sábado, 30 de maio de 2009

MEMORIZANDO ROSTOS (E MUITO MAIS)

Essas carinhas ao lado são parte de um lote de ilustrações que produzi para um livro a ser lançado sobre técnicas de memorização do professor Robinson Gessoni. O lance aqui foi criar rostos com caracterizações variadas e o máximo de simplicidade. Originalmente, seriam utilizadas fotos, mas o autor acabou optando por usar meus desenhos. Acho que funcionou bem para o que ele queria.

O mais interessante nesse trabalho tem sido tomar contato com um tema sobre o qual sempre quis saber. Como sou tradicionalmente um distraído e péssimo para lembrar nomes e rostos (sou o rei dos foras nesse quesito), está sendo legal aprender um pouco sobre esse assunto, tão útil para qualquer pessoa.

terça-feira, 26 de maio de 2009

TWITTANDO PENSAMENTOS

Fenômeno da internet, o Twitter só permite postagens de até 140 caracteres, o que exige bastante poder de síntese (exceto para quem fica escrevendo frases fragmentadas). Mistura de microblog com rede social, permite uma agilidade grande na difusão de informações e dicas, além de permitir saber o que gente interessante anda fazendo. Bom, nem sempre, visto que muitos publicam inutilidades como "Fui tomar café.", "Espirrei", "Acabei de voltar do banheiro.", (Who cares?) e por aí vai. Mas tem muita coisa interessante e dá pra pegar informações up-to-date e dicas de links.

Em minha página, cujas postagens mais recentes você vê na lateral deste blog, eu posto frases legais que vejo, divulgo matérias interessantes, comunico sobre trabalhos em andamento, participações em eventos, além de linkar músicas que gosto e postar alguns pensamentos sobre a vida, trabalho, arte e assuntos da atualidade. É uma chance de soltar opiniões sem ter que explicar muito, captando um momento, às vezes de forma ranzinza, outras com lampejos de alguma sabedoria. Abaixo, algumas frases pessoais que resolvi deixar registradas aqui:

* Uma definição para "imbecil": "Aquele cara que deixa o som do carro no último volume, obrigando outros a ouvirem seu mau gosto musical."

* J-Rock está virando a nova modinha. Nem vou entrar no mérito musical, que aí é gosto. Mas a maioria é "poser" demais. Não tenho paciência.

* Polêmica burra essa do Serra contra uma HQ. Compraram sem ver que não era para crianças. O problema é culparem a HQ, o que já rolou.

* Nunca confie em gente que só é boa, generosa e "sincera" com quem interessa ou pode retribuir, seja no campo pessoal ou profissional.

* Geralmente, reality show é isso: Show vazio sobre uma realidade ensaiada.

* As bancas estão abarrotadas de revistas de fofocas, "celebridades" e novelas. Ler, o povo até que lê. Mas é cada bobagem...

* Lecionando, já conheci muitos jovens talentosos que, por teimosia, deixaram de progredir e alcançar seu potencial. Mas eu continuo tentando.

* "Olha, fulano coçou o nariz.", "Você viu? Cicrano bocejou!", "Quem ficou com quem?" Juro que não entendo o "fascínio" dessa bobagem de BBB.

* Dispenso futilidade, hipocrisia e ver gente oportunista fazendo nada. Por isso não perco meu tempo vendo BBB.

* Hoje em dia, se confunde mercado profissional de HQs com mercado de publicações. Muitos publicam gibis, mas poucos vivem disso.

* Pra mim, é cada vez mais difícil ouvir música atual: emos, sertanejos, axés, funks, pagodes... Socorro!!! Viva o CD e o MP3 player!

CITAÇÕES DE PERSONALIDADES

"Ensinar é aprender duas vezes." - Joseph Joubert

"Tente ser uma pessoa de valor, não de sucesso." - Albert Einstein

"Não existe arte sem esforço." - Jean-Louis Trintignant

"Os homens que tentam fazer algo e falham são infinitamente melhores do que aqueles que tentam fazer nada e conseguem." - Lloyd Jones

"O que julga pelas aparências quase sempre se engana." - Papa João XXIII

"A inteligência não é não cometer erros, mas saber resolvê-los rapidamente." - Bertold Brecht

"De que adianta usar todas as notas? Basta usar as melhores." - Miles Davis

Leia mais em twitter.com/nagado

sexta-feira, 22 de maio de 2009

ESCREVENDO ROTEIROS PARA QUADRINHOS

No dia 6 de junho (sábado), vou ministrar uma oficina de roteiro para quadrinhos. Nela, vou transmitir conceitos básicos e dicas baseadas em minha experiência pessoal para ajudar os interessados a montar um roteiro, seja em estilo realista, humorístico ou de aventura. O mangá também será abordado, com suas peculiaridades narrativas que o diferenciam da maioria dos quadrinhos ocidentais.
A atividade vai acontecer no Instituto Cultural Cláudio Ayabe, que fica perto do metrô Praça da Árvore. Curiosamente, durante 8 anos eu lecionei quadrinhos lá perto, na escola CEPADE. No mesmo dia, o Instituto vai oferecer cursos de Concentração e Memorização (com Robinson Gessoni) e Pedras e Cristais (com Angela Maria L. Abreu).

