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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

BOAS FESTAS (O CARTÃO É VIRTUAL, O SENTIMENTO, NÃO)



Estava faltando por aqui meu cartão virtual - coisa que faço há anos. Eu deveria ter aprontado dias atrás, visto que nesta semana muitos já estarão viajando, mas antes tarde do que nunca. A vida não tem sido fácil, mas quando a gente lembra o motivo maior pelo qual seguimos em frente (e cada um certamente tem o seu), as forças se renovam. Boas festas e que venha 2010!

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

ENCERRANDO 2009

Esta é a última postagem do ano. Foi um ano bastante agitado e repleto de mudanças. Um ano de bastante trabalho e muito, mas muito, stress e aborrecimentos. Devo dizer que estou feliz por este ano estar terminando, mas ciente de que as dores de cabeça não terminam 31 de dezembro. Espero que o ano que vem não me faça ter saudades deste. Tenho projetos a serem divulgados no começo do ano e preciso me dedicar a eles se quiser que saiam do papel. Um, inclusive, está bastante atrasado e deve ser bem divulgado na mídia. Por isso, vou me afastar do blog e Twitter por um tempo, senão eu não consigo terminar nunca.

Aqui no blog, não foi possível postar muita coisa, mas obrigado por ter lido. Espero conseguir postar mais algumas coisas interessantes no ano que vem.

Tenha um Feliz Natal e um 2010 com muita paz e prosperidade. É o que eu espero pra todos nós. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

WORKSHOP DE ROTEIRO PARA QUADRINHOS


Na próxima semana, terei que ir até São Paulo me reunir com um novo cliente. Vou aproveitar a rápida estadia para dar uma workshop de roteiro para HQ no Instituto Cláudio Ayabe, onde já fiz atividades bem-sucedidas. A workshop será no sábado, dia 12 de dezembro.


As vagas são limitadas e as inscrições estão abertas. Os que fizerem a inscrição previamente deverão chegar com 10 minutos de antecedência e é recomendável que se leve material para anotações.



ROTEIRO PARA QUADRINHOS


A arte de contar bem uma história, seja para quadrinhos ou qualquer outra mídia (como o teatro e o cinema), passa pela organização de idéias e criação de personagens. Nesta workshop, o aluno vai descobrir que contar bem uma história envolve disciplina e lógica, aliadas à liberdade criativa. E que existem conceitos que são comuns tanto aos quadrinhos ocidentais quanto aos mangás, os quadrinhos japoneses. 

Já quando o assunto é criação sob encomenda e comunicação institucional, a clareza da narrativa, tão importante para tornar a leitura agradável, faz uma história em quadrinhos se tornar uma importante ferramenta de comunicação de idéias e valores.

A workshop vai abordar técnicas de roteirização para que o aluno entenda o briefing, plot, script, lay-out e storytelling. Tudo para começar a contar bem uma história ou transmitir uma mensagem com a linguagem dos quadrinhos.


DIA/ HORÁRIO

12.12.2009 (sábado) - das 9h00 às 12h30


LOCAL
Instituto Cláudio Ayabe
Endereço: Alameda dos Guatás, 2
31 - próximo a estação Praça da Árvore do metrô.
Tel.: (11) 2772-6213 


IDADE MÍNIMA
14 anos 


INVESTIMENTO
individual - R$ 45,00
em dupla - R$ 40,00 (cada um)

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- Maiores informações e inscrições: www.ayabe.com.br

- Focado em desenvolvimento pessoal, comunicação, arte e cultura, o Instituto Cláudio Ayabe tem uma programação bastante interessante que vale a pena ser conferida.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

CHAGE & ASKA - 30 ANOS DOS MESTRES DO J-POP

A dupla de maior sucesso da história da música pop japonesa completou 30 anos de carreira em 2009. Chage e Aska se conheceram na faculdade e venceram um concurso de novos talentos por dois anos seguidos. Estrearam oficialmente em 1979 e de lá para cá atraíram milhões de fãs com suas melodias fortes e vozes marcantes. Suas vozes, aliás, formam uma bela harmonia e esse é um de seus trunfos musicais. Aska compôs e fez a voz principal da maioria das músicas da dupla, mas na combinação com Chage surge uma sonoridade única. 

 Eles transitam da música folk para o hard rock com extrema desenvoltura, mas são mais conhecidos por suas músicas românticas. 

Em 1991 e 93, lançaram singles (Say yes e Yah Yah Yah, respectivamente), que venderam mais de 3 milhões de cópias cada, deixando eles entre os maiores sucessos comerciais da década. É deles o tema de encerramento do filme Street Fighter - A Última Batalha (1994), a bela Something There (a música, aliás, é bem melhor que o filme...).

Em 1995, mergulharam no mundo dos animês, fazendo a supervisão musical de Street Fighter II-V, que também teve os temas originais de abertura e encerramento compostos por Aska. No mesmo ano, tiveram o clipe da música On Your Mark escrito e dirigido pelo renomado diretor de animês Hayao Miyazaki. Em 1996, foram regravados por gente como Alejandro Sanz, Michael Hutchence, Chaka Khan e outros. Ainda em 96, foram os primeiros asiáticos a gravar um MTV Unplugged (Acústico MTV), e o fizeram em grande estilo, em Londres. Em 2002, foram escolhidos embaixadores culturais da Copa do Mundo do Japão e Coréia, tendo sido indicados pelos coreanos.

Ambos possuem carreiras solo e Chage manteve uma banda paralela, o Multimax, entre 1989 e 1999. Atualmente, ambos têm se dedicado mais a projetos individuais, o que sempre fizeram de tempos em tempos.

No Brasil, a rapaziada que curte J-Music hoje em dia (o que tem se tornado uma grande moda) não faz ideia de quem sejam os caras, conhecendo apenas anime songs, j-rock e cantores pop atuais. No Japão, o tempo de glória deles parece ter passado, pois não emplacam nenhum grande sucesso há muitos anos. O público que vai a seus shows é praticamente o mesmo que comprava seus álbuns há 10, 15 anos atrás. Por isso, eles continuam lotando estádios mesmo sem lançar nenhuma canção de sucesso há anos. A exemplo de lendas do rock como Paul McCartney ou Rolling Stones, construíram uma carreira repleta de clássicos que se alternam em suas turnês milionárias, independente de lançarem ou não material inédito com frequência ou de estarem sempre na mídia.


O aniversário de 30 anos de carreira da dupla passou meio batido no Japão, diferente do de 25 anos, que motivou concertos grandiosos. Na prática, eles estão separados, mas a marca conjunta é tão forte que eles mantêm ainda o site da dupla. Como já fizeram projetos em separado muitas vezes, não será nenhuma supresa se ainda gravarem algo juntos. Mas não é a presença na mídia que atesta sua qualidade e eles nunca seguiram moda, sempre se preocuparam mais com a música do que com o figurino e vêm encantando seus fãs há três décadas. Isso não é pouca coisa.


