiano.

O governo de SP possui um programa de incentivo cultural chamado PROAC e anualmente tem selecionado projetos de histórias em quadrinhos para serem transformados em álbuns. O orçamento é generoso e tem atraído vários profissionais. Neste ano fui um dos que apresentou, sem sucesso, um projeto para ser avaliado. A ideia era para uma história longa com uma personagem que faz tempo que não mexo, a Dani

Criação bastante autoral, Dani apareceu primeiro numa HQ de 4 páginas numa revista de curso de desenho da Ed. Escala. Era uma edição produzida pelo Watson Portela e eu entrei como “desenhista convidado” com uma história de metalinguagem onde a personagem - uma desenhista - comentava algumas características narrativas do mangá. Só depois vi o potencial para histórias de cotidiano, coisa que fiz no n. 3 da revista Desenhe e Publique Mangá, novamente como artista convidado (e remunerado, claro). Finalmente, fiz outra tentativa e produzi nova HQ dela, no álbum mix Mangá Tropical (Ed. Via Lettera, 2003). O material também foi disponibilizado no antigo site www.nonaarte.com.br e, caso não tenha lido, pode ser visto em www.nagado.com/dani.pdf.

No ano passado, a meu convite o amigo Nick Farewell fez um pequeno texto (como um poema) para que eu quadrinizasse com a Dani (veja aqui). E nunca mais mexi com a personagem, por falta de tempo e interesse, em virtude do mercado ruim – financeiramente falando - em que vivemos. O PROAC me fez planejar algo novo com a personagem mas, como não fui selecionado, tudo voltou pra gaveta.

Criei um elenco central para contracenar com ela e fiz alguns estudos de traço, o que foi um exercício divertido, no fim das contas. Bom, como talvez não volte a mexer com essa personagem (que, a bem da verdade, não empolgou muita gente), resolvi reunir os estudos finalizados e pelo menos mostrar aqui no blog. 

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Out of sight - Uma pequena obra de arte em animação

Gostaria de compartilhar com vocês um vídeo que foi indicado por colegas no Twitter. Trata-se de uma pequena animação de curta-metragem feita por três estudantes da Universidade de Artes de Taiwan.

Não vou comentar muito sobre Out of Sight ("Fora de vista"), pois esse singelo conto sobre uma menina chamada Chico (leia "Tico") e seu cãozinho Coco pode criar um sorriso emocionado em um dia ruim ou encher de inspiração a manhã de um dia atarefado. Isso é vida. 



quinta-feira, 11 de novembro de 2010

VINGADORES DO ESPAÇO - TENTATIVA E ERRO

Goldar, Gan (na forma foguete), Rodak e um
monstro em foto promocional da série (1966).
Capa do segundo volume (de
um total de 3) do mangá
original de Osamu Tezuka.
A década de 1960 foi bastante experimental para a TV japonesa. Não haviam fórmulas a serem seguidas como hoje em dia e os produtores se permitiam ousar mais do que hoje em dia. Um grande exemplo veio da série Magma Taishi (Embaixador Magma), exibido no Brasil na década de 1970 como Vingadores do Espaço. 


Magma Taishi foi o primeiro seriado colorido da TV japonesa, tendo estreado lá em 4 de julho de 1966, 13 dias antes de Ultraman. Baseado em um mangá de 1965, foi uma das muitas criações de Osamu Tezuka, o “Deus do Mangá” e codificador das modernas histórias em quadrinhos japonesas.


A história mostrava a família de robôs que viravam foguetes formada por Goldar (gigante dourado e dono de uma vasta cabeleira), Silvar (de tamanho humano) e o filho deles, o pequeno Gan. Orientados pelo sábio Matuzen (que serviu de base para o Edin, de Jaspion), eles lutavam para salvar a Terra do terrível Rodak e seus monstros. Os heróis também protegiam de modo especial o garoto Miko, que podia chamá-los através de seu apito especial. Um toque chamava Gan, dois, Silvar e com três toques, vinha Goldar. A saga durou 52 episódios e foi produzida pela P-Productions, estúdio que também fez outros clássicos como Spectreman e Lion Man. Em 1993, ganhou uma versão em animê, produzida diretamente para vídeo pela Bandai Visual. 