Segue abaixo o press release da minha atividade:

OFICINA DE ROTEIRO PARA QUADRINHOS

OBJETIVO
A arte de contar bem uma história, seja para quadrinhos ou qualquer outra mídia (como o teatro e o cinema), passa pela organização de idéias e criação de personagens. Nesta workshop, o aluno vai descobrir que contar bem uma história envolve disciplina e lógica, aliadas à liberdade criativa. E que existem conceitos que são comuns tanto aos quadrinhos ocidentais quanto aos mangás, os quadrinhos japoneses. Já quando o assunto é criação sob encomenda e comunicação institucional, a clareza da narrativa, tão importante para tornar a leitura agradável, faz uma história em quadrinhos se tornar uma importante ferramenta de comunicação de idéias e valores.A workshop vai abordar técnicas de roteirização para que o aluno entenda o briefing, plot, script, lay-out e storytelling. Tudo para começar a contar bem uma história ou transmitir uma mensagem.

FACILITADOR
Alexandre Nagado - Profissional da área de história em quadrinhos e ilustração, possui trabalhos publicados nas editoras Abril, EBAL, Escala, Trama e Via Lettera. Na área de quadrinhos institucionais, produziu histórias para o Governo do Estado de São Paulo (Projeto Tietê e DAEE - Depto. de Águas e Energia Elétrica), Pão de Açúcar, Santander Banespa, Votorantim, ABB, Fidelity Processadora e Serviços, Revista Paróquias e diversos outros clientes.

DIA/ HORÁRIO
06/06/2009 (sábado) - das 9h30 às 13h00

LOCAL
Instituto Cláudio Ayabe
Endereço: Alameda dos Guatás, 231 - perto da estação Praça da Árvore do metrô.
Tels.: (11) 2772-6213 e (11) 5589-8574

IDADE MÍNIMA
14 anos

Vagas limitadas

INVESTIMENTO
- Inscrição individual - R$ 45,00
- Inscrição em dupla - R$ 38,00 (cada um)

Inscrições:
www.ayabe.com.br

- Atualização: A workshop de roteiro não pôde ser realizada por mim no último dia 6, sendo transferida para o dia 20 de junho (sábado), no mesmo horário e com as mesmas características.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

OS QUADRINHOS E O PRECONCEITO DA SOCIEDADE

Ontem, o governador de SP, José Serra, (PSDB) declarou que o álbum de HQ "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol" (Ed. Via Lettera) é de "muito mau gosto" por conter palavrões e temas sexuais. A notícia repercutiu e foi tema ontem na TV Globo, na Folha de São Paulo, na rádio CBN e em quase toda a mídia. A HQ foi comprada pelo governo para ser distribuída a alunos da terceira série do ensino fundamental, com 8 anos em média.

Tudo foi um enorme mal-entendido e fruto de total falta de conhecimento sobre o que foi comprado. O trabalho, de qualidade e cheio de méritos artísticos, NÃO foi feito para crianças. É aquele velho problema com o qual os profissionais e leitores de longa data sempre se deparam: a maioria da sociedade sempre vai achar que HQ é coisa pra criança. Aí, alguém que gosta de HQ lá no governo indica a compra de alguns títulos pra distribuição em escolas e bibliotecas infanto-juvenis, mas não checa direito o conteúdo.

Do outro lado, quem vende deveria ser informado qual o público-alvo que vai receber o material. Ora, se fosse para alunos do colegial, problema nenhum haveria. Só fazendo um paralelo com outras mídias que não sofrem de preconceito, imaginem se o governo comprasse o filme Carandiru e distribuísse a crianças de 7 anos. Não preciso falar mais nada, não é?

Acho que os profissionais de HQ vão passar o resto da vida (e as gerações seguintes) eternamente tendo que explicar aos não-iniciados algo que é óbvio no Japão, EUA, França, Inglaterra, Portugal, Argentina e demais países cujo povo lê muito: Histórias em quadrinhos não são leitura somente para crianças. Existem quadrinhos de todo tipo e para todo tipo de público, assim como o cinema, teatro, música e qualquer outra mídia.