Love song - Unplugged live version (Inglaterra, 1996)


Reason - ao vivo (Japão, 2007)


On Your Mark - versão original de estúdio (1994)

Site oficial: www.chage-aska.net

sábado, 28 de novembro de 2009

CRÍTICAS TELEVISIVAS


Ontem, cometi um erro vendo TV. Assisti ao infame TOP TOP da MTV, com mais uma lista de bizarrices do mundo pop apresentadas por Marina Person e Leo Madeira. Eu tinha desistido de assistir depois que eles anunciaram uma vez uma banda japonesa muito estranha pra tirar sarro. Mas não disseram o nome e a tal banda era chinesa. Dava pra perceber, porque foneticamente são línguas muito diferentes. Por alto, vale lembrar que o japonês não usa "L" e o chinês usa bastante e é bem anasalado. Mas, oras, pra eles olho puxado é tudo igual...

Bom, voltando ao programa que vi ontem em questão: A lista mostrada era de figuras emblemáticas dos anos 80. Confesso que lista em si era divertida, com Cindy Lauper, Frankie Goes To Hollywood, Duran Duran e outros, mas chato foi ver o Metrô com um tratamento de muita má vontade. A carreira não se limitou só a "Beat Acelerado" (teve "Tudo pode mudar", "Ti Ti Ti", "Johnny Love"...) e a má vontade em pesquisar sobre a banda era evidente. Na hora de citar outro ícone dos anos 80, o Leo Jaime, a apresentadora disse que o Leo não era só cantor e compositor, era também ator, escritor, colunista, etc, etc... A cara de deboche dela mostrou o que ela devia estar pensando ("Grande coisa, eu sou melhor que ele.").

E o gran finale foi eleger o Band Aid (o projeto de música beneficente inglesa, não o curativo) o símbolo máximo do que a década de 80 produziu de mais ridículo. Ok, eles destacaram que a escolha foi porque o evento ocasionou a maior reunião de cabelos e roupas esquisitas daquela época (e foi mesmo). Mas também disseram que a música (criada para angariar fundos para os famintos da África e inspirou o We Are The World) despertou os sentimentos mais bregas e piegas do mundo. Olha, ainda bem que meu senso de humor não me permite rir de iniciativas que buscam ajudar crianças que morrem de fome. Ah, também não citaram que a música em si era a "Do they know it´s Christmas?".  

Enfim, a culpa foi minha por ter dado outra chance para aquele programa, que tem uma premissa legal, mas que é executado de modo irritante. Obviamente, os apresentadores estão interpretando personagens quando estão no TOP TOP. Mas são personagens insuportavelmente idiotas.


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Em outra ocasião, citaram o Roupa Nova como o maior "cachorro morto" da música brasileira porque lá, até o baterista canta. Bem, tomando esse argumento tosco, o que dizer do Genesis com Phil Collins e dos Monkees com Mickey Dolenz, só pra citar dois bateristas com vozes fantásticas? Ah, e o batera Ringo Starr cantou alguns dos maiores clássicos dos Beatles, como "Yellow Submarine" e "With a little help from my friends". Genesis, Monkees e Beatles também foram bandas "cachorro morto" por deixarem até o baterista cantar? Em boca fechada não entra mosca, mas a dupla de apresentadores não deve achar que precisam pesquisar ou pensar antes de falar, afinal estão na TV, são descolados...  

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Assisti também o Furo MTV, com notícias gerais comentadas com ironia e cinismo. Divertido, inteligente e politicamente incorreto. Dá pra fazer isso sem ser um mala que se acha o máximo.

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Zapeando mais um pouco, vi uma apresentação de Supla e seu mano João Suplicy, o Band of Brothers, no Programa Novo, da TV Cultura. Som bacana, divertido e com uma pegada interessante, explorando só violão e bateria. Vou dar uma conferida. Aliás, eu gostava muito da banda Tokyo, que marcou a estréia do Supla lá nos anos 80. Tanto que escrevi sobre eles no Omelete. Leia aqui.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

MANGÁ E CULTURA POP JAPONESA NO ANGLO DE ILHA SOLTEIRA

No dia 2 de dezembro, irei apresentar uma palestra sobre mangá e cultura pop japonesa no Colégio Anglo ISA (Ilha Solteira). O assunto tem sido presença constante em minha carreira e certamente é o tema que eu mais apresentei em palestras pelo Brasil.

A atividade é aberta ao público em geral e o convite se estende também aos moradores de Andradina, Pereira Barreto, Itapura, Suzanópolis e demais municípios da região.

Conteúdo:
- As origens do mangá e sua explosão como meio de comunicação de massa. 
- A presença do mangá no Brasil e a produção do mangá brasileiro, incluindo as diferenças entre os mercados dos dois países.
- Características e peculiaridades do estilo de quadrinhos mais popular do mundo.
- O Japão como um centro produtor de cultura pop, fazendo de termos como animê, mangá, otaku, J-Pop, tokusatsu e cosplay palavras recorrentes no vocabulário de milhões de jovens no mundo inteiro.
Duração: aprox. 90 min.

Serviço:
PALESTRA - MANGÁ E CULTURA POP JAPONESA
Data:
2 de dezembro (quarta)
Horário: 19h00

- Entrada franca
Local: Anglo ISA
Endereço: Alameda Bahia, 490 - A - Ilha Solteira /SP - CEP: 15.385-000 
Fone: (18) 3742 2350

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Antes, no dia 30 de novembro, darei uma palestra aos alunos do Anglo Ilha Solteira. A palestra terá como tema a profissão de desenhista. Nela, irei falar sobre como aqueles alunos interessados em desenho podem buscar uma opção de carreira. Será uma abordagem semelhante à apresentada no começo do ano, no evento Animepan, de Recife (PE). Como será uma palestra fechada, estou apenas comentando no blog.

domingo, 22 de novembro de 2009

PRÊMIO ANGELO AGOSTINI E OS MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL


A AQC-ESP (Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo) iniciou o processo de votação para escolher os melhores do quadrinho nacional deste ano. É o Prêmio Angelo Agostini, bastante tradicional e respeitado entre os profissionais do meio. Envio meus votos anualmente e já tive a honra de entregar o troféu a alguns homenageados em diversas ocasiões (apesar de nunca ter ganho nada...).

Porém, tenho lido muito pouca coisa de HQ e menos ainda de HQ nacional. Até pensei em votar pra ajudar alguns amigos, mas não ia ser algo muito honesto da minha parte. Se não li material suficiente pra formar opinião, pra ter parâmetros, melhor nem tentar.

Já na categoria Mestres do Quadrinho Nacional, devem ser escolhidos três veteranos que tenham contribuído para os quadrinhos brasileiros. A lista, publicada para refrescar a memória, não me deixou dúvidas.

MEUS VOTOS PARA MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL

Franco de Rosa - Em 1982, vi incrédulo na banca um gibi chamado Robô Gigante, co-estrelado por Ultraboy. Apesar da semelhança óbvia com heróis japoneses, eram criações nacionais que pegavam carona na popularidade de outros personagens. Ultraboy tinha desenhos do Franco. Anos depois, comecei a ler suas matérias sobre HQ na Folha da Tarde. Toda semana, eu comprava a FT só pra ver a coluna do Franco (claro que depois eu lia o resto). Eu me deliciava em ler sobre a diversidade de quadrinhos que ele divulgava com textos que eu relia diversas vezes, o que sem dúvida influenciou meu trabalho como escritor. Tive algumas poucas chances de trabalhar com ele e o considero um grande sujeito.

