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sábado, 30 de janeiro de 2010

30 DE JANEIRO - DIA DO QUADRINHO NACIONAL

Hoje, 30 de janeiro, é o Dia do Quadrinho Nacional. Canso de falar que o mercado anda ruim, que fanzines, álbuns, fotologs e revistas independentes não fazem um mercado de trabalho. O amigo Nick Farewell já disse que é mercado de subsistência, onde quem consome é também quem faz, não atingindo de verdade o grande público. As tiragens cada vez menores estão aí para comprovar. Por isso não caio no oba-oba que toma conta da maioria dos colegas, o que me faz sentir às vezes que não faço parte da comunidade dos quadrinhistas, apesar de estar na ativa produzindo HQ institucional. 

Mas também é inegável a qualidade técnica e artística de muita coisa que tem saído (entre muitas porcarias também), mostrando que há gente batalhadora fazendo sua parte, exercendo, quando possível, sua paixão pela nona arte.

Que um dia, muitos bons autores consigam tirar seu sustento dignamente fazendo aquilo que mais gostam, que é criar histórias em quadrinhos.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

RECADO PARA OS ASPIRANTES A QUADRINHISTAS

Na condição de profissional da área de HQ, é comum que pessoas escrevam para mim pedindo dicas sobre a carreira ou opiniões sobre seu trabalho. Muitas e muitas vezes, falo aqui sobre valorização profissional, dificuldades do mercado, sobre o momento ruim pelo qual passa o mercado de trabalho de quadrinhos no Brasil, apesar do grande número de álbuns, fanzines e revistas independentes - que não dão grana, diga-se de passagem. 

Já falei no Twitter sobre "popstars" da HQ nacional que vendem 500 exemplares e tantas distorções semelhantes que criam falsas ilusões de grandeza na cabeça de muita gente, sempre apontando a necessidade de ser versátil para sobreviver no mercado. Mas pra muita gente, antes até de falar sobre trabalho, o que chama minha atenção é: a maioria desses garotos quer fazer HQ (mangá, principalmente) e só fica mandando desenhos de poses. Querem fazer HQ mas não fazem páginas de HQ. E muitos imaginam que a primeira história que fizerem será uma longa saga de 800 páginas. Não é por aí.



HQ é uma arte que dá MUITO trabalho. Nem vou falar de roteiro, vou me ater ao desenho por enquanto. O desenhista de HQ precisa ter amplo domínio de desenho de figuras. Deve conhecer estrutura, saber fazer movimentos, representar tipos físicos variados, roupas, expressões, rostos, mãos, pés, tudo. Precisa saber desenhar cenários, veículos, animais, máquinas... Tudo o que o roteiro possa exigir.


E a maioria manda close de rosto - de mangá, claro - com olhos brilhantes e emotivos. Poses de corpo inteiro, com o herói ou heroína parados e muitas vezes com as mãos no bolso (porque mão é difícil desenhar) e por aí vai. E se ele consegue desenhar um pouco de tudo com razoável desenvoltura, tem que ter diagramação, enquadramento, enfim, a narrativa visual, que é a habilidade de representar sequencialmente uma ação. Se a pessoa quer fazer HQ, precisa ter muita força de vontade e treinar muito. Não escrevo isso pra desanimar ninguém, mas pra mostrar algumas coisas que muitos não percebem, daí a quantidade de ilustrações soltas que recebo de gente querendo publicar HQs que ainda não fez.



Muitos são apenas leitores assíduos que têm algum jeito pra desenho e manifestam esse amor pelo seu hobby desenhando. Mas daí a conseguir se dedicar para treinar o que precisa, desenhando de tudo, vai uma distância enorme. Não há nada de errado nisso, mas antes de tentar o mercado brasileiro ou arriscar publicar fora do país, ou mesmo tentar virar um desenhista profissional, precisa saber que não basta desenhar carinhas e poses. Fazer HQ vai muito além disso.