Finalizando, a ACB - Associação de Cartunistas do Brasil publicou ainda ontem uma nota falando sobre o caso, nota esta que reproduzo abaixo:

ASSOCIAÇÃO DOS CARTUNISTAS DO BRASIL – ACB

Rua Lourenço Rodrigues Souza, 174 – São paulo/SP – CEP 02760-050 – Tel 011 3851 5221

www.hqmix.com.brhqmix@hqmix.com.br

Sobre reportagens a respeito do livro “Dez na área, um na banheira e nenhum no gol” da Editora Via Lettera.

Hoje, dia 19 de maio, na mídia, houve a repercussão de uma matéria sobre o mau uso do livro de quadrinhos acima citado onde vários autores importantes da área desenharam sobre o tema futebol.

O livro, premiado e trazendo desenhistas também premiados, inclusive fora do Brasil, foi mostrado como material de linguagem chula e arte sexista imprópria para distribuição para crianças da rede pública de ensino como material paradidático.

A Associação dos Cartunistas do Brasil, que vem participando por anos da luta pelo reconhecimento do autor brasileiro na área dos quadrinhos e humor gráfico, não pode deixar de dizer que as informações colocadas, dessa forma na mídia, podem depor contra um trabalho sério nas escolas de utilização de publicações de quadrinhos como ferramenta de incentivo à leitura e cultura nacional.

Fica evidente que houve um descuido de quem escolheu esse título para distribuição para o ensino básico, mas não se pode dizer que os artistas estão deturpando algo como fica a impressão das matérias. Uma criança de 9 anos assiste ao futebol com o pai, que não deve economizar em seu linguajar diante da emoção que o esporte exerce sobre seus torcedores. As transmissões de futebol não conseguem evitar o som dos palavrões cantarolados pelas torcidas. Portanto não é criação dos desenhistas a linguagem chula, mas simplesmente estão colocando o que todos vêem num jogo de futebol pelas transmissões livres de censura.

Ao mesmo tempo, a forma como são colocadas as mulheres no futebol com as “Maria Chuteira” ou “travestis” que se relacionam com jogadores, nas reportagens, que não são também censuradas, só podem ter um reflexo nas histórias dos autores do livro.

O que vemos é uma crucificação de um trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados e que podem ser sim distribuídos em universidades para o estudo do mundo do futebol e sua influência na cultura popular.

A utilização dos quadrinhos na sala de aula é confirmada por educadores como fonte importante para agregar valor de conteúdo educacional para o interesse da criança em várias matérias do currículo escolar. Isso foi conquistado depois de muita luta contra o preconceito que antes havia e que caiu por terra ao vermos em cada lar uma criança de cinco anos já se interessar por leitura quando vê revistas infantis na sua frente.

Apenas houve um equívoco na escolha pela faixa etária a que se destinava os livros e não uma publicação censurável como pode ter passado para o grande público.

Pedimos aos meios de comunicação que, sempre que houver algo tão importante como esse tema, também coloquem a opinião de uma pessoa especializada na área, que tenha algum conhecimento da linguagem em discussão.

José Alberto Lovetro (JAL)

Associação dos Cartunistas do Brasil - ACB

terça-feira, 19 de maio de 2009

Gundam e Neil Sedaka


O que é que o veterano cantor e compositor pop Neil Sedaka (Quem? Calma que eu explico...) tem a ver com os poderosos robôs gigantes da franquia japonesa Mobile Suit Gundam? Musicalmente, muito, já que os temas de abertura e encerramento da saga Zeta Gundam (de 1985) são versões de músicas de Sedaka. Eu conheci primeiro as versões em japonês das músicas, que soam como genuínas canções de animê (anisongs) com pegada J-Pop. Mas pesquisando, vi que as músicas tinham suas melodias creditadas a Neil Sedaka.

Nascido em 1939 nos EUA, Neil Sedaka fez sucesso mundial entre o final da década de 1950 e início de 60, com canções como "Oh, Carol", "Breakin' up is hard to do" e "Calendar Girl". As músicas usadas em Gundam são da safra dos anos 1970 e não são muito conhecidas. Certamente, algum produtor de Gundam devia ser um grande fã do cantor.

Primeiro, a abertura de Z Gundam, a música "
Toki wo koete".