Ataide Braz - Lá pelo final dos anos 80, comprei o Drácula de Ataide Braz (roteiro) e Neide Harue (arte), da Ed. Sampa. Da mesma dupla, também li Skorpion. Historias ágeis e descomprometidas, com bastante ação e toques de erotismo. Eram trabalhos de estética mangá, quando não se achava nada parecido nas bancas. Aliás, Neide Harue também deveria ser indicada, como uma pioneira entre autoras de mangá brasileiras. O trabalho da dupla não chegou a me influenciar tecnicamente, mas foi uma grande inspiração.

Eduardo Vetillo - Eu era um grande fã do seriado Spectreman, exibido na TV Record e posteriormente no SBT. E no comecinho dos anos 80, a Bloch publicava um gibi nacional com as aventuras do intrépido defensor do meio ambiente e combatente de monstros gigantes. A arte era de Eduardo Vetillo, que também publicava no gibi dos Trapalhões, um programa que eu também adorava. Eu achava engraçado que algumas cenas de personagens caindo meio desajeitadamente (fosse o Mussum ou o próprio Spectreman) entregavam quem era o desenhista, mesmo que o estilo geral usado fosse bem diferente. A expressão corporal dinâmica que ele usava entregavam a origem dos traços e eu achava tudo muito divertido.

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Eu sei que declarando assim meus votos estou sendo tendencioso. Mas, ora bolas, todo texto é tendencioso. Este aqui é assumido.

O criterio que usei para escolher os três veteranos não se baseia somente no reconhecimento da importância deles na construção da História dos quadrinhos no Brasil. Meu criterio aqui foi emocional. Quando eu era garoto e via os nomes deles em revistas, eu não estava apenas esperando uma leitura divertida. Eu estava me enchendo de sonhos e esperanças.

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Veja como enviar seus votos no site Bigorna.net ou clique aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

CLIPE MUSICAL: IN MY LIFE (RIN')



Em janeiro de 2008, um evento em São Paulo, capital, abriu as comemorações oficiais do ano do Centenário da Imigração Japonesa no Brasil. Em um evento somente para convidados, músicos brasileiros e japoneses criaram momentos de pura magia. Tive a honra de estar entre os felizes convidados e foi lá que eu descobri o grupo japonês Rin'


Um jovem trio feminino que se utiliza de instrumentos japoneses com suaves acordes dissonantes, o Rin' faz uma estilosa releitura de músicas tradicionais. 

Recentemente, descobri uma raridade do grupo no Youtube. Trata-se da participação delas em um tributo ao ex-Beatle John Lennon. Na ocasião, registraram uma interpretação hipnótica e irresistível de In My Life, uma das mais belas composições escritas por Lennon.

A música foi gravada pelos Fab Four em 1965 para o álbum Rubber Soul. Sem querer apenas tocar a canção com instrumentos japoneses, mas também dando seu toque pessoal em cada momento, a versão do Rin' é encantadora e poderia ter agradado muito ao próprio Lennon. Assim como eu espero que agrade a você. Divirta-se.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

ARTISTAS E CLIENTES

Aqui vai uma dica de leitura para ilustradores, designers, desenhistas e artistas em geral. Já postei no Twitter, mas como lá a informação é muito efêmera, resolvi reforçar aqui no blog.

É um texto assinado pelo artista Morandini onde ele expõe aquele velho problema de muitas pessoas não saberem valorizar ou não entenderem o valor de um trabalho artístico. A rapidez vira argumento ("pô, você desenha rapidinho..."), a divulgação vira argumento ("vou indicar você pra quem eu puder") e por aí vai. O texto resume muito bem as situações. Mas o melhor ficou para o final. Um vídeo absolutamente hilário chamado "Designers vs Clientes". Apresenta situações de cotidiano em que clientes usam com um garçom, um balconista de loja e um cabeleireiro os mesmos argumentos que geralmente usam com ilustradores, desenhistas e artistas em geral.

A dica foi do meu ex-aluno Leonardo Obara. Divirta-se!


E se você quiser assistir direto ao vídeo porque já leu muito sobre esse assunto aqui no Sushi POP, confira abaixo. É rir pra não chorar.




Leia também:
Divulgação x Trabalho

Dando aquela força

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

DESAFIOS DE UM DESENHISTA

Novamente, abro espaço aqui no blog para um autor convidado. De volta ao Sushi POP, o veterano e premiado quadrinhista Arthur Garcia assina um belo texto sobre os desafios da profissão. Para ler e se inspirar.

O CAMINHO DAS PEDRAS

Há muitos anos, dois jovens iniciantes ansiavam por criar histórias em quadrinhos de aventura, contudo, a maioria das revistas e ilustrações de então eram destinadas ao público infantil. Desanimado, um dos amigos decidiu-se por seguir uma outra carreira; já o outro, porém, desejando se tornar desenhista, buscou um emprego como assistente de um famoso artista da época, e aprendeu as técnicas da ilustração infantil.  


Alguns anos se passaram e, ainda ansiando criar histórias de aventura, o jovem assistente encontrou trabalho em uma agência de publicidade, não mais como assistente, mas como ilustrador e layout man. Ainda não era o que desejava, mas aceitou o desafio e aprendeu sobre composição, montagem, processos gráficos, etc.

Pouco tempo depois, surgiram propostas para que ele voltasse ao campo editorial e se encarregasse dos desenhos de vários quadrinhos infantis. Claro que o desenhista desejava trabalhar com histórias de aventuras, mas amando o mundo das HQs, ele não poderia recusar as propostas, e lá se foi para mais esta empreitada.

Mas o mundo dá voltas e, como ele, o mercado editorial também tem os seus ciclos. Anos depois, o gênero de aventura florescia e o nosso artista, já um profissional conhecido, era chamado para exercer o seu ofício no campo que desejava. Havia passado por vários estilos e gêneros durante os anos anteriores e o que mais o surpreendia é que, agora, se deliciava com todos. Percebeu que se um dia o mercado desse outra virada, não seria para ele uma decepção, mas sim um desafio.

Se eu conto esta história é para que todos tenham em mente que, quanto mais completos forem como artistas maior será o prazer que conseguirão retirar dos seus trabalhos. Treinem todos os gêneros de desenho e estejam abertos a todas as propostas profissionais, assim como o grande mestre Osamu Tezuka, que desenhou mangás de aventura, infantis e para garotas. 


Ah! É claro que a história acima é a minha história. E aquele meu amigo que desistiu do desenho também acabou encontrando a felicidade... como DJ.


Arthur Garcia

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

PATRULHA ESTELAR E ULTRAMAN SE ENFRENTAM NOS CINEMAS JAPONESES

Depois de muito tempo sem postar nada no portal Omelete, resolvi mandar duas notas em sequência. Já fui colaborador atuante, mas ultimamente, a falta de tempo e interesse me afastaram dessa atividade. 

Porém, com dois assuntos - Patrulha Estelar e Ultraman - de que gosto com novidades interessantes, resolvi escrever. Ambas as séries irão estrear novos filmes para cinema no dia 12 de dezembro. Como se fosse pouco, ainda há o novo filme da franquia Kamen Rider. Na verdade, são dois especiais de cinema exibidos juntos, e não um filme só.