sábado, 23 de janeiro de 2010

RESENHA: ROKO-LOKO, DE MARCIO BARALDI

Roko-Loko e Adrina-Lina - Hey ho, let´s go! é a mais recente coletânea de trabalhos de Marcio Baraldi, veiculados na revista Rock Brigade. Com tiras e HQs completas de uma ou duas páginas, Baraldi desfila uma infinidade de personalidades do mundo do rock em situações surreais e bizarras. E apesar do foco da publicação onde o material saiu originalmente ser o heavy metal, não há preconceitos dentro do vasto campo do rock, pois o autor foi introduzido (no bom sentido) no assunto ouvindo discos do Queen, Kiss e Ramones. Várias vertentes roqueiras (incluindo nacionais) são citadas, numa salada de referências que é impossível não reconhecer algumas e rir de muitas situações. Aliás, nem é preciso conhecer caras e nomes citados para ler o álbum. 

O humor de Baraldi é direto, sem frescuras, sem sutilezas. É ora ingênuo, ora grosseiro, do tipo "tapa na cara" pra acordar o mais ranzinza dos leitores, com traços frenéticos e cores vivas. Não dá pra dizer que o trabalho dele amadureceu ao longo da já extensa carreira de quase um quarto de século. Isso daria um ar estranhamente sério a Baraldi, que é um eterno molecão no melhor sentido do termo.

E um dado curioso, pra quem ainda não conhece esse artista batalhador, é que seu estilo de desenho tem tudo a ver com ele, que eu já defini uma vez em um depoimento num de seus álbuns como um autêntico "cartum ambulante". E pra coroar esse trabalho, feito de coração e com muita garra e tesão, dois prefácios, com a assinatura de dois grandes jornalistas especializados em HQ: Franco de Rosa e Sidney Gusman.

Roko-Loko e Adrina-Lina - Hey ho, let´s go! tem 50 páginas coloridas em formato grande, ao preço de R$ 10,00. O lançamento é da editora GRRR!... (Gibi Raivoso, Radical e Revolucionário!, selo criado pelo próprio Baraldi) e da Rock Brigade.

O álbum está à venda em lojas especializadas ou no site www.idealshop.com.br/baraldi

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

PROBLEMAS DE QUEM ESTÁ COMEÇANDO NO DESENHO

Com certa frequência, pessoas escrevem pra mim pedindo algum tipo de ajuda. Alguns me procuram pedindo dicas para começar e as dúvidas são normalmente as mesmas. Abaixo, reproduzo uma mensagem que chegou recentemente:

Oi, Nagado!

Encontrei-o acidentalmente fuçando no Google - procurando referências de ilustradores!

Estou querendo algumas boas dicas para quem acabou de se formar na área do desenho - e, infelizmente, está sem muitas boas propostas no mercado!
No seu blog eu pude acompanhar vastas dicas de valorização do seu trabalho, e devo dizer que é um tanto quanto desafiador recusar propostas onde é notável uma desvalorização de sua obra porém você está PRECISANDO DE UM EMPREGO, não?

Cito inclusive que a concorrência do mercado leva as pessoas a ficarem extremamente hostis e egoístas (isso em qualquer área, certamente), de forma que muitos conselhos que você pede a ilustradores que já estão com um rumo "mais certo" que o seu na área do desenho sejam vistos de forma COMPETITIVA e acaba ficando restrito e guardado a sete chaves. Se há um segredo para ingressar nesse mercado, certamente quem já está inserido nele não pretende divulgar pois teme a concorrência.

Enfim, será que há a possibilidade de me dar um toque via e-mail?
Agradeço desde já e parabéns pelo seu trabalho.

Andressa       

A minha resposta, devidamente ampliada para publicação no blog:


Olá, Andressa.

Realmente, começar é complicado e não há uma fórmula exata de êxito. Eu sou bastante realista com quem está começando. Não é fácil. Já peguei trabalhos que não ficaria jamais divulgando valores, por terem sido baixos e que só aceitei porque estava precisando. Cada um sabe onde aperta o sapato. Demora até conseguir impor preços melhores.

Quando se está começando, é normal pegar serviços por preços baixos. Aliás, mesmo quem está na batalha há tempos pode acabar aceitando em algum momento valores abaixo do que gostaria, para não ficar parado numa época de pouco serviço e muitas despesas. Quem tem filhos pra sustentar acaba batalhando como pode, por exemplo. Mas os preços não podem ser baixos demais, senão a pessoa nunca consegue melhorar na vida. 