Agora, compare com a versão original de Neil Sedaka, intitulada "Better days are coming":





Encerramento de Z Gundam, a música "Hoshizora no believe":


Ouça agora a versão original, "Bad and beautiful":





Ambas as canções foram interpretadas em japonês por Mami Ayukawa. Ainda houve uma música inédita de Sedaka usada na série, a "For us to decide", que virou "Mizu no hoshi he ai wo komete". As músicas foram licenciadas no Japão, mas por questões de negociação de direitos autorais nos EUA, quando Z Gundam foi lançado por lá, as músicas tiveram que ser trocadas.

Abaixo, a versão ao vivo do tema de abertura com Mami Ayukawa se apresentando no show Super Robot Spirits 2003.



segunda-feira, 18 de maio de 2009

UMA QUESTÃO SOBRE ÉTICA

Existe gente que acha que desenhista cobra por área desenhada no papel, ou por quantidade de tinta que deixa no papel. Quando eu desenho para pessoas físicas é quando me deparo com o maior número de absurdos na percepção sobre o que faz um desenhista. Uma candidata a cliente pediu um orçamento de caricatura para convite de casamento.

No meu site já tem os preços anotados, mas ela queria saber quanto eu cobraria para usar um desenho pronto (que ela pegou no site de um concorrente) e só trocar os rostos desenhados pelo rosto dela e o do noivo. Por quê ela não pediu ao autor do desenho original? Certamente porque achou caro o desenho dele e tentou ver se conseguia um "precinho camarada" com outro. Afinal, o desenhista que pegar o trabalho não vai ter que desenhar uma folha inteira, só os pedacinhos em que aparecem os rostos.

Expliquei que não faria isso por ser anti-ético e que eu faria um novo desenho, no meu estilo (como no exemplo ao lado), cobrando normalmente para isso. Ela não respondeu mais, obviamente. É cada uma que aparece...

quarta-feira, 13 de maio de 2009

DANI - DEIXE O AMOR AMADURECER

Depois de muito tempo fazendo só quadrinhos institucionais, finalmente desenhei uma HQ autoral. Graças a uma rápida troca de mensagens aqui neste blog, meu amigo Nick Farewell se disse interessado em escrever uma HQ da Dani, personagem que usei somente em 3 histórias curtas até hoje. Por causa da eterna falta de tempo e por não fazer HQ autoral há anos, pedi ao Nick um roteiro de somente uma página, a título de "aquecimento" para depois desenhar algo mais elaborado.

Daí, ele veio com um pequeno poema para ser ilustrado. Quebrei a cabeça por uns dias e resolvi
interpretar o texto com uma narrativa mais ou menos linear. Fiquei satisfeito com o resultado e resolvi compartilhar aqui no blog.

Apesar de ter sido feito sem comprometimento com nenhuma publicação, o trabalho foi feito pensando em mídia impressa, pois é assim que eu vejo uma HQ. Então, preparei um arquivo PDF (2,79MB) pra qualquer um poder salvar e imprimir. É só clicar no link abaixo, que vai apontar para um site de armazenamento temporário de arquivos, o Sendspace. Mas se quiser apenas ver em tela, pode clicar na imagem e ver a página ampliada.

Dani - Deixe o amor amadurecer


*****
Acho divertido sugerir uma trilha sonora para a leitura. Então, antes de ler a HQ, clique no player abaixo e vá ouvindo "Here, there and everywhere", clássico dos Beatles na voz de Rita Lee.





08. Here, There And Everywhere - Rita Lee


*****
O Som e a Fúria - Este é o nome do blog do Nick, cheio de tiradas filosóficas e bem-humoradas sobre seu tema favorito: a vida.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

OS INDICADOS AO TROFÉU HQ MIX

Saiu a lista de indicados ao Troféu HQ Mix, a mais badalada premiação dos quadrinhos no Brasil. O mercado de publicações anda aquecido, mas o mercado de trabalho anda péssimo, o que é uma contradição que não parece ter solução a curto prazo. Financeiramente, não há o que comemorar, mas eventos como o HQ Mix atraem a atenção da mídia e isso, em última instância, acaba sendo algo benéfico.

Particularmente, estarei torcendo por duas indicações que terão meu voto. Uma delas é para o álbum Front Especial 100 Anos de Imigração Japonesa (categoria Publicação Mix), cujo prefácio é de minha autoria. A outra é a peça de teatro O Caderno da Morte (categoria Adaptação para outro veículo), adaptação do mangá Death Note e que tem meu amigo Miguel Atênsia no elenco. Ainda me lembro quando, na viagem de intercâmbio no Japão que fizemos em março de 2008, o Miguel comentou que seu grupo de teatro estava planejando negociar os direitos para adaptar Death Note, um dos mangás mais aclamados dos últimos tempos. Deu tão certo que virou sucesso de público e agora está concorrendo a esse importante prêmio.

Parabéns e boa sorte aos indicados!