No meio dos fãs, são notícias velhas, mas para o público geral ou "normal", poderiam interessar bastante. Escrevi colocando a informação num contexto geral, mais para situar o leitor do Omelete no que está acontecendo com duas das mais importantes sagas da cultura pop japonesa.

Primeiro, foi uma nota publicada no dia 9 sobre o mais recente longa da Patrulha Estelar. Se ainda não viu, leia a nota abaixo antes de prosseguir:


A outra nota, que entrou dia 12, fala sobre a franquia Ultra, que continua uma marca bastante forte e conhecida no Japão. Agora sob a distribuição da poderosa Warner Bros, o estúdio Tsuburaya caprichou num filme digno de cinema.


Agora, no blog, posso usar uma linguagem mais pessoal e tentar me comunicar com um público mais hardcore, mais especializado mesmo. Dentro da cultura pop japonesa, são dois dos meus títulos favoritos e me dou o direito agora de jogar uma conversa fora.

REFLEXÕES SOBRE A NOVA PATRULHA ESTELAR

Claro que, como grande curtidor do Yamato, vou conferir a nova aventura em DVD, assim que sair. Achei uma pena o Leiji Matsumoto ter ficado de fora por causa da briga judicial envolvendo direitos autorais com o produtor Yoshinobu Nishizaki. Felizmente, o design que ele criou para o Yamato foi mantido. Teria sido uma heresia terem mudado. Aliás, já mudaram uma vez, na infame série para vídeo Yamato 2520, lançada na década passada. Foi um fiasco, apesar do visual do conceituado Syd Mead.

Voltando ao novo Yamato, apesar de vídeos de fãs estarem circulando com a música clássica (um dos quais foi pescado no Omelete), haverá uma nova trilha, especialmente uma nova canção-tema. A inglória tarefa de ocupar o lugar de uma das mais emblemáticas músicas de uma série coube ao grupo The Alfee. Veteranos do J-pop, não há dúvida de que eles poderão fazer um grande trabalho. Mas pra mim, será uma pena não ouvir a voz de Isao Sasaki cantando a empolgante música-tema.

Pelo que vi dos créditos, o tema original será tocado em algum momento, pois há a menção ao nome do compositor e maestro Hiroshi Miyagawa como autor da trilha original. Talvez façam semelhante ao que o diretor Brian Singer fez no filme Superman - O Retorno, que apresentou, levemente modificado, o tema original dos anos 70 para não desapontar os fãs. 

A história irá mostrar alguns personagens envelhecidos, mas deve se focar em novos heróis. Agora, estão usando pesadamente a computação gráfica e o resultado deve ficar bom. Só espero que o senso de grandiosidade e drama sejam mantidos. Uma das coisas que não gosto dos animês modernos é a presença constante de adolescentes histéricos. Não há espaço pra isso no universo mais maduro que sempre marcou as aventuras do Yamato. Só nos resta aguardar. 

REFLEXÕES SOBRE O FILME DOS ULTRAS 


É ótimo ver de novo os velhos Hayata e Dan Moroboshi. Mas saber que outros três veteranos foram chamados apenas para dublar os heróis transformados foi bem decepcionante. Talvez o roteiro não tivesse espaço para eles aparecerem. Se isso for perceptível, ou seja, se o roteiro estiver bem amarrado e aproveitado, tudo bem.


O filme anterior, A Grande Batalha - Os 8 Super Irmãos Ultra foi bem interessante e com grandes momentos. Mas o roteiro de Keiichi Hasegawa foi um tanto confuso. Perderam a primeira metade do filme para explicar sobre dimensões paralelas, a fim de localizar numa mesma realidade os alter egos dos Ultras vindos de mundos diferentes em um enredo totalmente novo. Mas quando surge o perigo, eles se "lembram" que são heróis em outra dimensão, se transformam e vão à luta como se isso fosse normal, jogando toda a lógica para o espaço. Aliás, o final é das coisas mais incrivelmente acéfalas que já vi na vida, mesmo levando em conta o tipo de filme que é. 

O longa dos 8 Ultras também foi excessivamente focado em mostrar pontas e participações especiais e dar espaço aos atores que interpretam os heróis e suas companheiras. Foi um filme dos humanos. Dessa vez, parece ser muito mais um filme de ação dos Ultras. E as cenas de ação, nota-se, parecem dignas de cinema.

Conforme citei na matéria do Omelete, há a presença de Junichiro Koizumi no elenco de dubladores, além de alguns atores originais. Mas o peso do cast de vozes vai mais além, pois Ultraman Zero será dublado por Mamoru Miyano, conceituado dublador que já emprestou sua voz para Light Yagami, na versão em animê do aclamado mangá Death Note

Outro ponto interessante do filme será trazer de volta o personagem Asuka e seu alter-ego, Ultraman Dyna. Vagando perdido entre universos e dimensões desde o final de sua série em 1998, Dyna será trazido ao Universo Ultra clássico. Há fãs que consideram que tudo se passa num mesmo universo, mas isso cria incongruências incompatíveis entre as séries. 

Mesmo vagamente, a produtora estabelece que existem universos distintos em suas produções.  A Tsuburaya sempre deu um tratamento meio vago à cronologia de suas séries. Em Ultraman Moebius, tentou-se estabelecer um "universo clássico", que engloba as séries originais até 1980 e depois pula para Moebius, em 2006. 

Ultra Seven teve aventuras em 1994, 98, 99 e 2002. Pelo que foi visto nelas, as aventuras se passaram em um mundo que conheceu apenas Ultra Seven, apesar de Baltan (inimigo do Ultraman) e alguns outros aparecerem em fotos no início do primeiro dos filmes especiais de Seven. 

Muitos outros Ultras foram imaginados como pertencendo a universos paralelos ou alternativos. Porém, alguns deles irão aparecer no novo longa, como Ultraman Neos, Great, Powered e Max, cujas séries foram feitas antes de Ultraman Moebius e completamente ignoradas para efeito de cronologia, apesar de aparecerem no novo filme. Como a história do filme se passa no futuro, pode-se imaginar que os citados Ultras podem ter vivido aventuras depois de Moebius. É uma desculpa meio esfarrapada, mas que acaba fazendo algum sentido. Ou isso, ou eles podem até ser imaginados como sendo versões do "universo normal" de Ultras que tiveram séries próprias em outros universos. Bom, mas independente desse papo todo, o que vai importar mesmo é se o filme será bom. Se terá um roteiro bem amarrado e consistente em si, se a produção será tão boa quanto parece nos trailers e se o filme, no final das contas, for uma obra digna de cinema.

E com distribuição da Warner Bros, tema do filme interpretada pela badalada cantora Misia e um ex-Primeiro Ministro entre seus dubladores, pode-se dizer que os Ultras nunca foram tão mainstream.

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É extremamente difícil e frustrante diagramar postagens com varios elementos aqui no Blogger. Espaços aparecem do nada, formatações que se alteram sozinhas... É um saco editar nesta porcaria. Estou pensando em mudar para a Wordpress. 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

VENDENDO DESENHOS POR QUILO

O tema da valorização profissional, volta e meia, é assunto aqui no blog. Se procurar na lateral  o marcador "Dicas para desenhistas", verá muito do que eu penso sobre o assunto. Também já falei aqui sobre a importância de saber cobrar bem, de se valorizar como profissional, etc...