Uma vez, numa roda de amigos, um colega criticou outro, que estava ausente, porque este andou pegando trabalhos de preços baixos, o que poderia ferrar o mercado. Aquilo me incomodou, porque esse colega tem filhos pra sustentar e vivia um período difícil. O que é muito diferente de alguém passar a rasteira num colega cobrando preço menor. Também já vi muito disso.

A ACB tem uma tabela de preços que pode ajudar quem está começando. Confira aqui. Muitas vezes não funciona como deveria e há pontos que discordo, mas pra quem não tem a menor noção, serve como ponto de partida.

Tenho visto em blogs de ilustradores discursos altamente válidos pela valorização profissional, uma bandeira que também defendo. Porém, há profissionais que arrotam uma postura difícil de ser seguida por todos, cobrando tudo como se cada cliente fosse uma multinacional. Já vi ilustrador dizer que não pegava no lápis pra fazer um esboço por menos de mil reais. Bom, se ele pode se dar a esse luxo, parabéns pra ele. Mas que não espere que todo mundo faça isso, porque não tem serviço de alto nível pra todo mundo e nem todo mundo tem capacidade pra pegar material assim. Se eu só fizesse material pras maiores agências do país, poderia me dar a esse luxo, mas fiz pouca coisa pra publicidade, geralmente agências pequenas e médias. Sei como é o mercado. 

Tem muito ego entre ilustradores (entre artistas em geral), mas esse povo mais elitista da publicidade esquece que um dia esteve começando, batalhando por uma oportunidade. Ou veio de família rica que bancou ele até conseguir cobrar bem de grandes clientes. Mas mesmo grandes clientes, para pegarem confiança em alguém, precisam ver o que ele já fez profissionalmente. Dá pra imaginar um iniciante mandando um cliente de pequeno porte tomar naquele lugar porque ofereceu 300 reais ao invés de 5 mil pra ilustrar um folder promocional? Tem ilustrador que age assim e diz que todos os colegas deviam agir assim também. Mas esses mesmos, normalmente tem a postura citada de temer o surgimento de concorrentes, escondendo segredos e contatos.


Aliás, o maior trunfo é fazer contatos. Não só por e-mail, mas tentar ir em palestras, oficinas, conhecer gente, mostrar portfolio. Montar um portfolio físico ou virtual (tipo DeviantArt ou arriscar um domínio próprio) é importante. E é importante também conhecer o próprio trabalho e saber onde dá pra tentar pegar serviço. Não adianta mostrar mangá em editora de livro didático ou em jornal. Também não adianta mostrar super-heróis no estúdio Mauricio de Sousa ou mostrar só ilustrações de layout publicitário num estúdio que faz agenciamento de desenhistas para a Marvel Comics. Tem que conhecer o cliente aonde se vai bater na porta. É importante um foco, assim como é importante estar disposto a diversificar o trabalho para não perder oportunidades de ganhar dinheiro.  

Evite, entretanto, pegar trabalho só pra divulgar. Isso raramente vale à pena. 

Finalmente, desenhe muito, desenhe de tudo, procure melhorar sempre, veja o que profissionais fazem, acompanhe as novas tecnologias, vá a eventos e nunca deixe de batalhar pelo que quer. É isso. 


LEIA TAMBÉM:

ARTISTAS E CLIENTES

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Coisas que todo desenhista ouve...

Muita gente que pensa que desenhista (ou qualquer artista) é só um cara que ganhou um "dom" e nasceu pronto, por pura sorte e acaso. Que vive na boa, fazendo o que gosta. Como se a gente também não precisasse estudar, treinar, cumprir prazos massacrantes, aturar cliente chato, manter-se atualizado, perder noites, feriados e finais de semana pra concluir trabalhos chatos - mas que pagam, sofrer com impostos, pagar contas...