Livro sobre os
bastidores da série
lançado no Japão
.


Bom, depois de dar uma geral no tema, vamos ao que interessa, um vídeo muito divertido que encontrei esses dias, que tem duas preciosidades. Primeiro, mostra a abertura original da série com imagem boa. Depois, um teste de filmagem que foi engavetado. Nele, Goldar (que seria prateado - lembrando que o nome original dele é Magma) aparece com um rosto humano. Isso mesmo, com aquele corpo robótico claramente feito de espuma de borracha e com o rosto do dublê à mostra, pintado de prata.

O resultado deve ter causado riso e constrangimento até naquela época e por isso, a opção da máscara estática foi a mais acertada. Nem tudo o que funciona bem em mangá funciona na vida real, como você mesmo poderá conferir (ao menos com os recursos daquela época). Divirta-se.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O Rei dos Editores (Henshuu Ou)

Henshuu Ou - Pela primeira vez, um
mangá abordou o
mundo dos editores.
No competitivo mercado dos mangás no Japão, uma figura fundamental e pouco conhecida é a do editor. Cabe a ele fazer a ponte entre o autor e a empresa que o publica, cuidando para que prazos sejam cumpridos e muitas vezes até mesmo interferindo nos rumos da história. Especialmente nas revistas semanais para rapazes, ao analisar votações de público e reações dos leitores, os editores pedem mudanças e alterações. 

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

GARIMPANDO INFORMAÇÃO

Quando eu escrevia para a revista Herói, lá na distante década de 1990 (Credo, pareço velho escrevendo assim, eh eh...), não havia a facilidade da internet e as informações eram garimpadas com colecionadores, revistas importadas (que traziam informação com meses de atraso, pois vinham de navio) e conhecidos no exterior.

Tudo era muito complicado de se conseguir e, entre erros e acertos, minha geração conseguiu levantar informações preciosas para muitos leitores. Uma das coisas que eu mais gostava de fazer eram textos pequenos para informar sobre a existência de obras desconhecidas aqui, fossem elas mangás, animês ou produções de tokusatsu. Muitas vezes, eu nem tinha lido ou assistido o título – por isso eu nem me arriscava a dar opinião. Eu apenas noticiava a existência daquela obra, destacando alguma curiosidade, dando uma geral sobre o que se tratava e dando aos leitores aquela vontade de saber mais. Numa época de pouco acesso à informação como aquela, isso já ajudava bastante.

Houve títulos que eu mencionei de passagem e depois viraram grandes e recorrentes matérias, como Sailor Moon, que eu citei na Herói número 1 (dez./ 1994) e depois se tornou um dos assuntos que eu mais escrevi em muitas edições. Há casos de títulos que divulguei a existência e depois, quando fui ler ou assistir, fiquei desapontado. Mas naquela época, mais do que analisar, era importante descobrir e divulgar.

Estando meio fora desse mercado de “imprensa especializada” (que hoje em dia não paga nada ou paga trocados) e trabalhando com HQs institucionais, tenho escrito no blog somente sobre assuntos que realmente gosto. Ficou pra trás aquele lado de sair garimpando títulos. E nem tenho tempo pra isso hoje em dia, a menos que fosse trabalho. Mas conversando com um leitor outro dia, senti falta de escrever pequenas matérias apresentando algo novo ou pouco conhecido, meio obscuro por aqui. Na era da internet, parece difícil garimpar algo que a maioria das pessoas já não tenha ouvido falar. Ainda assim, é possível mesmo hoje em dia encontrar muita coisa que pode surpreender os aficionados e dar dicas interessantes.

Não farei isso com frequência, mas revirando meu acervo de referências, anotei algumas coisas que valem uma indicação eventual. Na próxima postagem, ainda nesta semana, devo destacar um título de mangá pouco conhecido do grande público no ocidente, mas que tem uma premissa bastante interessante para quem gosta de conhecer histórias de bastidores. Até lá.