Por isso, não posso deixar de comentar algo que realmente incomodou descobrir. Há tempos, tenho ouvido falar de um grupo de caricaturistas que montou quiosques por São Paulo (capital). São jovens talentosos e competentes. E que cobram um preço ridículo para uma caricatura de casal que pode ser usada em convite de casamento. O valor "por cabeça" de caricatura que eles fazem é de um preço muito baixo, que não leva em conta que desenhar bem e rápido não é pra qualquer um e que não dá pra vender uma ilustração exclusiva a 20 reais. Não dá pra competir com um preço desses e esses garotos só podem aceitar isso porque são muito jovens e devem estar felizes por ganhar um trocado fazendo o que gostam.

Mas isso não é brincadeira, é todo um mercado de trabalho que está sendo detonado por uma prática infeliz de se ganhar pelo atacado, de vender desenho de baciada e ganhar na quantidade. E eles são bons. Como disse, não ataco o trabalho deles, mas a postura inconsequente de cobrar baratinho pra conquistar terreno. Depois, vai ser difícil pra eles subir o preço para algo mais justo e nivelado com os bons profissionais há mais tempo no mercado.

Espero que cada um deles, um dia, perceba o estrago que fez na própria carreira. Porque um dia eles vão envelhecer e se dar conta de que as necessidades financeiras de um adulto independente são bem diferentes das de alguém mais jovem que vive com os pais. E aí, alguns deles vão largar o desenho, dizendo que não dá pra viver de desenhar. Se o estrago fosse só nas próprias carreiras, tudo bem. Mas quando um grupo numeroso chega com um bom trabalho e cobrando absurdamente pouco, o estrago é no mercado como um todo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

ESBOÇANDO DIGITALMENTE



O esboço aqui apresentado foi feito diretamente na tela do computador, com o Photoshop sendo usado através do meu novo brinquedo (digo, ferramenta de trabalho), uma tablet G-Pen F509, da Genius. Pra quem não sabe, trata-se de uma prancheta que é acoplada ao computador e tem um mouse em forma de caneta, o que permite controle total do traçado. A que estou usando é uma tablet simples e comprei pensando em somente colorir desenhos, já que ela não é das mais indicadas para traçados muito detalhados ou complexos. Sua caneta, que substitui um mouse perfeitamente, permite um razoável controle de pressão, conseguindo imitar traços de pincel. Com paciência, dá pra pegar prática em alterar as opções do Photoshop e tirar melhor proveito das propriedades do equipamento para cada traçado, cada situação que o desenho exige.

Certamente, continuarei desenhando no papel e escaneando a arte. Mas agora é possível retocar desenhos facilmente com a tablet. Vinhetas e ilustrações mais estilizadas podem ser feitas tranquilamente direto na tela, facilitando muito a vida do desenhista profissional.

Eu já fui bastante resistente a algumas inovações, mas agora, mesmo sem ainda dominar a nova ferramenta, recomendo aos colegas profissionais. Agora, quem ainda está no começo, estudando ainda fundamentos básicos do desenho, não pode deixar o lápis (ou lapiseira) de lado, de jeito nenhum. A finalização digital pode até encobrir falhas de construção no desenho, mas somente para olhos amadores. A essência do traço ainda é – e sempre será – o toque humano. E isso só pode ser aprimorado com os dedos sujos de grafite e tinta.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

ATUALIZANDO...

Desde o dia 16 de outubro, estou morando com minha família em Ilha Solteira, uma pequena e simpática cidade no limite de São Paulo com o Mato Grosso do Sul. Daqui, continuo prestando serviços para meus clientes. Obviamente, há os trabalhos presenciais (como as caricaturas em festas), mas estes eu tenho repassado a profissionais da mais alta confiança e estima.


Peço desculpas aos leitores deste blog pela demora em atualizar, mas tenho usado serviços de lan house enquanto não consigo instalar internet em minha casa. Por isso, tenho feito somente algumas atualizações via Twitter. Descobri que a Telefonica/Speedy aqui consegue ser pior do que na capital, com prazos absurdamente longos e vagos para se atender a solicitações de instalação de internet. E a opção de internet via rádio é demasiado cara para uma velocidade insuficiente, de 150 ou 200 Kbps. Mas é a única alternativa para se escapar das garras atrapalhadas da Telefonica. Realmente, tranquilidade e praticidade são palavras que dificilmente andam juntas...


Vim pra cá com um serviço grande pra entregar e estou conseguindo cumprir cada etapa, felizmente. Tenho me esforçado para manter trabalhos e contatos em dia, mesmo que alguns projetos tenham sido jogados para algum dia num futuro distante. As prioridades são os trabalhos em andamento. E hoje resolvi atualizar o blog, mais pra dar uma satisfação aos leitores.


Na medida do possível, irei postando textos como antigamente. Por ora, obrigado pela paciência e continue de olho no Blog Sushi POP. Cuide-se e até breve!

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

PARTINDO DE SÃO PAULO


Um aviso geral aos leitores: Estou de mudança de São Paulo. Vou com minha família para Ilha Solteira, na divisa com o Mato Grosso do Sul, buscando uma melhor qualidade de vida. É uma cidade distante, mas onde temos parentes e condições de começar bem uma nova fase. Já estive lá muitas vezes e digo que é uma cidade bem simpática, com ar puro (essencial para quem tem alergias) e um ritmo mais tranquilo.


Continuarei prestando serviços de HQ, caricatura e ilustração, tudo via internet. Como aliás, tenho feito nos últimos anos. E há também algumas ideias para colocar em prática em minha nova cidade.



Além das facilidades da cidade grande, sentirei uma enorme falta dos parentes e dos muitos amigos que tenho mantido ao longo da vida. Despedidas não são nada fáceis e meu coração está bastante apertado. Mas tenho recebido mensagens, telefonemas e visitas de gente desejando boa sorte e eu tenho certeza de que, com tanta gente boa vibrando tão positivamente, as coisas só podem dar certo mesmo.


Eventualmente, voltarei a SP quando necessário. Se a mudança será definitiva ou por uma temporada limitada, é cedo para dizer. Em minha mente tenho planos, que podem mudar conforme os dias e meses forem passando. 


Na vida, não são os mais fortes ou inteligentes que sobrevivem. São aqueles mais capazes de se adaptar a mudanças. E a Vida sempre nos surpreende e nos empurra a seguir em frente.


Para quem quiser continuar mantendo contato, continuarei usando meu e-mail (nagado@nagado.com ) para mensagens pessoais e o Twitter (www.twitter.com/nagado) para algumas postagens eventuais.


Quando eu estiver bem instalado, este blog será atualizado, direto de Ilha Solteira.
Até lá e obrigado pela atenção.




segunda-feira, 21 de setembro de 2009

J-POP: O PODER DO POP-ROCK NIPÔNICO

Em 2008, em meio às comemorações e homenagens ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, até o São Paulo Fashion Week, badalado evento de moda, deu sua contribuição. Sua revista oficial, a ffw Mag! (Lumi 05), dedicou uma edição inteira ao Japão, com abordagens históricas, sociais, culturais das mais variadas com uma grande variedade de autores.