Parece que somos gente sortuda, que nasceu já sabendo um ofício e vive na moleza porque veio tudo fácil, de certa forma tirando nosso mérito e esforço. Isso acaba ocasionando uma série de pensamentos equivocados sobre a área artística.


Pra alguns, causa um estranhamento e para outros, uma necessidade de mostrar que também conhece alguém que faz a mesma coisa. É como conhecer um jogador de futebol profissional e comentar com ele: "Ah, o meu pai também não fica sem bater uma bolinha no fim de semana, lá no campinho perto de casa."

Abaixo, extraídas direto da minha página no Twitter, algumas frases das quais nenhum desenhista (profissional ou amador) escapa, ouvindo variações das mesmas diversas vezes ao longo da vida.

"Eu conheço um cara que também desenha! O cara desenha muito! Mas só copia."

"Puxa, não sei desenhar nem uma casinha..."

"Fora desenhar, você também trabalha?"


Agora, uma frase contundente que ouvi quando encontrei um conhecido na fila do correio, muitos anos atrás. Ele perguntou o que eu estava fazendo e expliquei que estava fazendo quadrinhos. Na época, eram quadrinhos sobre heróis japoneses (Maskman, Goggle V, etc.) na Ed. Abril e EBAL. O comentário do colega:


"Ô, mas trabalhar, que é bom, nada ainda?"


 Em outra ocasião, na mesma época, estava explicando pra um conhecido o que estava fazendo.


"Você que faz esses gibis?"
- Bom, eu escrevo algumas histórias e...
"Nossa, então você escreve tudo isso? Tipo, você que faz as letrinhas nos balões? Como você consegue escrever tão certinho, em linha reta?"


E uma legal pra encerrar, que aconteceu comigo ao telefone, quando eu estava fornecendo informações pessoais para um cadastro. O atendente me perguntou sobre profissão e ele não ouviu direito quando eu disse "ilustrador":

"Hein, você é "lustrador?" Você lustra móveis?
- Não, eu sou ILUSTRADOR.
E o que é isso?
- Eu desenho bonequinhos...


Ah, sim, devo registrar que eu nunca cometi nenhuma grosseria após ouvir nenhuma das frases citadas. Mas tem horas em que dá vontade... 


**********
Esta postagem teve um ilustre autor convidado, que colaborou com uma arte exclusiva para o Blog Sushi POP. A charge que ilustra meu texto é do cartunista Marcio Baraldi, um veterano batalhador dos quadrinhos, humor e rock´n roll. Valeu, Baraldão!!

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

CLIPE MUSICAL: ROOM (THE CHECKERS)

Uma das minhas bandas japonesas favoritas até hoje é The Checkers, que encerrou oficialmente atividades há quase 18 anos. Percorrendo o Youtube, há vários clipes e performances muito legais deles e separei uma para apresentar (ou relembrar para alguns) os reis do J-pop na década de 1980. 


É a elegante balada "Room", com letra de Fumiya Fujii e melodia de Masaharu Tsuruku. A canção fez parte do álbum Seven Heaven, de 1989. 



Em 2007, escrevi um texto para o site Nippo Jovem por ocasião dos 25 anos da estreia do grupo. Confira aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

UMA PAUSA PARA DESCANSAR


O mundo passa por um momento difícil. A vida segue estressante, com trabalhos para entregar, contas para pagar, pagamentos para correr atrás, contatos para concretizar, mensagens, projetos... Falta tempo pra parar e viver um pouco mais relaxado, curtir mais a vida.

Mas alheia a tudo isso, uma garotinha, cansada de tanto pular e brincar, senta-se no sofá para tomar sua mamadeira e assistir um desenho animado na TV. E já vai começar outra brincadeira em seguida. Ê vidão... 

Enquanto isso, um pai babão interrompe um pouco a correria e registra o momento com alguns rabiscos. Ser criança é maravilhoso!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

TROFÉU ANGELO AGOSTINI 2010 - OS VENCEDORES

Saiu a lista dos vencedores do 26º Angelo Agostini, organizado pela AQC-SP.

