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terça-feira, 31 de março de 2009

OFICINAS DE HQ

O projeto Fanzines nas Zonas de Sampa, da Coordenadoria do Sistema Municipal de Bibliotecas da Prefeitura de São Paulo, terá uma nova temporada de oficinas de HQ a partir de abril. Desde 2005, centenas de horas de aulas sobre quadrinhos foram ministradas em diversas bibliotecas da capital.

Fiquei responsável pelas aulas na Biblioteca José Paulo Paes, no bairro da Penha, zona leste. É a quarta vez que vou desenvolver uma atividade lá e é uma biblioteca onde tive alguns alunos realmente talentosos e promissores. As oficinas terão 3 meses de duração e todas vão culminar num grande encontro na Biblioteca Paulo Duarte (Jabaquara), em julho.

Minha oficina irá acontecer às quintas-feiras, das 13h30 às 16h30, com início em 16 de abril. Irei abordar técnicas de construção de figura e introdução ao roteiro que podem ser aplicadas a qualquer estilo de desenho. Não é necessário que o aluno seja habilidoso no desenho, apenas que tenha boa vontade e perseverança, pois sou bastante exigente com meus alunos. Não será permitida a entrada de alunos após iniciado o curso.

Veja a lista completa das bibliotecas participantes, seus professores e as datas no blog oficial do projeto: www.hqzineszonas.blogspot.com

As vagas são limitadas e os interessados devem se inscrever o quanto antes.

Biblioteca José Paulo Paes
Endereço: Largo do Rosário, 20 - Penha
Tel.: (11) 2295-9624 e 2295-0401
bmjoseppaes@yahoo.com.br

sexta-feira, 20 de março de 2009

Uma canção marcante em O Regresso de Ultraman (Hana, Taiyou, Ame - PYG)

Meu seriado japonês favorito é O Regresso de Ultraman (Kaettekita Ultraman, de 1971), uma dramática aventura cheia de ação, personagens bacanas e uma trilha sonora de cair o queixo. Porém, em um episódio específico, tocou uma única vez uma canção que eu simplesmente achei o máximo. 

Era o capítulo 34, onde aparecia um monstro-planta chamado Leogon, criado por um cientista insano que fora amigo de infância do herói Hideki Goh, alter-ego do Ultraman. A história fora escrita por um jovem de 16 anos chamado Shinichiro Kobayashi, que depois se tornaria um respeitado profissional.

No trágico clímax do episódio, quando o cientista era morto por sua criação, entrava uma canção maravilhosa e sentimental. A música embalava as memórias de infância do herói, quando ele brincava com o futuro cientista. A música não apareceu em nenhum álbum com a trilha sonora dos Ultras e eu achava que nunca ia descobrir que canção era aquela. Eis o trecho, intenso e emocionante.


Hoje, descobri graças à Wikipedia, que a música se chama Hana, Taiyou, Ame (ou "Flor, Sol, Chuva"), e foi um grande sucesso de uma banda chamada PYG. Depois, achei um clipe no Youtube, na verdade uma seleção de fotos da banda para acompanhar a música. 

Obviamente, se você não tem a música em sua memória afetiva por causa do episódio citado, o efeito de ouví-la será bem menor. Ainda assim, é uma grande canção do pop-rock japonês com influências folk de 1971, antes que definições como J-Pop e J-Rock fossem usadas para categorizar as músicas. Divirta-se!


quarta-feira, 18 de março de 2009

ESTUDO DE TRAÇO E COR

Aqui está um desenho feito rapidamente, como treino para uma linguagem visual dinâmica.

Na esquerda está o esboço bruto, sem retoques
, feito com lapiseira 0,5mm com grafite B em papel sulfite comum. Do lado direito, o mesmo desenho tratado no Photoshop. Primeiro, foi feito um ajuste de contraste (CTRL + M) para que a imagem ficasse mais bem definida. Depois, as cores foram aplicadas com brushes com baixa opacidade e baixo fluxo para um efeito mais aquarelado. A dificuldade aqui é passar espontaneidade e um ar de improviso.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Clipes musicais: A abertura de Dragonar, com Mami Ayukawa

No final dos anos 80, começo dos 90, comecei a procurar por animês e séries de tokusatsu em locadoras da colônia japonesa. Naquela época, não era fácil como é atualmente. Hoje em dia, é só ir num evento de mangá, ou ir no bairro da Liberdade (pra quem mora em São Paulo) ou procurar na internet que você acha fácil inúmeros DVDs "alternativos", legendados por fãs "pra divulgação" a preços bem acessíveis. Isso sem falar em downloads de séries inteiras

Naquela época, o que conseguíamos com muito garimpo eram fitas VHS surradas, gravadas e regravadas muitas vezes de programas de TV japoneses, com qualidade ruim (obviamente sem legendas) e você nem sempre era bem atendido em locadoras escondidas.