A mim, coube um texto sobre música jovem. Música é um assunto que me interessa tanto quanto HQ e foi bem divertido produzir o texto. Foi também muito gratificante participar da publicação, que coloca seu nome na capa, inclui biografia e foto no interior e - principalmente - remunera justamente seus colaboradores. Respeito artístico e profissional à toda prova.

O que segue abaixo é uma revisão do texto original, sendo que o que foi mostrado na revista passou por edição, ficando menor para se adequar tanto ao espaço disponível quanto às normas e padrões editoriais. Espero que goste.

J-Pop!

Música japonesa para o ocidente ouvir

O J-pop é o equivalente japonês da música pop internacional, mas o idioma é apenas uma das características que o distingue de outros segmentos da música. Do rock mais grandioso às baladinhas açucaradas, o J-pop movimenta uma indústria milionária e diversificada, que aos poucos vai se mostrando para o mundo. Mas muito antes do movimento atual, uma música japonesa fez o mundo todo assobiar.

IDENTIDADE PRÓPRIA X ARMAÇÕES DA MÍDIA

Na década de 1960, antes de definições e rótulos, a música "Ue wo muite arukou" (ou “Caminhando e olhando para cima”), deliciosa pérola pop do cantor Kyu Sakamoto, ganhou o mundo sob o título "Sukiyaki". O nome foi sugerido pelos executivos da gravadora que lançou a música no ocidente. Mesmo sem que a música em questão tivesse algo a ver com o prato, o
título foi escolhido por sua sonoridade oriental. O pop da época é chamado de "kayokyoku", um rótulo em geral associado às canções populares feitas até 1989, quando terminou a era "showa" e começou a era "heisei",  seguindo uma definição tradicional baseada no imperador que está no trono.

Sukiyaki fez sucesso na Europa, nos EUA e foi regravada várias vezes no Brasil: "Olhando para o céu" ganhou voz nos anos 60 pelo Trio Esperança, nos anos 80 pelo grupo Patotinha, nos anos 90 por Daniela Mercury e em 2008 por Jair Rodrigues. Sukiyaki representava um lado mais alegre e jovial da música japonesa, tradicionalmente mais formal, e pode ser considerada uma ancestral do J-pop. O rock e o pop começavam a ensaiar passos tímidos no Japão dos anos 60, quando a visita dos Beatles ao país em 1966 atraiu a atenção de toda a população e foi uma inspiração para gerações de artistas, que até hoje seguem influências ocidentais.

O J-pop representa mais um segmento de mercado do que um gênero musical, numa salada que mescla rock, música romântica, technopop, dance music, rap, reggae e o que mais aparecer pela frente. Isso em meio a inúmeros hits cuidadosamente planejados por produtores e empresários. Não faltam diversas boys bands e girls bands, seja na linha Backstreet Boys, Menudo ou Spice Girls. Com talento irregular e apoiados por coreografias ensaiadas e produção requintada, dezenas de novos ídolos são lançados anualmente. Muitos não passam do primeiro trabalho, num mercado sempre interessado em carinhas novas.

Mas além de estilos e armações, há uma marca sonora inconfundível presente em todo artista pop japonês, que é o uso sem cerimônias do idioma inglês misturado ao idioma local. Além de nomes de bandas e títulos de músicas, frases e palavras soltas em inglês – com eventuais erros gramaticais, aparecem em quase toda canção de J-pop, geralmente com uma pronúncia adaptada ao modo fonético japonês, onde a palavra “friend” vira “furendo”, por exemplo. Desde o começo foi assim, e essa característica ganhou força na década de 1980. Naquela década, ao lado de tantas armações de gravadoras com garotinhas de voz parecida e carinhas angelicais, alguns artistas de grande qualidade deixaram marcas autorais.

Nomes como Anzen Chitai, Chage and Aska, The Checkers, Seiko Matsuda, Mr. Children, Dreams Come True, Southern All Stars e outros consolidaram o espaço do pop honesto e de qualidade entre o público japonês.

Mas nenhum deles foi tão absoluto quanto Tetsuya Komuro. Líder da banda TM Network (ainda nos anos 80) e posteriormente da globe (escrita com minúscula mesmo), o tecladista, cantor e compositor Tetsuya Komuro se estabeleceu como o midas pop da mídia japonesa. Ele dominou quase toda a década de 1990 com sucessivos hits de technopop, escritos e produzidos para vozes femininas, como Namie Amuro, Tomomi Kahala, Ayumi Hamasaki e Ryoko Shinohara. Ainda, uma das protegidas de Tetsuya Komuro ajudou a revolucionar costumes e até a moda no Japão.

A cantora e dançarina Namie Amuro (foto ao lado) veio da região de Okinawa, no extremo sul do Japão, um reino independente anexado e depois transformado em província. Okinawa tem clima tropical, idioma, costumes e religiosidade próprios, além de um biotipo com pele morena e olhos maiores e com dobras nas pálpebras, o que os diferencia mais facilmente do resto do povo japonês. O estouro de Namie Amuro no começo nos anos 90 desencadeou uma explosão de astros pop de Okinawa. Na esteira dessa “invasão okinawana”, o bronzeamento artificial começou a ser feito por muitas jovens, a fim de conseguir uma pele mais morena.

Outras cantoras, como Ayumi Hamasaki, começaram a popularizar nas grandes cidades o tingimento de loiro entre muitas colegiais, bem como cirurgias para aumentar a abertura dos olhos, fora as dobras nas pálpebras (normalmente ausentes em olhos nipônicos).


As musas dos anos 90 trabalharam uma imagem próxima das estrelas internacionais, com uma postura mais forte e sensual que influenciou tanto a moda quanto o comportamento, em oposição às angelicais e pueris pop idols dos anos 80. Ainda na década de 1990, surgiu a cantora e compositora Hikaru Utada, na verdade uma estadunidense filha de uma ex-cantora japonesa. Garota-prodígio aos 16 anos, quando estourou com "First love "(9 milhões de singles vendidos desde 1999), ela ganhou fãs no mundo inteiro e até no Brasil a música foi tocada, através da rádio Antena 1. Assinando apenas Utada ou Cubic U, lançou alguns trabalhos nos EUA, mas ainda não vingou para a grande mídia ocidental, um desafio para muitos artistas japoneses.

RUMO AO OCIDENTE

 Influenciados por Beatles e música folk, a dupla Chage and Aska teve dois singles, "Say Yes" e "Yah Yah Yah" (de 1989 e 1993, respectivamente) entre os 10 mais vendidos da história no Japão, com vendas acima dos 3 milhões de cópias cada. Em 1994, gravaram a canção em inglês "Something there", tema de encerramento do filme Street Fighter – A última batalha, baseado na popular franquia de heróis dos games. Em 1996, gravaram um sofisticado MTV Unplugged em Londres, sendo os primeiros artistas japoneses a fazer isso. No mesmo ano, foram regravados por nomes como Alejandro Sans, Maxi Priest e Boy George para o álbum One Voice – The Songs of Chage and Aska. Com isso, ganharam algum reconhecimento no mercado europeu, mas não conseguiram levar isso ao resto do mundo, exceto no continente asiático, onde ainda são populares.