Parabéns aos vencedores, em especial ao Laudo Ferreira (melhor roteirista), Marcio Baraldi (melhor lançamento, pelo álbum Roko Loko - Hey ho, let´s go!) e ao Franco de Rosa (Mestre do Quadrinho Nacional), amigos de luta de longa data. 

Veja a lista completa e a programação do evento de entrega dos prêmios dia 27/02 no Bigorna.net clicando aqui.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O PRIMEIRO PERSONAGEM DE TEZUKA ADAPTADO NO OCIDENTE


Tem sido divulgado na imprensa especializada em quadrinhos e mangá que os Estúdios Mauricio de Sousa vão produzir um crossover com personagens de Osamu Tezuka, o falecido Deus do Mangá, que Mauricio conheceu nos anos 1980. O projeto de uma história em conjunto era algo que eles haviam planejado, mas que fora engavetado por causa da doença e posterior falecimento de Tezuka, ocorrido em 1988. 

Quando a notícia da retomada do projeto foi anunciada, diversos equívocos foram cometidos aqui e lá fora. Uma das que foi divulgada é que essa seria a primeira vez que um artista estrangeiro tem autorização para produzir quadrinhos com personagens de Tezuka. E não foi.


Em 1965, na cola do sucesso do animê Astro Boy, a editora estadunidense Gold Key publicou uma versão local, devidamente licenciada. Na época a revista custou 12 centavos. Hoje, uma edição em bom estado, vale mais de 57 dólares na mão de colecionadores, de acordo com o site Mile High Comics. Foi, provavelmente, a primeira adaptação ocidental de um personagem japonês de mangá e animê. E foi justamente o icônico Astro Boy (ou Tetsuwan Atom) de Tezuka, que ganhou recentemente um longa em computação gráfica nos EUA. Além disso, versões locais do famoso herói-mirim foram produzidas também na Argentina, Peru e Venezuela. 

Como vários sites brasileiros têm reproduzido a informação errônea sobre o pioneirismo dessa autorização que a MSP conseguiu, resolvi registrar a informação correta. Vale lembrar que não é tão raro o licenciamento de quadrinhos sobre personagens japoneses, sendo uma relação comercial como qualquer outra. E com o reverenciado Tezuka não foi diferente.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A professora de artes e a faxineira

Estudei, da primeira série até a conclusão do ensino médio, em escolas públicas. Tive a sorte de ter encontrado alguns professores excelentes em meio à decadência que já tomava conta do setor. Professores que eram bons pra explicar suas matérias, mas que também tinham palavras amigas e uma postura bacana, de professor que se preocupa com os alunos. Infelizmente, não tive muita sorte com a matéria Educação Artística durante o ginásio (que era da 5ª até a 8ª serie na época). 

A professora não era má pessoa. Pelo contrário, era uma pessoa legal, não pegava no pé de ninguém e tinha seus momentos mais inspirados ao ensinar. Mas também era alguém que, se já teve vocação para lecionar arte, havia perdido e assumido a postura acomodada de professor que só sabe passar lição na lousa e mandar o aluno copiar. Estudar História da Arte era um porre com ela, tanto que esquecia tudo assim que terminava de copiar. Os trabalhos não eram nada empolgantes. Tudo burocrático e sem estímulo à criação.

Um dia, o trabalho era sobre histórias em quadrinhos. Fiquei mais interessado do que o normal, lógico. Depois de poucas e vagas explicações sobre o que era uma HQ (e eu sabia mais do que ela), ela passou o trabalho: desenhar uma história para a exposição de alunos que ia acontecer no colégio. Fiz uma HQ de umas 10 páginas com um robô gigante, no estilo do animê Pirata do Espaço (que eu adorava na época) e mandei.

No dia da exposição, vi numa sala os trabalhos dos alunos. Estavam todos espalhados aleatoriamente sobre um agrupamento de mesas. E vi o pessoal manuseando os originais e espalhando, como uma pilha de cartas sem destinatário. Indignado com a falta de consideração ao trabalho, recolhi as minhas páginas, guardei na pasta e fui embora, aproveitando uma hora que não tinha ninguém por perto. Claro que não havia recurso para se montar painéis de acrílico, mas um mínimo de cuidado e consideração poderiam ter proporcionado uma "exposição" menos desleixada. Era só montar em cartolina, colar nas paredes, qualquer coisa que permitisse olhar o trabalho dos alunos sem ficar revirando aleatoriamente uma pilha de papéis soltos.