Mas eu tinha muita vontade em assistir coisas diferentes e acabei encontrando uma série com robôs gigantes chamada Dragonar (Kikou Senki Dragunar), produção de 1987 do estúdio Sunrise, o mesmo que produziu Gundam e Cowboy Bebop. Não sou muito apreciador de animês de robôs gigantes, mas achei bacana na época e fiquei fascinado pela música de abertura. Que ficou esquecida por muitos anos.

Muitos anos depois, vi o DVD do show Super Robot Spirits 2003, um evento japonês que reuniu cantores de anime songs interpretando grandes clássicos. E lá estava a música-tema de Dragonar, Yume iro chaser, cantada por Mami Ayukawa, na época com inacreditáveis 42 anos. 


A música é típica do cenário pré-J-pop dos anos 80 e me agrada bastante, mas não a reconheci de imediato. Demorou um pouco para que imagens da abertura de Dragonar viessem à mente. Depois, procurando no Youtube, achei a abertura do desenho, o que me deu um sentimento de nostalgia. Mais pela época e pela música do que pelo animê em si.
Confira abaixo a vibrante abertura de Dragonar:



E aqui a versão ao vivo, com Mami Ayukawa no Super Robots Spirits 2003 em grande forma:

sexta-feira, 13 de março de 2009

ILUSTRAÇÃO PARA CURSO DE ESPANHOL

A ilustração ao lado foi uma das várias produzidas para um dos livros da coleção Espanhol de Viva voz, da editora MacMillan. São 4 volumes destinados ao público adolescente, cada um ilustrado por um artista diferente.

A produção foi dividida em etapas. Primeiro, enviavam um texto e a medida do espaço que a ilustração deveria ocupar. Depois, eu enviava um esboço. Eventualmente, acertos precisavam ser feitos, de acordo ou com a editora ou com o estúdio que coordenava a produção. Depois, eu trabalhava os esboços à lápis no Photoshop, aplicando um colorido mais solto e rápido, estilo manchado. O resultado ficou algo bem dentro do meu estilo de desenho para quadrinhos mais autorais, coisa que não faço há muito tempo.

A produção gráfica é do estúdio Homem de Melo e Tróia Design, que tem na equipe a Ciça, amiga minha há quase 30 anos, desde o primário.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Desenhando Pokémon

Em 2000, no auge da febre Pokémon, a Conrad Editora licenciou um mangá da série. Um arco de quatro edições foi publicado, apresentando a arte de Yoshihiro Ono em formato americano, com as páginas ainda invertidas para se adaptarem ao modo de leitura ocidental. Naquela época, ainda não se pensava em manter a ordem de leitura oriental. O gibi foi um sucesso em bancas, batendo as vendas de 100 mil exemplares por edição.


Em cada uma das 4 edições, havia 2 páginas para a seção "Arte Pokémon", na qual eu dava dicas para as crianças desenharem os bichinhos, a começar pelo Pikachu. Trabalhei em cima do conceito de se esboçar formas geométricas para facilitar o esboço básico. Isso me permitiu sair daqueles esquemas frustrantes das aulas de desenho que já vistos em muitos gibis, onde desenhistas dão "dicas" que na verdade não usam por desenharem direto. Expliquei a importância do esboço e usei conceitos que normalmente uso em oficinas e cursos de desenho que ministro há mais de uma década. Reproduzo aqui as páginas da primeira edição, pedindo desculpas pela qualidade das imagens. Escanear papel velho exige um bom tratamento de imagem e estou meio sem tempo pra isso. Pelo menos está feito o registro desse trabalho que eu curti bastante ter realizado.

Acredito ter sido um dos poucos desenhistas brasileiros a produzir e assinar algum tipo de material oficial de Pokémon. O que foi muito divertido, pois naquela época eu assistia e realmente gostava desse animê, sobre o qual eu também escrevi algumas vezes.



quarta-feira, 11 de março de 2009

PROFESSOR CORUJA

Em 2005 e 2006, lecionei quadrinhos para a ONG Constelação, que atendia na região do Sapopemba, zona leste de SP, capital. Lá, conheci uma turma de garotos cheios de vontade de fazer do desenho seu ofício e que logo se tornaram mais que alunos, mas amigos. Com o tempo, tive a alegria de fazer algumas indicações e até trabalhar junto com alguns deles e ver que eles se portavam como profissionais de fato.