Outro que arriscou passos fora do oriente foi o já citado Tetsuya Komuro, que incluiu uma faixa no filme Velocidade Máxima 2 (Speed 2, de 1997), assinando apenas como TK. Também gravou com o tecladista francês Jean-Michel Jarre uma faixa para o álbum promoci
onal da Copa do Mundo de 1998 na França, iniciando uma produtiva parceria. Mas tanto para Chage & Aska como para TK, esses projetos ligados ao ocidente nunca foram prioridade, ao contrário da veterana banda Dreams Come True (ou DCT), que tentou com força uma entrada nos EUA. Primeiro, lançaram um belo álbum, o Sing or Die, de 1997, que trazia versões em inglês de vários sucessos. Depois, encararam uma miniturnê em solo estadunidense, que acabou não gerando muita repercussão, apesar da excelente voz da cantora e compositora Miwa Yoshida. Seus esforços lhe valeram um convite para participar do evento beneficente Live 8, realizado em 2005.

Correndo por fora, uma banda alternativa acabou ganhando mais prestígio que muitos medalhões e fez sucesso na MTV. Era o Pizzicato Five. Citado como referência do grupo Pato Fu, o P5 (como também é conhecido) surgiu nos anos 80, nas ruas do movimentado bairro de Shibuya, em Tóquio. Inicialmente um quinteto que se reduziu a uma dupla, o Pizzicato Five registrou canções divertidas e descompromissadas, até encerrar oficialmente as atividades em 2001. Fãs de música brasileira, eles até regravaram "Mas que nada," de Jorge Benjor, famosa mundialmente na interpretação de Sérgio Mendes.
De nomes de ponta do J-pop, a dupla Puffy AmiYumi foi mais longe que todos os seus conterrâneos. Primeiro, em 2003 elas cantaram (em inglês e japonês) o tema do desenho animado dos Jovens Titãs (Teen Titans), grupo de heróis da DC Comics, a editora do Superman. Depois, em 2004, o Cartoon Network apresentou ao mundo a série animada Hi Hi Puffy AmiYumi, que foi elaborada nos EUA e retratou, com um humor escrachado, a vida de duas estrelas do J-pop. Com diversos sucessos da carreira da dupla, o álbum com a trilha sonora da série teve lançamento mundial em 2005, inclusive no Brasil, onde o desenho foi visto tanto no Cartoon quanto no SBT. O lançamento brasileiro ainda contou com uma versão em português da música de abertura, cantada pela dupla com um sotaque indisfarçável. Uma outra investida do J-pop em solo ocidental veio também nesta década, com o selo Tofu Records, que lançou nos EUA o álbum J-Pop CD, com nomes expressivos do cenário musical japonês, como TM Revolution, Chemistry e Siam Shade. Outros títulos foram lançados, revelando um nicho de mercado com força para se manter.

AS VIBRANTES ANIME SONGS E O VISCERAL J-ROCK
 

Dependendo de muita exposição na mídia, uma lucrativa fonte de renda para muitos artistas no Japão é gravar músicas para comerciais de TV e novelas. Igualmente interessante é o mercado de canções para trilhas musicais de animês, seriados e até games, as chamadas anime songs ou anisongs. Essas trilhas não são uma subdivisão do J-pop, e sim um segmento de mercado independente que, com certa regularidade, tem músicas pop em suas fileiras. Existem anime songs, especialmente as mais antigas, que são mais relacionadas com as tradicionais canções enka, com marchas militares ou cantigas infantis, quase sempre com melodias e arranjos vibrantes. Mas o gênero também acompanha os tempos e capta as tendências de cada época. Com o pop em ascenção nos anos 80, não seria diferente.

O flerte do J-Pop com as anime songs se consolidou logo no começo dos anos 80, com o sucesso do animê Macross, em 1982. O desenho, uma saga espacial com robôs e espaçonaves, tinha muito romance e até uma personagem cantora, Lynn Minmey, a qual tinha a voz de Mari Iijima. Ganhando o coração dos fãs de animês e atraindo a atenção do grande público através do sucesso do tema "Ai – Oboeteimasu ka? " (ou "Você se lembra do amor?"), Macross abriu espaço para que as gravadoras vissem nos animês uma excelente vitrine. Também pianista e compositora, Mari Iijima conseguiu se manter no mercado depois do estrelato meteórico e conseguiu lançar trabalhos autorais no Japão e nos EUA, sempre procurando dissociar sua imagem da personagem que a lançou à fama.

Ela buscava, acima de tudo, um reconhecimento artístico que quase não existe no campo de músicas para animês, apesar de ser um segmen
to estabelecido, com muitos artistas focados nele, como Hironobu Kageyama, cantor de Dragon Ball Z, Changeman e Cavaleiros do Zodíaco. Ele, que já esteve várias vezes no Brasil, lidera a banda JAM Project, grupo vocal formado por cantores de anime songs. Desde 2005, conta com o brasileiro Ricardo Cruz como membro, selecionado através de uma audição internacional. Ele estreou em 2005 com Gong, tema de um jogo para PlayStation 2 chamado Super Robot Wars Alpha 3, música que também tem a participação do guitarrista português Nuno Bettencourt, da extinta banda Extreme, sucesso dos anos 80 com a música More than words. Kageyama e seu globalizado JAM Project buscam a essência das anisongs tradicionais, onde a música fala do enredo da série, coisa que normalmente é esquecida quando nomes do J-pop fazem anime songs.

Mas longe das marchinhas antigas, corre nas veias do JAM Project a variante mais pesada do J-pop: o J-rock, que bebe na fonte do hardcore, punk, glam, heavy metal e metal melódico.


Dentro do J-Rock, há aqueles de visual mais berrante, uma subdivisão que já foi chamada de Visual Rock, Visual Kei e Visual Shock. Seus artistas apostam em visuais exóticos, muitas vezes andrógino e atitudes mais agressivas, obviamente ensaiadas com seus empresários. Seus maiores expoentes foram o X Japan (ou apenas X - foto ao lado), Malice Mizer, Luna Sea e Kuroyume, entre outros. O X Japan, ícone do movimento visual kei, foi uma banda que marcou época com seu som pesado, agressivo e visceral, aliado a um visual extravagante (especialmente no começo da carreira). Também se celebrizaram com baladas românticas grandiosas, como "Forever love", não por acaso escolhida como tema do animê X, do estúdio Clamp. Cheio de variantes, o J-rock ainda abriga nomes como Glay, Asian Kung-Fu Generation, L´Arc~en~Ciel e outros. Os j-rockers, bem como seus colegas pop, têm legiões de fãs no Brasil, país que tem tido contato com a música japonesa há anos, graças à presença aqui da maior colônia japonesa do mundo.

O J-POP NO BRASIL
 

No Brasil, o J-pop se fez conhecido graças a iniciativas isoladas. Nos extintos programas Imagens do Japão e Japan Pop Show, clipes e shows japoneses começaram a ser vistos nos anos 80. No auge dos programas de TV da colônia japonesa, o cantor Kondo Masahiko veio ao Brasil, amparado apenas pelo público do Imagens do Japão. Também o programa Rádio Nikkey, da Imprensa FM, divulgou bastante o J-Pop, bandeira mantida hoje por algumas estações virtuais, como a Rádio Banzai.