Agora, um outro caso passado na mesma escola. Eu costumava desenhar na carteira escolar quando a aula era chata ou para passar o tempo. Um dia, na hora do intervalo, me empolguei e enchi a mesa inteira com um desenho da Patrulha Estelar. Era uma grande batalha, cheia de espaçonaves e explosões.

Semanalmente, as faxineiras limpavam com álcool todas as mesas. O dia em que fiz o desenho era dia de faxina. Acho que foi por saber que iam limpar tudo que eu enchi a mesa, sem me importar. 


No dia seguinte, ao entrar na classe, vi que todas as mesas estavam realmente limpinhas... menos uma. A que estava com o meu desenho permanecia intocada. A faxineira que passou naquela tarde ficou com dó de apagar o desenho, que parecia mesmo ter dado muito trabalho, pois era cheio de detalhes. Eu, do alto dos meus 14 anos, fiquei orgulhoso e contente.

Agora, uma pergunta: quem incentivou mais o jovem aspirante a desenhista, a erudita professora de artes ou a humilde faxineira da escola? 

Sensibilidade não depende de estudo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

UNIVERSO HQ - 10 ANOS

Um dos mais completos sites brasileiros sobre quadrinhos está completando 10 anos. A convite do jornalista Sidney Gusman, produzi um sketch comemorativo.


Veja a galeria completa de homenagens de vários autores ao Universo HQ aqui.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

REINICIANDO ATIVIDADES


Primeiro, um Feliz 2010 pra todos nós.

Depois que encerrei minhas postagens de 2009 no blog e no Twitter, achei que iria apenas curtir a família, mas acabou aparecendo um serviço de última hora, que teve que ser administrado em meio às festas. Bem, faz parte da rotina (ou falta dela) de um freelancer.


Também estou para começar os trabalhos com um novo cliente, o que deve monopolizar minhas atenções num primeiro momento, até que o trabalho comece a fluir.

ANO NOVO... DÉCADA NOVA?
Uma dúvida que acomete muita gente é se o último ano da primeira década do século XXI foi 2009 ou se é agora, em 2010. Os que defendem que a primeira década só termina em 2010 têm o argumento de que a contagem vai de 1 a 10, e não de 0 a 9. Eu tenho uma posição. Quando nos referimos aos "anos 80", estamos falando sobre os anos que vão de 1980 a 1989. É meio estranho dizer que 1980 não faz parte da década de 80 (e sim da de 1970), por isso eu considero a contagem estadunidense para os anos, que pra mim faz mais sentido. Aliás, já faz um tempo que, ao me referir a uma década, uso o ano completo. Não escrevo mais "anos 80", e sim "anos 1980". Isso porque, vai que o texto acabe sendo lido por alguém daqui a 100 anos, não quero que reste dúvida sobre qual década está sendo comentada.

RESOLUÇÕES DE ANO NOVO (E DÉCADA TAMBÉM!)

Na última década, além de trabalhos de HQ institucional, caricaturas em eventos e ilustrações editoriais e para publicidade, publiquei pouca coisa que gosto na área de HQ. Além da minisserie Blue Fighter - Fase II (em 2000, na extinta Mangá X - Ed. Escala) e de uma HQ curta no Mangá Tropical (em 2003, pela Via Lettera), não fiz quase nada na última década com meu traço mais pessoal. Pretendo mudar isso um pouco, dando mais atenção ao meu lado quadrinhista mais autoral. Não sou mais um garoto. Não tenho todo o tempo do mundo. Meu objetivo sempre foi contar histórias e me afastei muito desse caminho por questões de sobrevivência profissional. Pretendo equilibrar um pouco melhor meu lado autor com o lado "prestador de serviços", que é o que paga minhas contas. Se isso vai ficar só na promessa ou se conseguirei concretizar alguma coisa, o tempo vai dizer. Mas vou me empenhar. 

E lá vamos nós!