Agora, montaram um blog para divulgar os trabalhos do grupo, chamado Ilustrações S.A., que está se especializando na concorrida área das caricaturas. Há pessoas que não ensinam os macetes da profissão a alunos para não criar concorrentes. Eu não penso assim. Da mesma forma como eu tive minha chance, acho que outros também merecem, por mais que eu ainda esteja na batalha diária, "matando um leão por dia". Mas eu não os vejo como concorrentes, e sim como colegas de profissão e uma prova de que esforço e dedicação contam muito na vida. E ver eles produzindo é uma recompensa e tanto para o meu trabalho como professor.

Quando eu via o meu professor Ismael dos Santos falar com orgulho dos alunos que estavam no mercado de trabalho, não imaginava que um dia ia ter esse mesmo sentimento
.

Veja o trabalho do pessoal e entenda porque eu me sinto tão... corujão! :-)

- Ilustrações S.A.

segunda-feira, 9 de março de 2009

UM POUCO DE POLÍTICA

Apesar deste blog versar sobre assuntos ligados ao meu trabalho e cultura pop japonesa, abro agora espaço para algo mais sério - ou melhor, mais relevante. E que não deixa de estar ligado ao tema desenho. É a charge política, uma importante ferramenta da democracia. Não sou chargista, mas sempre gostei de ver boas charges, ainda mais sobre política, um tema que me interessa por lidar com fatos que interferem diretamente na vida de todos nós.

Desde os 12 anos, incentivado por um professor, gosto de política. Não sigo bandeira política alguma, já fui entusiasta do PSDB e PT e já anulei voto algumas vezes, apesar de não me orgulhar disso. Acontece que acompanhar e entender um pouco de política é algo fundamental para a vida de qualquer pessoa. E há os desenhistas que vivem de acompanhar política, que é o caso dos chargistas. Os bons chargistas são pessoas esclarecidas politicamente (mesmo que em alguns casos eu discorde da visão de alguns colegas) e constantemente antenadas com o que acontece no mundo. Precisam ter visão política e sociológica e passar com clareza suas idéias com traços simples e expressivos.

Um dos chargistas que mais me impressionou conhecer foi o Cláudio de Oliveira, autor do livro Pizzaria Brasil (Devir Editora, 2007). Uma verdadeira enciclopédia ambulante, o Cláudio é daqueles artistas dos quais eu gostaria de ter metade da bagagem cultural. A charge não precisa ser um desenho chamativo, mas no caso dele é. A ideia é tudo numa boa charge. Mas como é um caricaturista de mão cheia também, suas charges têm duas leituras: Primeiro, a crítica bem-humorada que é a razão de ser da charge. Depois, vem a apreciação do traço que capta os trejeitos e fisionomias dos personagens retratados.

Ele me mandou um texto interessante sobre a ditadura brasileira que eu gostaria de indicar. Leia aqui.

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Acompanhar o trabalho e o blog do Cláudio é como ter aulas de História e política em doses homeopáticas. Confira aqui.

domingo, 8 de março de 2009

38

Quando eu tinha 8 anos, via pessoas de 18 como "gente grande".
Quando eu tinha 18 anos, achava que sabia tudo.
Quando tinha 28, me dei conta de que não sabia nada.
Hoje completei 38. Muita coisa ainda não sei. Mas o que aprendi até aqui me impulsiona a querer mais.

E bola pra frente!
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Em um dia 8 de março, também nasceram:
- Tom Cavalcante, Hebe Camargo, Letícia Sabatela e o grande Mickey Dolenz, batera e vocalista dos Monkees, uma das minhas bandas favoritas.

No mundo da cultura pop japonesa, os aniversariantes de 8 de março são:
- Mitsuko Horie (cantora de anime songs), Rika Kishida (atriz da série Jetman) e Hiroshi Tsuburaya (o ator de Sheider - já falecido).

segunda-feira, 2 de março de 2009

VIAGEM AO JAPÃO: UM ANO DEPOIS

Há um ano, iniciei a maior aventura da minha vida. Como um dos selecionados para o programa de intercâmbio Jovens Líderes entre Japão e Brasil, fiz uma viagem inesquecível para a Terra do Sol Nascente, como convidado do MOFA - Ministry of Foreign Affairs (Ministério de Assuntos Estrangeiros) daquele país. Não foi um programa de intercâmbio como os que o consulado normalmente promove. Foi uma atividade única, comemorativa do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil.


Visitei lugares incríveis e conheci pessoas idem. Fiz novos amigos aqui e lá no Japão. Conheci quatro cidades (Tokyo, Oizumi, Hiroshima e Kyoto) em apenas uma semana - a semana mais intensa da minha vida.

Nosso grupo procura manter contato e alguns de nós já se reencontraram algumas vezes. A viagem ampliou também meus horizontes profissionais e significou um grande reconhecimento ao meu trabalho ligado à cultura pop japonesa. O sentimento que ficou é uma enorme gratidão às pessoas que tornaram tudo isso possível.

Veja (ou reveja) como foi minha viagem ao Japão aqui.