Eventos ligados a mangá e animê também deram impulso à popularidade de músicas japonesas, a ponto de existirem diversas bandas amadoras e semi-profissionais especializadas em J-Pop, J-rock e anime songs. E vale citar também a música "Made in Japan" (de 1999, incluída no álbum Isopor), do Pato Fu, cantada pela descendente de japoneses Fernanda Takai. Uma composição original do guitarrista John Ulhoa, com letra vertida para o japonês pelo amigo Robinson Mioshi, Made in Japan captou o espírito do melhor do J-pop.
Com sons para todos os gostos, a eclética música pop japonesa tem buscado seu espaço no ocidente.

Seguindo os passos do mangá e do animê, o J-pop aos poucos vai sendo conhecido pelos fãs de cultura pop japonesa e vai ganhando seu espaço. Deixando o apelo visual de lado, no J-pop existe, como em qualquer gênero, música de boa qualidade que vale a pena ouvir.


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Essa matéria para a Mag! também rendeu, na época, uma entrevista com a cantora japonesa Mari Iijima, que não entrou na revista por causa do espaço, mas que foi aproveitada aqui no blog.

- Leia a entrevista na íntegra aqui.

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Meus agradecimentos ao pessoal da MAG!

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

DESENHANDO PROFISSIONALMENTE

É impossível falar do meu trabalho com HQ sem mencionar o  quadrinhista Arthur Garcia, autor de uma grande variedade de cursos de desenho publicados pela Editora Escala e premiado em 1990 com o Troféu O Mosquito (Festival de Amadora, Portugal) e duas vezes com o Troféu Angelo Agostini, sendo em 1994 como roteirista e em 95 como desenhista.

Trabalhamos juntos no começo dos anos 90, com ele desenhando roteiros meus para Maskman e Changeman, da Ed. Abril. Em 1993, começamos uma parceria com Street Fighter, para a Ed. Escala, que se tornou nosso trabalho mais popular. Em 1995, quando editei a revista Master Comics (Ed. Escala), convidei ele para produzir sua série Pulsar, da qual eu era grande admirador. Em 1997, ele desenhou a minisserie de meu personagem Blue Fighter, para a Trama Editorial. Em 2003, foi um dos primeiros nomes que chamei para o álbum Mangá Tropical (Via Lettera).

E até hoje sempre nos falamos, compartilhando nossas percepções sobre o mercado. Durante um de nossos papos, ele comentou que já pensou em montar um blog, mas que não teria tempo e paciência para atualizações regulares, mas que tinha alguns textos antigos e já utilizados que gostaria de compartilhar com uma nova geração de leitores. Então, atendendo a meu convite, ele enviou alguns textos e selecionei um para entrar aqui no Sushi POP, que tem um espaço para eventuais autores convidados. É um texto que eu gosto muito e fala sobre o maior desafio em ser um desenhista profissional. Para ler e refletir:


VOCÊ CONSEGUE DESENHAR ISTO?

Se eu tivesse ganhado mil reais por cada vez que ouvi esta pergunta nos últimos vinte e tantos anos, provavelmente já estaria rico e aposentado. Este, como vocês bem podem imaginar, não é o caso.

Toda vez que sou convidado a dar uma palestra em uma escola de desenho, a minha mente invariavelmente inicia uma viagem no tempo que me leva de volta a dois momentos distintos do passado. 

Em um deles, estou em 1989, na cidade de Angoulème, na França (onde anualmente se realiza uma das principais convenções de quadrinhos da Europa), mostrando o meu portfólio a dois artistas franco-canadenses que se espantavam com a diversidade de estilos nele contida. No outro, eu tenho dezesseis anos e, sendo um fã incondicional de John Byrne e quadrinhos de super-heróis, tento aprender a mecânica do desenho de Mônica e Cebolinha para produzir algumas amostras que possam ser apreciadas por um profissional do estúdio de Maurício de Sousa que eu acabara de conhecer. 

O motivo destas duas lembranças virem à minha mente, de algum modo interligadas, quando sou convidado a falar para aspirantes à profissão de quadrinhista, se explica pelo fato de que pela primeira vez, naquele ano de 1989 na França, me dei conta de ser um artista versátil. E que, mais do que uma escolha pessoal, isto se deu por uma imposição do mercado já na minha primeira exposição a ele. Como já disse anteriormente, desde a mais tenra idade sempre fui um fã dos quadrinhos de super-heróis, mas quando tentei adentrar ao mercado de trabalho como artista, descobri que ele era praticamente dominado pelo estilo infantil (ou “bonequinhos”, como muitos de nós o chamamos). Assim, sem ter muita escolha, fui a campo e aprendi a lidar com este tipo de desenho e, sem que me desse conta, me tornei um proletário das artes. 

No entanto, maravilhosa como possa parecer a idéia de se tornar um profissional do lápis e do pincel, esta traz embutida uma responsabilidade que muitos jovens artistas parecem não perceber: você vive do que produz; ou seja, se não tiver trabalho, não terá comida na mesa.
Esta idéia pode parecer aterradora num primeiro momento, mas é por isso mesmo, que toda vez que dou uma palestra em uma escola, sugiro aos jovens aspirantes que gastem um tempo ponderando a respeito da mesma. Isto evitará muitas desilusões. 

Foi por reconhecer o caráter comercial da nossa profissão que sempre estive pronto a travar conhecimento com novos editores, produtores e agentes, os quais, após uma consulta ao meu portfólio, invariavelmente me mostravam o tipo de trabalho que desejavam e sacavam contra mim a já referida pergunta: “Você consegue desenhar isto?” 

Como conseqüência, desenvolvi trabalhos para uma infinidade de meios: quadrinhos, publicidade, licenciamento, cartum, animação e ilustração, para o Brasil e o exterior, sempre alargando as fronteiras de estilos que pudessem ser de mim exigidos, nos prazos desejados e na qualidade requerida. 

Daí o meu conselho a todos os aspirantes a artista que encontro: tentem ser ecléticos. Independente de seus gostos pessoais (e eu não estou a pedir que os abandonem), tenham certeza que saberão desenhar tanto um pato de verdade quanto um Pato Donald. Num mercado instável como o nosso, quanto maior for a sua habilidade artística, menor será a chance de você ficar sem trabalho e ouvir uma outra pergunta muito desagradável sendo endereçada a você: “Quando vai pagar o que me deve?" 

P.S. : Anos atrás, durante minha estada em Portugal, descobri que Derib, um famoso desenhista suíço que realizou um ótimo faroeste realista (Buddy Longway), começou a sua carreira como desenhista no estúdio de Peyo, o criador dos Smurfs, o que lhe fez desenvolver uma versatilidade invejável.

P.S. 2: Vocês sabiam que um dos primeiros trabalhos de John Byrne foi a quadrinização da série “Carangos e Motocas” (Wheelie and the Chopper Bunch) da Hanna-Barbera, para a Charlton Comics?


- Arthur Garcia